Mecenato e estratégia de promoção das artes

Jomo Fortunato |
9 de Novembro, 2015

Fotografia: Adriano Maia

A décima sétima edição do BAI-arte, que este ano decorre desde o dia 5 a 27 de Novembro, está patente ao público na Academia BAI, situada no Morro Bento.

O certame, de periodicidade anual, criou marca e prestígio junto da classe artística, tendo propiciado uma relação saudável de promoção e intercâmbiocultural entre o Banco Angolano de Investimento, e  os criadores mais representativos da pintura angolana.
Num comunicado de imprensa a que o Jornal de Angola teve acesso, Teresa Gama, vice-presidente da Fundação BAI, escreve que: “Vamos comemorar, em 2015, uma grande efeméride que, para nós, constitui um marco histórico, ou seja, a celebração dos quarenta anos da nossa independência, e, concomitantemente, a décima sétima edição do BAI-arte sob o título ‘Rostos da paz’, precisamente no ano em que o BAI comemora o seu décimo nono aniversário. Importa referir que o BAI e a sua Fundação, nunca estiveram indiferentes ao seu aniversário, ligando assim a arte, enquanto actividade humana ligada a manifestações de ordem estética, a percepções, emoções e ideias, com o objectivo de estimular o interesse e consciência junto do público, num processo em que cada obra de arte possui um significado único e diferente”.
Com a curadoria de Adriano Maia, a presente edição junta os artistas: Álvaro Cardoso, pintor, ilustrador e gravador, nasceu em  Luanda, em 1961, Jorge Gumbe, pintor, gravador e curador independente, nasceu nos Dembos, Província do Bengo, em 1959, Nguxi dos Santos, fotógrafo, jornalista, repórter de guerra, produtor e realizador de conteúdos audiovisuais, nasceu no Nzeto, província do Zaire,em 1960, Francisco Van-Dúnem, Van, artista plástico, professor universitário, mestre em educação artística e curador independente, nasceu em  Icolo e Bengo, província de Luanda, em 1959, e Keyezua, artista plástica e curadora independente, nasceu em Luanda, em 1988.

História

O BAI-arte começou com as artes plásticas, em 1999, tendo a incidência artística desdobrado-se em diferentes domínios da arte: tapeçaria, escultura, música e dança.  A primeira edição coincidiu com a celebração do terceiro aniversário do BAI, com uma exposição colectiva que reuniu cinco artistas plásticos angolanos: Don Sebas Cassule, Jorge Gumbe, Luandino Carvalho, Tozé e Van, totalizando um conjunto de vinte e cinco obras, que teve como curador o artista plástico Rosário Matias, na altura responsável pelo Departamento de Operações Estrangeiras.
Em cada mês de Novembro, para além das especificidades temáticas no domínio da arte, emerge uma variedade de valores estéticos, numa iniciativa que vai, paulatinamente, constituindo uma referência para clientes, colaboradores, artistas e público em geral. O BAI-artetem possibilitado uma simbiose, onde os espaços do BAI são valorizados, com uma nova função, procurando inovar, em todas as dimensões, a sua acção social e empresarial.

Música

O simbolismo da música esteve representado na décima primeira edição do BAI-arte, que decorreu de 9 a 13 de Novembro de 2010, sob o signo “Viva a música”. Na ocasião o SIEXPO, Salão Internacional de Exposições, transformou-se num “palco interactivo de demonstrações acústicas variadas, onde foi apresentada a riqueza harmónica e as variadas manifestações de cada um dos instrumentos musicais”. Angola comemorava, na altura, os trinta e cinco anos de independência, e o BAI os seus catorze anos de existência. Estiveram expostas: a voz, a dikanza, o hungo, o kissange, o tambor, a marimba, saxofone e a guitarra.Importa referir que valorização da música angolana esteve presente nos projectos BAI-night, concertos de periodicidade trimestral, e, actualmente no Prémio BAI- canção do carnaval, e, no domínio do livro, com o apoio à realização da Feira Internacional do Livro e do Disco.

