Maestro Pederneira exímio trompetista

Jomo Fortunato|
2 de Fevereiro, 2015

Fotografia: Paulino Damião

Reputado trompetista, regente e compositor da Banda de Música do Comando do Exército, Beto Pederneira fez uma excelente exibição nas comemorações do vigésimo terceiro aniversário da criação do exército, como regente e solista da Orquestra de Sopros.

Segundo o Maestro Beto Pederneira, “uma banda de música militar é um agrupado de instumentos musicais por naipes, ou seja, dos quais fazem parte: as madeiras, que incluem as flautas, flautins, oboés, corne-inglês, clarinetes, clarinete baixo, fagotes, e contrafagotes, conjunto de metais, dos quais fazem parte, os  trompetes, trombones, trompas, e tubas, a classe da percussão, constituída por tímpanos, triângulo, caixas, bombo, pratos, e carrilhão sinfónico, e as teclas, das quais se distinguem o piano, cravo, e órgão.
As bandas militares exibem peças instrumentais em momentos de cerimónias oficiais , guardas de honra, desfiles, recepção de entidades oficiais estrangeiras, incluíndo concertos comemorativos”. No entanto, torna-se necessário estabelecer a diferença entre uma Banda de Música Militar, orquestra sinfónica, de carácter oficial, e orquestra filarmónica, que, normalmente, possui pendor privado ou associativo.
Filho de Elmiro Clara Pederneira, ex-funcionário público dos Caminhos de Ferro de Luanda, e de Ermelinda Luís, doméstica,  Carlos Alberto Luís Pederneira, Beto Pederneira, nasceu no dia 2 de Outubro de 1959, no Bairro Indígena, em Luanda.
Fequentou a instrução primária na Casa dos Rapazes de Luanda, em 1966, como aluno interno, com o seu irmão, Luís Filipe de Castro Correira, onde aprendeu a trabalhar como tipógrafo.
Beto Pederneira aprende, depois, na mesma instituição de caridade, os primeiros rudimentos de música, consubstanciados no solfejo, teoria musical e harmonia, e na execução do Fliscorne B, instrumento musical semelhante ao trompete B, tendo feito parte da Banda de Música da Casa dos Rapazes de Luanda, onde, na ausência do Maestro, assumia a função de regente.  Em 1972,  entrou para  a Escola Secundária João Crisóstomo, e saíu da Casa dos Rapazes de Luanda,  em 1974. Dois anos depois, ingressou na Escola Industrial de Luanda, e, em 1979, no Liceu Nacional  Salvador Correia.
Paralelamente aos estudos, Beto Pederneira foi admitido na Banda de Música das FAPLA,  Forças Armadas Populares  de Libertação de Angola, no dia 13 de Novembro de 1978, tendo feito a respectiva recruta, em 1979, no Centro de Instrução Revolucionária, Comandante Arguelles. Na sequência, foi patenteado, em 1980, ao grau de Tenente, e nomeado, acto contínuo, Director-Adjunto da Banda Militar das FAPLA. Beto Pederneira participou ainda, como regente convidado, no concerto denominado, “Uma voz de África na Áustria” ,  em 2014, com as peças: “Comandante Supremo”, e “Ngola, volume I e II”.

 Kissanguela


Beto Pederneira fez parte do agrupamento musical “Kissanguela”, onde entrou em 1975, em plena época do fervor revolucionário, a  convite do percussionista Raúl Tolingas, onde encontrou, Belmiro Carlos (viola solo), Santos Júnior (voz), Manuelito (viola baixo), Adolfo (viola ritmo), irmão do carismático Duia, Alfredo (trompete),  Cristiano Veloso (teclas), Juca (bateria), Candinho (congas), Hugo Quental (saxofone), Artur Adriano (voz), Tino diá Kimuezo (voz), Mário Silva (voz), e Varela (trova e declamação). Beto Pederneira recordou a época do “Kissanguela”, nos seguintes termos:
“Foi uma época de entusiasmo revolucionário. Tocávamos sem qualquer compensação de índole monetária, ou seja, o que contava, à época,  era o espírito da  independência, inpirado num verdadeiro patriotismo.  Os nossos ensaios eram à noite, no terraço do prédio da antiga ABAMAT, na rua dos Combatentes, e participávamos, colectivamente, nos arranjos das músicas. Volvidos estes anos todos, não posso deixar de afirmar que tenho saudades dos nossos concertos, sobretudo os que foram realizados em circunstâncias de guerra, e muito próximos das frentes de combate”.

Composição

Beto Pederneira começou a compor em Moscovo, por exigência académica, sendo autor das seguintes obras musicais: “Marcha militar”, “Comandante supremo”, “Criar”, inpirado no poema homónimo de Agostinho Neto, “Desejo”, tendo sido orquestrador de  várias outras obras músicais. O compositor definiu do seguinte modo a sua arte: “Entendo a composição, enquanto orquestração,  como sendo o conjunto de melodia, contra-canto, acompanhamento, e percussão. Componho em qualquer contexto, no entanto prefiro a solidão à multidão ou barulho. No entanto, precisamos de formação académica e profissional no domínio da música. Ainda não temos compositores de música clássica em Angola, em número suficiente”.

Moscovo

Na ausência de Maestros profissionais, Beto Pederneira  foi indicado para frequentar um curso de Regência na Faculdade de Regência Militar, Imeni Piotr Ilictch Tchaikovsky, em Moscovo, onde permaneceu  de 1982 a 1987. No seu regresso a Angola foi nomeado Director da Banda de Música das FAPLA, cargo similar que ocupa actualmente nas FAA,  Forças Armadas Angolanas, com a patente de Tenente Coronel. Durante a sua carreira,  Beto Pederneira, frequentou vários cursos de superação, na área da regência, em Lisboa, e em Insbruck, na Áustria.


Concertos

Criada no dia 16 de Junho de 1994, a Banda de Música do Comando do Exército realizou vários concertos ao longo da sua existência. Destacamos o concerto alusivo ao 13º aniversário das FAA, realizado em Outubro de 2004,  das comemorações do dia da cidade de Luanda, no dia 25 de Janeiro de 2005, e do Dia da Banda de Música, em Junho de 2006. Beto Pederneira foi regente e solista da Orquestra de Sopros do Exército, num concerto realizado em Dezembro de 2014, por ocasião das comemorações do vigésimo terceiro aniversário da criação do exército.
Do programa participaram, o poeta, Faísca, que recitou os poemas, “Exército” e “Pascualete”, e a Orquestra de Sopros do Exército exibiu a marcha militar, “Comandante Supremo”, as miscelânias, “Ngola volume I”, solo de trompete , e o cântico tradicional “Lô mwé ongedela” (ninguém me procura), tendo acompanhado os cantores, Elias Diá Kimuezo, que interpretou, “Nzala”, Zé Maria Boyoth, “Ocisungo Tchange”, Massissa, “Desejo”, Madrilena e Ilídio, “Criar”, Loanda, “Ngola volume II”,solo de violino, e Chita, que cantou, “Nzumbi”.

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