Memória do Conjunto Nzaji revisitada pelo Duo Canhoto


19 de Maio, 2017

Fotografia: Miqueias Machangongo | Edições Novembro

O Conjunto Nzaji é homenageado hoje, às 21h00, na III Trienal de Luanda, no palco  Ngola do Palácio de Ferro. O Duo Canhoto, que é um dos marcos da canção de intervenção depois da Independência,  interpreta  as canções do Conjunto Njazi, uma das principais referências da canção revolucionária durante a luta de libertação anticolonial.


Para esta homenagem, Antero Ekuikui e Guilherme Maurício dão voz  às canções “Kaputu”, “Ufolo”, “Dituminu”, “Etu tua anangola”, “Monangambé”, “Dr. Neto”, “Deba”, “Monetu ua kassule” e “MPLA in nvuluzi”. O duo é acompanhado pelos instrumentistas Teddy N´singui (guitarra solo), Dalú Roger (percussão), Mias Galheta (guitarra baixo), e Juju Lutoma (teclado).
Nzaji, nome em quimbundo que significa faísca, foi baptizado por Pedro de Castro Van-Dunén “Loy”, segundo Maria Mambo Café. O Conjunto Nzaji surgiu em 1964, na Cidade de Moscovo, durante o período da luta contra o colonialismo português. Liderado por José Eduardo dos Santos “Joes” (composição, voz e guitarra), Brito Sozinho (voz e composição), Pedro de Castro Van-Dúnem “Loy” (voz e composição), Mário Santiago (guitarra), Faísca (guitarra), Fernando Castro Paiva (ngoma) e Fernando Assis (piano), como vocalistas Maria Mambo Café, Ana Wilson, Amélia Mingas e Biguá.
A formação conquista os guerrilheiros e nacionalistas, pela divulgação das canções de forte teor revolucionário no Programa Angola Combatente. De salientar que este grupo vem na sequência dos “Kimbandas do Ritmo”, criado em 1959 e a sua primeira designação “Derrepente”.
O disco inicialmente gravado e lançado em 1964 na então URSS, foi reeditado em 1988 com o título “Destinos” pela “Makinu”, editora afecta ao músico Teta Lando.
Por sua vez, o Duo Canhoto, constituído por Antero Ekuikui e Guilherme Maurício, teve a sua origem na brigada artística das extintas TGFA (Tropas de Guarda Fronteiras de Angola) denominada “26 de Agosto”. O Duo actua pela terceira vez na Trienal, a primeira aconteceu na cerimónia de abertura do Palácio de Ferro a 16 de Janeiro de 2016 e no Festival ZWA.

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