Material reciclável junta vários artistas

Manuel Albano|
19 de Julho, 2014

Fotografia: Paulino Damião

A artista plástica Manuela Sambo afirmou ontem, em Luanda, que a classe está unida e preparada para se adaptar às grandes transformações e inovações no mundo da arte contemporânea.

Participante na terceira edição da iniciativa Jovens Artistas Angolanos “Jaango Nacional”, disse que as duas semanas em que decorreu a residência artística permitiram conhecer melhor o que está a ser produzido no país.
Manuela Sambo, que reside actualmente na Alemanha, disse que a exposição colectiva revelou a união dos artistas dispostos a trabalhar para o mesmo objectivo. “O tema foi sobre reciclagem e os seus mais variados aspectos. Normalmente, trabalhamos de maneira solitária, mas esta exposição permitiu estarmos em contacto com outros artistas”.
Nas suas obras, a artista trabalhou com discos de vinil, com os quais criou obras que reflectem sobre o tema, como forma de memória já não utilizada. “Fiz uma reciclagem de materiais, mas também de ideias europeias com uma linguagem africana”.
Lino Damião, que também participa na iniciativa, produziu duas instalações, “Memória de Luanda” e “Nova Luanda”, peças que reflectem aspectos da cidade, as suas vivências e transformações. Para as construir, utilizou uma técnica mista, com materiais electrónicos e latas recicláveis, para identificar os musseques e os novos edifícios da capital.
Para o artista foi uma experiência agradável, por permitir aprender novas técnicas e tendências com artistas de gerações diferentes. “As duas semanas de residência artística permitiram criar um maior espaço de diálogo, onde podemos exprimir os nossos sentimentos e emoções”.
Para Lino Damião, é importante haver mais investimento nas artes no país, por ser também um veículo de transmissão de conhecimentos e socialização. “O artista não pode parar de criar no sentido de ajudar as pessoas a racionalizarem melhor os recursos naturais”, realçou.

Materiais reciclados

A curadora da exposição, Joana Taya, disse que durante a residência artística foram produzidas 18 obras feitas com materiais reciclados e reaproveitados, que fazem agora parte de uma exposição colectiva aberta ao público desde terça-feira e até ao próximo dia 31, no Salão Internacional de Exposição da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), na Baixa de Luanda. Os nove participantes nesta edição do “Jovens Artistas Angolanos” revisitaram e readaptaram “conceitos e linguagens de cada um, no sentido de realizarem duas instalações”.
A selecção dos artistas, explicou Joana Taya, foi motivo de alguma curiosidade, por se tratar de um grupo que mostra as suas raízes e influências angolanas, apesar de alguns viveram no estrangeiro.
A curadora disse que os artistas tentam desenvolver uma expressão “rica e genuína”, com intrigantes traduções, perspectivas das suas emoções e visões do mundo, devido às suas variadas técnicas e imaginações.
A ideia foi providenciar um espaço físico, mental e emocional necessário para focarem o seu tempo e alma nos seus “mundos imaginários”. “A exposição é uma plataforma que incentiva e promove a arte contemporânea angolana, uma das riquezas latentes do nosso país”, salientou Joana Taya.
Para o produtor da exposição, Adriano Maia, “a exposição remete para a escultura através do uso de um espaço tridimensional. Neste ambiente é sempre exigida a participação directa dos visitantes na exploração da obra, pela deslocação do seu corpo entre os dispositivos, numa espécie de presença cénica”.
A imagem do Jaango Nacional, um símbolo angolano, é um espaço onde as pessoas se reúnem para trocar ideias, coberto, mas simultaneamente aberto, com entrada e saída dos lados, permitindo a deslocação física e conceptual do visitante. 
A terceira edição da inicitaiva, que teve o apoio do Ministério da Indústria, tem a participação dos artistas plásticos: Van, Ihosvanny, Uolofe Gryote, Samuel Quitadi, Manuela Sambo, Lino Damião, Rui Lavrador, Miguel Gonçalves e Renato Fialho.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA