Mark Wahlberg substitui Shia LaBeouf


22 de Julho, 2014

Fotografia: DR

É dos mistérios mais inexplicáveis do cinema contemporâneo que a série “Transformers” tenha um sucesso tão estrondoso. Baseados numa linha de brinquedos, os filmes são longos, repetitivos e têm profundidade narrativa próxima a zero, mas levam multidões ao cinema desde que começaram a ser produzidos, em 2007.

O quarto título, “A Era da Extinção”, chegou às salas de cinema de todo o mundo, depois de arrecadar 208 milhões de dólares nos Estados Unidos e se tornar, em apenas 12 dias, o filme de maior bilheteira de todos os tempos na China. Em regime de pré-estreia, o novo “Transformers” já liderou as bilheteiras do Brasil nas últimas semanas, com um rendimento muito superior aos filmes oficialmente em cartaz.
É difícil entender qual é o segredo da série produzida por Steven Spielberg e realizado por Michael Bay, que gira em torno de uma batalha entre robôs alienígenas bons (os Autobots) e maus (os Decepticons) que vivem na Terra e podem transformar-se em objectos comuns, geralmente carros.
“A Era da Extinção” passa-se quatro anos depois do filme anterior, “O Lado Oculto da Lua”, no qual uma luta entre Autobots e Decepticons arrasou a cidade de Chicago e provocou o fim da parceria entre humanos e robôs. Os Autobots que sobraram, inclusive o líder Optimus Prime, passam a ser caçados por um grupo de operações secretas da CIA, em parceria com outros alienígenas e uma corporação que procura tecnologia para produzir os seus próprios robôs.
Até aqui, a história segue metade da fórmula narrativa básica de “Transformers”: criar um contexto político mirabolante para uma luta sem fim entre criaturas gigantes. A outra metade vem do núcleo humano, que pela primeira vez é liderado por Mark Wahlberg, e não Shia LaBeouf, estrela dos três primeiros filmes.
Wahlberg é Cade Yeager, inventor cheio de dívidas e pai ciumento da adolescente Tessa (Nicola Peltz). Há uma série de dramas em casa dos Yeager: falta de dinheiro, o risco de perderem a casa, o namoro que a jovem mantém em segredo com o piloto Shane (Jack Reynor). Mas nada disso importa muito, uma vez que em “Transformers” o esforço dedicado ao argumento é inversamente proporcional ao dinheiro gasto em efeitos especiais.
Na sua resenha sobre o segundo filme da trilogia, “A Vingança dos Derrotados”, o célebre crítico norte-americano Roger Ebert descreveu “Transformers” como “uma experiência horrível de duração insuportável”. “Se quiser economizar o dinheiro do bilhete”, sugeriu Ebert, “vá à cozinha, enfileire um coro masculino que cante a música do inferno e ponha uma criança a bater panelas.
Depois feche os olhos e use a imaginação.” É difícil encontrar descrição melhor. Como os filmes anteriores, “A Era da Extinção” tem algumas cenas bonitas - um pôr-do-sol, um enquadramento do deserto, um sobrevoo sobre a Muralha da China - e ao menos dois bons actores, Stanley Tucci e Kelsey Grammer, a fazer o que podem nos papéis do dono da corporação e do líder das operações secretas da CIA.
Mas estes são breves, brevíssimos suspiros num filme de 2h45 - o mais longo de uma série já conhecido pela longa duração - que se resume a perseguições, explosões, carros a voar, gente a correr, gritaria, barulho, música ensurdecedora, mulheres de saia curta em papéis quase insignificantes e acções de merchandising nada discretas que provavelmente pagaram o filme antes de ele chegar aos cinemas.
Tudo é tão absolutamente excessivo que, quando Chicago e Hong Kong já foram destruídas e dinossauros-robôs aparecem no acrã para mais um combate, é praticamente impossível conter o cansaço e tentar determo-nos em qualquer fiapo de história.
Não há dúvida de que uma grande parte do público, nos Estados Unidos  e no mundo, gosta de ir às salas de cinema para ver filmes de acção, novas aventuras de super-heróis e lutas de robôs, alienígenas ou zumbis, um tipo de cinema que Bay ajudou a popularizar.
Nem sempre esses filmes a­gradam aos não adeptos do género, mas em muitos casos há algo a admirar: o carisma de Robert Downey Jr.  na película “Homem de Ferro”; as personagens bem desenvolvidos de “X-Men”, a estética original de “Círculo de Fogo”.

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