Medalha de mérito para Sindika Dokolo

Jomo Fortunato |
2 de Março, 2015

Fotografia: Cláudia Veigas

Angola e o impacto internacional das suas artes plásticas estão mais uma vez prestigiadas, com a  atribuição da Medalha de Mérito, Grau de Ouro, a Sindika Doloko, um dos mais importantes e conceituados coleccionadores de arte contemporânea africana e do mundo,

 

galardão que será atribuído pela Câmara da cidade do Porto, uma proposta do seu presidente, Rui Moreira, motivada pela  “generosidade” do coleccionador.
Os projectos desenvolvidos pela Fundação Sindika Dokolo, criada em 2004, visam dar maior visibilidade à produção artística africana na Europa, e no mundo.  No seu histórico, a instituição conta com a realização da I e II Trienal de Luanda, respectivamente em Dezembro de 2006, e Setembro de 2010, considerada uma das principais plataformas de arte contemporânea angolana, e o projecto “Check List, Luanda Pop”, com os curadores Fernando Alvim e Simon Njami,  durante a 52ª Bienal de Veneza, em 2007, a partir da colecção da Fundação Sindika Dokolo, certame que reuniu cerca de trinta artistas africanos. A Fundação teve ainda uma presença de grande magnitude artística e organizacional, na  VII Bienal de São Tomé e Príncipe, em Dezembro de 2013.
A Trienal de Luanda, um projecto de impacto cultural implementado nos últimos nove anos, foi concebida pela Fundação Sindika Dokolo “a partir de um estudo abrangente das mutações emocionais e estéticas da sociedade angolana, através da arte, da cultura e da história contemporânea angolana, em diálogo com a arte e a cultura africana, na sua relação com a estética global”, lembra Fernando Alvim, Vice-Presidente da Fundação Sindika Dokolo, conceptor e produtor cultural.
De facto, a Trienal de Luanda teve como principais objectivos,  “estimular a produção artística nas mais diversas vertentes e a criação de um novo público, com um impacto directo na educação, para permitir o acesso abrangente da sociedade à produção artística, filosófica, angolana, africana e mundial”, lembrou Fernando Alvim.
A Fundação Sindika Dokolo  realizou , ao longo da sua existência, um total de mais de 500 eventos, dos quais destacamos os principais domínios: exposições de artes visuais, eventos de artes cénicas, conferências, concertos, exibição de peças de teatro, dança, moda, performance,  cinema, projectos de literatura, residências artísticas, e programas de visitas escolares.
Sobre a exposição “You love me, you love me not”, Fernando Alvim,  fez a seguinte apreciação: “Pretendemos, no fundo, criar relações normais entre as instituições dos dois países, e “desconstruir” os preconceitos que ainda prevalecem em relação à leitura da estética e da arte africana contemporânea. É  claro que a nossa intervenção, não deixa de possuir uma vertente política, no entanto, pretendemos  que esta relação seja duradoura e recíproca, e que outros projectos, em várias disciplinas da cultura, sejam concretizados.”

Exposição

A exposição You Love Me, You Love Me Not, título retirado de uma obra da artista queniana, Wangechi Mutu, muito conhecida no meio artístico internacional pelas suas colagens, é uma mostra substantiva da coleção de arte contemporânea africana da Fundação Sindika Dokolo, que será inaugurada no  dia 5 de Março, e vai até  17 de Maio de 2015, na Galeria Municipal Almeida Garrett, na cidade do Porto. Segundo o “Diário de Notícias” de 23 de Fevereiro de 2015, “A mostra é o resultado de uma parceria, a longo prazo, de dois, três anos, entre a cidade do Porto e Luanda, a convite do Vereador da Cultura, Paulo Cunha e Silva. Depois da exposição, as duas cidades deverão continuar ligadas por outros projetos, nomeadamente na área da música e do teatro”.  Da mostra “You love me, you love me not, fazem parte obras de artistas da África do Sul, Mali, Camarões, Estados Unidos da Améria, Marrocos,  Egipto, Quénia, Alemanha, Zimbabué, Nigéria, Tunísia, e Etiópia, incluindo trabalhos,  maioritariamente, da nova geração de artistas plásticos angolanos:  Binelde Hycran, Délio Jasse, Edson Chagas, Ihosvanny,  Kiluanji Kiá Henda, Nástio Mosquito, Ndilo Mutima, Paulo kapela, Vieix e Yonamine.  A imprensa tem destacado a presença de obras de, Marlene Dumas, William Kentridge, Samuel Fosso, Nick Cave, Kara Walker ou Kendel Geers. Segundo, Rui Moreira, Presidente da Câmara do Porto, “com este gesto de grande generosidade, Sindika Dokolo, permite à cidade do Porto desenvolver um dos projectos mais relevantes no âmbito da arte contemporânea da actualidade, ajudando a estabelecer uma ponte singular entre a cidade e o mundo”.

Curadoria


Pela parte angolana, a curadoria, entendida como espaço de desenvolvimento de conceitos, está a cargo de Suzana Sousa,  licenciada em estudos artísticos, variante artes e culturas comparadas, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, mestranda em Culturas Pós-coloniais e Políticas Globais, na Universidade de Londres, Goldsmiths College, no departamento de Estudos Culturais. Suzana trabalha em produção e gestão cultural em Luanda desde 2003.
Pela parte portuguesa, a curadoria está assegurada por Bruno Leitão, coautor, com Suzana Sousa,  do  texto do catálogo, do qual retiramos o seguinte extracto: “O processo de construção desta amostra, realizada a partir da colecção da Fundação Sindika Dokolo, que conta com mais de 300 obras de artistas de diversas nacionalidades, foi realizado como uma colagem, uma tentativa de encontrar pontos de contacto, ao mesmo tempo que se levantam cisões.  Este universo é formado a partir da colecção, e aqui o coleccionismo é interpretado também como uma colagem  de gostos e representações de artistas consagrados e de outros a descobrir”.

Medalhas


Segundo podemos ler no regulamento de atribuição de medalhas de mérito, vigente em Portugal, “as medalhas destinam-se a distinguir pessoas singulares ou colectivas, nacionais ou estrangeiras, que se notabilizarem pelos seus méritos pessoais ou feitos cívicos e ainda funcionários do município, pelo desempenho das suas funções”.
 As medalhas podem ser  de honra da cidade, de valor e altruísmo, de valor desportivo, de bons serviços, dedicação, de comportamento exemplar, e de mérito. Compete à Câmara, a sua concessão por proposta da Assembleia Municipal, do Presidente da Câmara Municipal ou do seu Vereador.

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