Cultura

Massano Júnior desiste da Direcção da UNAC-SA

Jesus Silva | Lobito, Estácio Camassete| Huambo

O presidente interino da direcção da União Nacional de Artistas e Compositores (UNAC-SA), Massano Júnior, afirmou, em Benguela, que a Assembleia-Geral acontece, sexta-feira, em Luanda, e não vai concorrer à sua sucessão.

Membros da UNAC-SA criticam Massano Júnior (à direita) de má gestão da instituição
Fotografia: Africano Sebastião |Edições Novembro

Embora tenha anunciado a futura ausência na direcção, Massano Júnior prometeu continuar a dar o seu contributo como membro. “Sou artista e não abandonarei a instituição a que pertenço, com gente ordeira e pessoa capaz de levar o barco a bom porto.”
O cantor esteve em Benguela em visita de trabalho  e reuniu com artistas membros da UNCA-SA, para esclarecer a situação da instituição. “Há uma série de anomalias  nos últimos tempos na instituição, entre as quais a violação plena dos acordos, sendo necessário colocar os carris nos devidos lugares, com a realização da Assembleia-Geral, para prestação de contas e a eleição dos novos corpos gerentes”, salientou.
Na  óptica de Massano Júnior, existe cerca de meia dúzia de insurrectos que pouco ou nada fizeram pela instituição e estão a tentar criar “fraccionismo” dentro da UNAC, temos que pôr fim a esta problemática para não afectar os demais associados.
Referiu que os futuros dirigentes vão encontrar o caminho certo para dirigir os destinos da instituição. “Eu fico por aqui, não pretendo continuar, estou apenas a cumprir um mandato que me é legado por ordem dos estatutos, em substituição do Dr. Calado que, por inerência de funções, teve de abandonar a UNAC”.
Massano Júnior apelou ao pagamento de quotas, para que os membros possam obter benefícios, ter uma organização forte, coesa e unida, capaz de defender os interesses dos associados. Considerou que a música tem evoluído bastante, tem dado passos certos e que daqui a algum tempo estará “muito melhor”.
Acompanhado pelo cantor Caetano Domingos (Dom Caetano), Massano Júnior fez, também, algumas considerações sobre a atitude dos membros durante a Assembleia-Geral, “uma soberana oportunidade para exporem as questões que mais os afligem”.
Com uma instituição dividida, sublinhou, não há condições para continuar a trabalhar.

Denúncia de mau clima

Massano Júnior denunciou, no Huambo, a existência de mau clima, litígios e querelas no seio da agremiação, provocado por um grupo de membros, situação que está a contribuir para a desorganização e inacção por parte dos seus associados.
Sobre as carteiras profissionais, apelou aos artistas, e a todos os fazedores da cul-tura de uma forma geral, a tratarem os documentos profissionais, sublinhando que a UNAC está aberta para atribuir as carteiras a qualquer um que quiser candidatar-se. Esclareceu aos associados que não se deslocou ao Huambo para fazer campanha, mas sim “vim a busca de estabilidade para a organização e para os futuros dirigentes”, pois não pretende concorrer para à presidência e nem para voltar a ser vice-presidente.
O responsável para área jurídica, Africano Kangombe, presente no encontro com artistas e compositores do Huambo, informou a intenção de não reecandidartar-se, também, para quaisquer cargos.  Africano Kangombe realçou que a prolongada ausência do presidente da UNAC, Arnaldo Calado, nomeado para outras funções, um grupo de membros criou desordem no seio da classe para destituir o presidente interino, Massano Júnior, e tentaram refazer os estatutos em seus benefícios, convocando uma assembleia-geral. Este pequeno grupo, prosseguiu, suspendeu a direcção interina, recebeu o gabinete do presidente, e nem sequer teve iniciativas de devolver as contas bancárias da associação, alteraram as assinaturas, para os seus interesses, desrespeitando os estatutos.

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