Medalha de Mérito distingue coleccionador de arte

Jomo Fortunato | Porto
9 de Março, 2015

Fotografia: Cláudia Veiga

A atribuição da Medalha de Mérito, Grau de Ouro, ao coleccionador, Sindika Dokolo, pelo Presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, e a inauguração da exposição de arte contemporânea, “You love me, you love me not”, abrem uma nova era de realizações culturais entre Angola e Portugal, intercâmbio que prevê a definição de um programa anual de residências artísticas, conferências e exposições.

Para além do tradicional agradecimento, a solenidade da cerimónia ficou marcada pela importância histórica do discurso de Sindika Dokolo, facto que constituiu um momento de celebração das excelentes relações entre os dois países, tendo o colecionador agradecido a atribuição da medalha, valorizado o trabalho da sua equipa, não deixando de revelar a plenitude da sua emoção: “Gostaria aqui, Senhor Presidente, senhoras e senhores membros dos órgãos autárquicos, de encontrar as palavras certas para transcrever a plenitude da minha emoção e da minha gratidão perante o gesto de consideração que a cidade do Porto me quis dirigir através da vossa decisão”.
Sindika Dokolo revelou no seu discurso, que descobriu Angola e Portugal, em 2000, e destacou a nova era de relações entre os dois países: “Creio que um acontecimento como este, que esta noite aqui nos reúne, não teria sido possível apenas há uns anos atrás. Esta ideia é portadora de esperança para o futuro próximo, onde vejo laços, cada vez mais fortes, e mutuamente benéficos, apertarem-se entre Angola e Portugal. Assim, e à luz do evento desta noite, avalio até que ponto mudou radicalmente a relação entre estes dois países de cultura e história excepcionais”.

Intolerância

Tolerante, cosmopolita e aberta ao mundo, foi assim que Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto, definiu a sua cidade, a dado passo do seu discurso, palavras que constituíram uma resposta à “generosidade” de Sindika Dokolo: “A orientação política firme deste Executivo não tem ambiguidade, não suporta a tibieza e só é intolerante com a intolerância. É, e só podia ser, de abertura ao Mundo através da arte, dos artistas e dos mecenas, e o facto não pode constituir nem dúvida nem surpresa para ninguém. Foi e é uma opção política assumida, clara, sufragada e que transportamos, de maneira desempoeirada, sem trincheiras e sem preconceito ideológico ou outro”.

Realização

Sindika Dokolo revelou ser possível iniciar uma nova era de realização de projectos culturais, entre Angola e Portugal, contrariando uma citação de François Premier “que dizia, ao admirar o castelo de Chambord, com a sua escadaria de dupla hélice concebida por Da Vinci, onde, após 28 anos de construção, apenas teve a oportunidade de passar setenta e oito dias antes de morrer, que se nos preocupássemos com a realização das coisas, jamais empreenderíamos algo. Sinto-me particularmente feliz por constatar, hoje, que François Premier não tinha razão. A dinâmica cultural que identifico no Porto reforça a minha ideia de que podemos, ao mesmo tempo, ser criativos e pragmáticos e que uma boa política cultural é a que assenta os seus limites no reforço das suas conquistas através de projectos audaciosos e inovadores”.

Citações

Num jogo retórico de eloquência e de citações, Sindika Dokolo citou, para além de Jean Cocteau, e François Premier, Winston Churchill, nos seguintes termos:
“Winston Churchill dizia que o sucesso consiste em voar de fracasso em fracasso sem nunca perder o entusiasmo. É com satisfação que, mais uma vez, posso hoje constatar que Winston Churchill não tinha razão. De facto, no domínio da cultura, e particularmente no percurso da fundação, tenho a profunda alegria de reconhecer que a arte é, antes de mais, um campo universal em que as fronteiras já não têm lugar e onde, quando a mão amiga encontra uma mão para a receber, o insucesso não existe.
 A arte é uma canção, ao mesmo tempo cheia de poesia e de sentido, na qual é possível, pelo eco, pela repetição ou em uníssono, que dois países com uma história comum, por vezes dolorosa, duas culturas milenares entrelaçadas mas ao mesmo tempo diferentes, dois públicos que são, na realidade, dois povos e um concerto de individualidades, cantem juntos, pelo tempo de uma exposição, os acordes de uma nova harmonia”.

Imprensa

A atribuição da Medalha de Mérito, Grau de Ouro, a Sindika Dokolo e a inauguração da exposição de arte contemporânea, “You love me, you love me not”, na cidade do Porto, tiveram grande ressonância na imprensa em Portugal.
O “Diário de Notícias”, por exemplo, na sua edição de sexta-feira, 6 de Março de 2015, destaca, em primeira página, uma extensa entrevista ao colecionador, com o título “É uma colecção africana de arte, não uma colecção de arte africana”, uma paráfrase do coleccionador. A revista do jornal Expresso, na sua edição do dia 7 de março de 2015, assina um texto do jornalista, Valdemar Cruz, que reporta aspectos gerais da exposição. A SIC, televisão portuguesa, entre outras cadeias de televisão, retomaram inúmeras vezes, nos seus blocos de notícias, entrevistas e extratos do discurso de agradecimento de Sindika Dokolo.

Curadores

Sindika Dokolo agradeceu o trabalho de selecção dos curadores, nos seguintes termos: “Apesar de conhecer as peças expostas, pois escolhi cada uma delas com rigor e paixão, gostaria de prestar a minha homenagem ao trabalho dos curadores Suzana Sousa e Bruno Leitão que, pela singularidade do seu alinhamento, souberam criar entre estas obras uma narrativa ao mesmo tempo pessoal, e muito representativa da energia que está subjacente à minha colecção e ao meu gosto particular”.

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