Dança


A décima terceira edição do BAI-arte foi dedicada à dança, sustentada pelo espectáculo “Oratura dos Ogros”, uma coreografia da Companhia de Dança Contemporânea de Luanda, num diálogo intertextual com as artes plásticas e a narração de contos da tradição oral angolana. O certame decorreu de 14 a 18 de Novembro de 2009, no Salão Internacional de Exposições (SIEXPO) do Museu de História Natural, e teve duas abordagens: uma exposição de Horácio da Mesquita, conjunto de aguarelas que contavam a História da Baçula, uma exposição de telas da UNAP, incluindo objectos do Ballet Nacional, representando um histórico da dançana sua generalidade, com a denominação,  “Movimentos da dança”.

Cabinda

A primeira edição do BAI-arte fora da cidade de Luanda, aconteceu na província de Cabinda nos dias 3 e 7 de Junho de 2011, sob o signo “Investimos nos artistas da terra”, depois de onze anos circunscritos à cidade de Luanda. Estiveram representados na décima segunda edição os artistas: Ngonga Nkula Ribeiro, Samuel Nkai, António Francisco, Estêvão Kiony Komba André, Paulo Mvumbi, António Nzinga e Mateus Miguel, com obras nas disciplinas de escultura e pintura, com a curadoria do artista plástico angolano Jorge Gumbe. O BAI, segundo a nota de imprensa distribuída na altura, “mantém-se fiel à sua filosofia de instituição financeira que tem, entre os seus valores, a preocupação com o apoio à cultura e às artes angolanas, enquanto depositárias da memória colectiva dos angolanos”.

Huíla

Depois de Cabinda foi a vez da Huíla acolhera décima terceira edição do BAI-arte, no décimo sexto aniversário da instituição bancária. Na ocasião o curador e artista plástico Jorge Gumbe, afirmou : “No ano em que comemora os dezasseis anos de existência, o BAI reforça o compromisso com a sua política de mecenato cultural, promovendo as distintas tendências criativas do povo angolano”. No “BAI-arte, Lubango 2012” estiveram representados sete artistas da Huíla e deLuanda, nomeadamente: Aguinaldo Faria, Rebeca Lua, André Malenga, Pascoal Duango, Claver Cruz,Pascoal Kadu, e Paulo Kussy, como convidado especial. Durante uma semana, o espaço Cásper Lodje acolheu a mostra colectiva composta por dezasseis obras, intitulada “Uma exposição de talento e de criatividade”.

Escultura

A edição de 2012 do BAI-arte Luanda 2012, foi totalmente de dicada à escultura e contou com a presença de Kiana, cuja “obra transpõe os arquétipos euro-ocidentais para os valores africanos”, Amândio Vemba, “jovem escultor de madeira a despertar no mundo das artes plásticas, e as suas obras retratam o quotidiano com paz, amor, beleza, natureza e harmonia”, e António Toko, jovem escultor, nascido em Luanda, e que frequentou o atelier do mestre Malangatana em Maputo, tendo apresentado, esculturas em madeira.

Luanda

“Luanda 02_14 repostas ao (des) envolvimento”  foi o tema da décima sexta edição, e participaram: Erika Jamece, nascida em 1977, fez consutoria de arte e trabalha em pintura, escultura, cerâmica, gravura, tapeçaria e artesanato, Leda Baltazar (1979),  trabalha em pintura e possui formação em educaçãovisual, design, e produçãográfica, e Patrícia Cardoso (1973), que  trabalha empintura sobre materiais alternativos tais como madeira, tecidos e artigos recicláveis. Participaram aindaos artistas: Francisco Vidal (1978),trabalha em desenho, escultura e instalação,  e Ihosvanny (1975), que trabalha, fundamentalmente, em  pintura e vídeo-arte. Nelo Teixeira (1974), outro artista convidado, revelou na ocasião o seguinte sobre a sua obra: “Sou apaixonado pela madeira e estudo sempre as técnicas dos outros. Trabalho com materiais reciclados, quer em esculturas equadros, por influência do meu tio, um grande artesão no Zaire,de quem nós, os seus sobrinhos, éramos ajudantes”.

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