Mármores de Elgin criam nova polémica


14 de Fevereiro, 2015

Fotografia: Reuters

As tensões entre o Reino Unido e a Grécia por causa dos polémicos mármores de Elgin, aumentaram para outro nível, depois do Museu Britânico ter emprestado algumas destas peças ao Hermitage de São Petersburgo, informou ontem o “The Art Newspaper”.


O Museu Britânico e o Museu de Arte Cicládica (MAC), um dos mais importantes de Atenas, estavam a manter boas relações, mas com o radicalizar de posições dos últimos meses, o braço-de-ferro institucional parece instalado a meses da inauguração da exposição “Defining Beauty: the Body in Ancient Greek Art”, e a instituição grega ainda não decidiu se empresta ou não uma peça de arte chave.
O “The Art Newspaper” destaca ainda que o impasse é consequência directa do polémico empréstimo que o Museu Britânico fez ao Museu Hermitage, onde, desde o princípio de Dezembro, está em exposição uma escultura do deus Ilissos, um dos mármores de Elgin, o conhecido conjunto da Acrópole de Atenas, chegado a Inglaterra no início do século XIX e por cuja restituição a Grécia bate-se internacionalmente desde a década de 1980.
Os gregos, aliás, recusam chamar-lhes “mármores de Elgin”, optando pelas designações “mármores da Acrópole” ou “do Pártenon”, o mais importante dos edifícios da colina ateniense.
Esse empréstimo, o primeiro de sempre que o Museu Britânico fez de uma das centenas de peças que em 1816 o Parlamento britânico comprou ao aristocrata escocês Thomas Bruce, sétimo conde de Elgin, foi feito como uma forma de Londres se juntar às comemorações dos 250 anos do mais importante museu russo. Acabou, no entanto, submerso numa onda de indignação liderada pelas mais altas figuras do Estado grego. O empréstimo foi “uma afronta ao povo grego”, denunciou o primeiro-ministro Antonis Samaras.
 “O Pártenon foi objecto de uma pilhagem. Os gregos identificam-se com a sua história e cultura. Estas esculturas não podem em caso algum ser separadas, emprestadas ou dadas”, defendeu Samaras num comunicado, replicado depois pelo ministro da Cultura, Konstantinos Tasoulas.
Depois de apenas três meses antes, em Agosto de 2014, a Grécia ter lançado a campanha “Revolver, Restaurar, Recomeçar”, impulsionada por Marianna Vardinoyannis, na altura embaixadora de boa vontade da UNESCO e de em Outubro do mesmo ano Samaras ter reunido com a advogada Amal Alamuddin e ter admitido recorrer aos tribunais internacionais caso Atenas não consiga um acordo extra-judicial com a Grã-Bretanha, Dimitris Pandermalis, o director do Museu da Acrópole, veio também a público recordar as negativas que Londres deu a pedidos seus semelhantes de empréstimo.
Agora é a vez de Atenas fazer a sua jogada, ao evitar apoiar a nova colecção do Museu Britânico. A Grécia, informou o jornal, mantém-se em silêncio em relação à viagem da obra que lhe foi pedida.
O jornal destaca ainda que para “Defining Beauty: the Body in Ancient Greek Art”, o Museu Britânico desloca pela primeira vez alguns dos mármores do Pártenon do seu espaço de exposição permanente para uma sala de exposições temporárias, um núcleo de peças em que se inclui a escultura decapitada do deus Ilissos, cuja exposição na Rússia termina no dia 18.
Ao “The Art Newspaper”, o museu inglês disse que “apesar de ainda ser possível finalizar o empréstimo do MAC, o tempo é já apertado”. “Além disso, o acordo com o Hermitage já despoletou uma vaga de interesse de outros mutuários e o Museu Britânico está a considerar novos pedidos de empréstimo”.       
No Museu Hermitage, foi entretanto possível assumir claramente um empréstimo que tanto Londres como São Petersburgo mantiveram em segredo praticamente até vésperas da inauguração da exposição.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA