Cultura

Vida e obra são retratadas em exposição em Portugal

A vida e obra das heroínas africanas na luta de libertação contra o colonialismo português são retratadas numa exposição documental e biográfica realizada pela Plataforma para o Desenvolvimento da Mulher Africana (PADEMA), em Lisboa (Portugal).

Retrato da heroína Deolinda Rodrigues
Fotografia: DR

A exposição documental e biográfica, aberta na semana passada,  destaca a vivência das heroína angolana Deolinda Rodrigues, da moçambicana Josina Machel, e da guineense Titina Silá, que desde cedo lutaram para que os seus países fossem libertados contra o colonialismo.
Na exposição documental está referenciado que Deolinda Rodrigues foi uma mulher determinada que lutou para alcançar o desenvolvimento da sua pátria. Deolinda Rodrigues, ou “Langidila”, como também era conhecida na luta de libertação nacional, nasceu em Catete no dia 10 de Fevereiro de 1939.
A heroína angolana ingressou no MPLA pouco depois da sua constituição. Nesse tempo, eram atribuídas aos jovens militantes tarefas específicas, como explicar os princípios do movimento de libertação nacional, traduzir documentos da língua português para o inglês ou vice-versa, muito dos quais destinados para o exterior, preparar panfletos e viajar para o exterior para estabelecer contactos. Em 1959, Deolinda Rodrigues obteve na Missão Evangélica uma bolsa de estudos em sociologia no Brasil. Um ano e meio depois de lá estar foi obrigada a partir, porque os governos de Portugal e do Brasil tinham assinado um acordo de extradição.
Daí partiu para Ilinóis, nos Estados Unidos da América (EUA), para continuar os seus estudos, aumentando os seus contactos políticos com outras pessoas e com diplomatas de diversos países africanos. Nos EUA, Deolinda Rodrigues não concluiu os estudos, porque decidiu regressar a África e dedicar-se à luta armada de libertação nacional.   Titina Silá foi uma combatente e formadora de milícias, que embora morrendo jovem, conseguiu fazer a diferença e cativar todos aqueles que a conheceram.
Já Josina Machel foi uma das jovens que fugiu de Moçambique para se integrar  na Frelimo e lutar pela independência do seu país. A primeira viúva de Samora Machel, ex-Presidente de Moçambique, é considerada modelo de inspiração do movimento de mulheres. Na luta pela libertação de Moçambique desempenhou um papel muito importante. Foi uma das fundadoras do Destacamento Feminino, chefe da Secção dos Assuntos Sociais e chefe da Secção da Mulher no Departamento de Relações Exteriores da Frelimo. Impulsionou a criação do Centro Infantil de Nangade, em Cabo Delgado, onde elementos do Destacamento Feminino tomavam conta das crianças que ficavam órfãs ou cujos pais estavam ausentes, no combate da Frelimo pela libertação nacional.
Durante a exposição, os presentes foram brindados com música e poemas angolanos apresentados pela escritora Isabel Ferreira.

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