Cultura

"Luanda Suave e Frenética" da Fundação Sindika Dokolo

Francisco Pedro I

A visão artística sobre as modificações da cidade Luanda ocorridas nesta época contemporânea – e que continuam a ocorrer - é a proposta da Fundação Sindika Dokolo para saudar o 434º aniversário da cidade capital, que se assinala amanhã.

 “Luanda Suave e Frenética” da Fundação Sindika Dokolo

A visão artística sobre as modificações da cidade Luanda ocorridas nesta época contemporânea – e que continuam a ocorrer - é a proposta da Fundação Sindika Dokolo para saudar o 434º aniversário da cidade capital, que se assinala amanhã.
Do universo dessa metamorfose urbana visível dia e noite e de forma acelerada, em Luanda, não estão de parte os sinais da densidade populacional, aliás, esses sinais constituem as razões das grandes mutações no centro e nas zonas periféricas de todas as cidades.
Daí que, através da arquitectura, fotografia, do vídeo e da instalação, a Fundação Sindika Dokolo apresentae a exposição colectiva “Luanda Suave e Frenética”, uma mostra que se traduz num olhar minucioso do quotidiano que, de maneira ténue, entra para a história de Luanda.
Este espelho da cidade que em tempos idos foi uma das mais belas a Sul do Sahara, nos é brindada pelos artistas Bamba, Ihosvanny, Paulo Kapela, Kiluanji Kia Henda, Chilala Moço, Ndilo Mutima, Nástio Mosquito, Nguxi dos Santos, Jorge Palma, Poças Pascoal, Orlando Sérgio, Paulo Azevedo, Marita Silva, Cláudia Veiga e Yonamine. A mostra esteve na Bienal de Bordeaux, em França, em Setembro do ano passado.
A inauguração, prevista para as 19h00, no Salão Internacional de Exposições, vai ser feita pela ministra governadora de Luanda, Francisca do Espírito Santo, que também acompanhou as obras em Bordeaux.

Observação de Luanda

Parece um auntêntico caos, mas é apenas o movimento frenético da cidade que outrora foi conhecida por São Paulo da Assumpção de Loanda, fundada a 25 de Janeiro de 1576, pelo navegador português Paulo Dias de Novais. Um conjunto de 24 ecráns, intitulado “Milapse of 24”, de Jorge Palma, mostra o tráfego rodoviário durante 24 horas. O video mostra o tráfego rodoviário dominado pelos azuis e brancos (taxistas).
Paulo Kapela com a sua aturada recolha de cartazes, fotografias de políticos e artistas, vasilhas de refrigerantes e cervejas e vários objectos de metais e plásticos brinda-nos com uma instalação que dá a ilusão de uma mural monumnetal.
Kiluanji Kia Henda, nas suas voltas pela cidade, regista em fotografia uma das estátuas (desmontada em peças), das que foram retiradas após a independência, e que só é possível ver no Museu das Forças Armadas. São várias as propostas que esses artistas nos convidam a observar sobre as mutações em Luanda, como a presença do falecido cantor Manré e Ndengue Paz (em actuação), um duo que animou inúmeras vezes a cidade capital.
O vie-presidente da Fundação Sindika Dokolo, Fernando Alvim, disse que “Luanda Suave e Frenética” transmite uma atmosfera sobre a trajectória da cidade, o seu universo, a sua velocidade e as suas metamorfoses.
Fernando Alvim informou que o ponto de partida é permitir maior liberdade e autonomia deixando com que os artistas evidenciem o seu próprio discurso ao observarem a cidade.
“Luanda Suave e Frenética”, acrescentou, foi concebida em parceria com o Governo Provincial de Luanda, como anteprojecto da II Trienal de Luanda, que abre em Setembro.
Na opinião de Alvim as problemáticas da percepção histórica, política e cultural abordadas pelos artistas “traduzem uma estética onde as imagens se tornam vectores culturais transformando-as em cartografias emocionais e poéticas da cidade”.

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