Luta pela sobrevivência abala críticos


25 de Abril, 2015

Fotografia: Reuters |

A história da luta pela sobrevivência de uma rapariga francesa cega e de um alemão durante o regime nazi, contada pelo escritor Anthony Doerr, no romance “All the Lights We Cannot See”, foi distinguida, este ano, com o prémio Pulitzer de melhor livro.

O livro figura na lista de mais vendidos na Amazon nas categorias Histórico e Literário. O romance, de acordo com a organização, dá ao leitor uma história incrível, bem escrita e maravilhosamente desenvolvida. “É um livro sensível e inteligente.”
A organização do prémio atribui ainda prémios, na categoria de ficção, ao livro “Between Riverside and Crazy”, de Stephen Adley Guirgis, e não ficção a “The Sixth Extinction: An Unnatural History”, de Elizabeth Kolbert. O Pulitzer de melhor texto histórico foi para “Encounters at the Heart of the World: A History of the Mandam People”, de Elizabeth A. Fenn, enquanto em biografias ganhou David I. Kertzer por “The Pope and Mussolini: The Secret History of Pius XI and the Rise of Fascism in Europe”. O prémio de poesia foi para Gregory Pardlo, por “Digest” e o de musical foi atribuído à peça “Anthracite Field”, de Julia Wolfe.
No domínio do jornalismo, o jornal “The New York Times” foi o grande vencedor, com três prémios nas categorias de melhor trabalho de investigação, para Eric Lipton, reportagem internacional, para a redacção do órgão, e fotografia, para Daniel Berehulak. A medalha de serviço público foi para o jornal “The Post and Courier”, de Charleston, na Carolina do Sul, pela reportagem “Till Death Do Us Part” (“Até que a morte nos separe”), sobre a violência de género naquele Estado dos EUA.
A série de reportagem recupera as mortes de 300 mulheres na última década nos Estados Unidos, provocadas pela violência doméstica, e a resposta do sistema judiciário local, que prevê condenações de somente 30 dias de prisão em alguns casos de agressão. Desde que a série foi publicada, os legisladores da Carolina do Sul, um dos Estados mais mortais dos EUA para as mulheres, têm proposto penalidades mais duras para crimes de violência doméstica.
Depois de publicadas as reportagens, o governador Nikki Haley criou uma força de trabalho especial para investigar o problema. Na reportagem, o jornal provou que nesta cidade dos EUA as pessoas recebiam penas mais duras em casos de crueldade contra cães, de até cinco anos, do que contra as mulheres. Eric Lipton, distinguido pela sua reportagem sobre a influência do “lobby” sobre os congressistas, compartilhou o prémio de jornalismo de investigação com a reportagem “Medicare Unmasked”, do “The Wall Street Journal”, sobre o programa de assistência médica aos mais pobres nos Estados Unidos.
O prémio para jornalismo de actualidade foi para a redacção do “The Seattle Times”, pela cobertura do deslizamento de terra que causou a morte de 43 pessoas na cidade de Urso, no Estado de Washington.
Carol D. Leonnig, do “Washington Post”, obteve o prémio de melhor cobertura, enquanto o melhor trabalho de crítica foi para Mary McNamara, do “Los Angeles Times”, e o melhor comentário foi para Lisa Falkenberg, do “Houston Chronicle”.
Na categoria jornalismo feito nos EUA ganhou uma cobertura do “Daily Breeze”, da Califórnia, e na de jornalismo explicativo foi premiado Zachary R. Mider, da agência “Bloomberg”. Os prémios de melhor editorial foram para Kathleen Kingsbury, do “The Boston Globe”, no formato escrito, e para Adam Zyglys, do “The Buffalo News”, em formato digital. Além do prémio para Berehulak, que venceu em fotografia de reportagem pela cobertura do surto de ébola em África, a melhor imagem em jornalismo de actualidade foi a da equipa de fotógrafos do jornal “St. Louis Post-Dispatch”.
Este ano e pela primeira vez as revistas puderam concorrer aos prémios, criados em 1917 por Joseph Pulitzer e que reconhecem a excelência em jornalismo, literatura e música em 21 categorias, que foram entregues na Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

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