Cultura

Mensageiros de Caxito atraem multidões

O grupo teatral “Os Mensageiros de Caxito” está a deixar marcas nos palcos e salas onde exibe as suas obras, arrastando muitos fãs admiradores dos conteúdos apresentados, ou seja o dia dia da vida das populações.

Fotografia: Edições Novembro

O grupo é originário da província do Bengo, onde tem palco preferencial, foi criado a 25 de Abril de 2001, há 17 anos, portanto, e tem uma componente de 10 elementos, entre directores, encenadores, dramaturgos, actores e cenógrafos, entre outros intervenientes.
José Sebastião Manuel, mais conhecido por Sebastião Político, é o responsável do grupo. É encenador, dramaturgo e actor de teatro. O projecto de intervenção social do grupo leva o seu nome. Outros actores destacáveis são Maria Atrevida e Chico Atrasado.
O grupo aborda, através das artes cênicas, assuntos problemáticos ligados ao dia-a-dia da sociedade, criando ideias úteis para os solucionar. São, por isso, de grande sucesso as peças “Proposta que o bruxo negou”, “O Silêncio até a morte”, “As manobras do velho Kituxe”, “O Julgamento no Bongo” e “As sereias do Dande”.
“As mensagens apresentadas ao público são sempre positivas, têm a ver com as nossas vidas, desde os aspectos sociais, económicos, culturais aos políticos”, disse Sebastião Político, que entrou no mundo do teatro em 1996.
Político aperfeiçoou a arte socorrendo-se do convívio com pessoas mais experimentadas do teatro, ao nível de Domingos Mizá e Roberto Macaniadi, e de trocas de experiências com grupos sonantes do mercado nacional, como Miragens, Etu Lene e OÁSIS.
“Gosto de humor e alegria e tenho como ídolo do teatro no Bengo o Orlando Mateus Congo e uma grande admiração pelo Chico Atrasado. O Avelino Viegas, que interpretou uma grande peça no país, a “Camba Mbigi”, expirou-me bastante no mundo do teatro”, disse.
Sebastião Político é licenciado em ensino de história e a monografia que defendeu intitula-se “o teatro e a compreensão da história de Angola”. Dai a grande facilidade para ligar as duas realidades. A passagem pelo jornalismo também ajudou. Político esteve vinculado de 2004 a 2016 à rádio Bengo.
Segundo o responsavel dos Mensageiros de Caxito, ainda “não vivemos do teatro”, razão porque, “além do teatro, vivemos de outras profissões. Sou professor e tenho uma ligação com a Rádio. Somente a Maria e o Chico Atrasado têm como única ocupação o teatro. Têm algum rendimento, mas não para viver dela.”

Divulgação
“Estamos a trabalhar com as administrações locais para fazermos noites de teatro a nível dos municípios, sobretudo aos fins-de-semana”.
Para um ambiente mais atractivo, o grupo sugere a criação, pelos órgãos de direito, de políticas mais concretas para o desenvolvimento da cultura, no seu todo, e do teatro, em particular, com a criação de mais espaços para o desenvolvimento dessa arte.
“Temos projectos de teatro envolvendo crianças, jovens e adultos, de maneiras a retirar algumas pessoas da delinquência, um problema que se agrava”, disse.
De acordo com o responsavel do grupo, o teatro é arte e arte é evida. Ajuda na potencialização do domínio cognitivo, psico-motor e afectivo do homem. Nessa perspectiva, são criados métodos nas escolas, com objetivo de fazer com que os alunos tenham uma outra autonomia na construção de conhecimentos.
“Dentro das actividades extra escolares, gizamos um programa denominado “Artes no pátio da escola”, que está agradar tanto os professores quanto os pais e encarregados de educação.”
Sebastião Político realça que o teatro também garante a inclusão, “ajuda a interagir e faz as pessoas perderem o medo da interação com os outros.”
O grupo teatral “Os Mensageiros de Caxito” é considerado o principal cartão de visita da província do Bengo na área do teatro. “Queremos continuar a ser essa referência e estimular o surgimento de outros grupos. Daí o programa de artes na escola.”

Actividades realizadas
A primeira actividade do grupo aconteceu de forma tímida, pois poucos acreditavam no seu bom desempenho. “Disseram-nos que o público era muito exigente e talvez não estivessemos a altura. Apresentamos as peças “o Bêbado inteligente” e “o Gato preto do velho Quindange” que foram dois grandes espectáculos e a marca do momento incentivou-nos a continuarmos com a nossa carreira.”
Em 2008, o grupo desenvolveu o projecto “Teatro na Rádio”, de gravação de peças teatrais, em forma de rádio novela, sobre temas ligados ao combate ao saneamento básico, doenças de transmissão sexual e outros males que apoquentam a sociedade.
O grupo tem deu grande contributo na mobilização e sensibilização da população, na campanha de educação cívica eleitoral e e actua na luta contra o HIV/SIDA, o alcoolismo, as drogas, a violência doméstica e outros actos que abalam a sociedade.
Os Mensageiros de Caxito estão presentemente a preparar a obra “O sangue pela liberdade”, que será exibida na TPA. Trata-se de uma peça que narra os feitos heroicos dos guerreiros da primeira região política, na luta pela conquista da liberdade.
À classe empresarial, o grupo pede mais envolvimento nos apoios, patrocínios, para ajudar os artistas a resolver os problemas gerados pelos grandes custos de produção.

 

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