Mercado da arte cresce significativamente


8 de Outubro, 2014

Fotografia: DR

O mercado da arte contemporânea cresceu significativamente de Julho de 2013 a 2014, com um recorde incrível de vendas em leilão, informou a Art Price, instituição responsável pelo mercado de arte e que divulga as melhores vendas e as tendências dos coleccionadores.

Os dados divulgados no relatório anual da instituição sobre o estado do mercado da arte mostram que o norte-americano Jeff Koons lidera a lista dos artistas mais valorizados, depois de em Novembro uma das suas esculturas, “Balloon Dog (Orange)”, ter sido vendida por 38,8 milhões de euros e tornar-se a obra de arte contemporânea mais cara arrematada em leilão, destronando o alemão Gerhard Richter.
O relatório da Art Price, feito com base nos resultados de 4.500 casas de leilão e no acompanhamento das principais agências de notícias e de 6.500 publicações em todo o mundo, coloca Jeff Koons à cabeça de uma lista de 500 artistas (ordenada pelas receitas globais do leilão em que as suas obras foram vendidas), que inclui Jean-Michel Basquiat, Takashi Murakami, Tracey Emin, Fanzhi Zeng, Ai Weiwei , Richard Prince, Damien Hirst e até a portuguesa Joana Vasconcelos, que aparece na 411ª posição.
O recorde de Jeff Koons, explica a Art Price, não pode dissociar-se da retrospectiva que o Museu Whitney, em Nova Iorque, dedica ao artista, desde 27 de Julho até ao próximo dia 19 e reflecte, de acordo com as conclusões dos analistas da instituição, o interesse cada vez maior dos coleccionadores pelos artistas nascidos depois de 1945.
Em quatro anos, mostram os números, os resultados da arte contemporânea leiloada praticamente duplicaram, contrariando o ano negro de 2009-2010, em que caíram para 48 por cento. Ao atingirem os 1.500 milhões de euros e com 13 obras contemporâneas a ultrapassar a barreira dos dez milhões de dólares, o balanço de 2013/2014 registou um novo pico no que diz respeito a resultados globais das casas de leilão, com a subida dos preços e as vendas recorde de artistas nascidos depois de 1945. “Um pico que faz lembrar o período de 2004-2007, de especulação galopante”, reforça a instituição especializada num comunicado de imprensa.
Este período foi o melhor ano de sempre para os leilões de arte contemporânea, ultrapassando em 15 por cento os resultados de 2007, ano excepcional, em que as receitas dos leilões dispararam 50 por cento.
A Art Price destaca ainda que na última década, em geral, os preços da arte contemporânea subiram mais de 70 por cento e o número de obras leiloadas, pelas principais casas de referência do mercado mundial, quintuplicou.
“Este crescimento acentuado aconteceu porque apesar da volatilidade do sector, com oscilações que podem ser drásticas, o interesse dos investidores tem estado a aumentar, algo que não se pode separar da actual globalização do mercado. Hoje, e cada vez mais, quando uma obra vai à praça, os licitadores estão em qualquer parte do mundo, sendo a arte vista como um bom investimento. Os 100 artistas contemporâneos que mais ganharam nestes 12 meses conseguiram gerar mil milhões de euros, um montante que impressiona quando comparado com o que os cem maiores nomes eram capazes de fazer circular há precisamente dez anos”, explica a instituição.
Em termos globais, o mercado cresceu 12 por cento, com os artistas pós-1945 a serem responsáveis por uma fatia de 15 por cento, uma vez que só a arte moderna e a do pós-guerra ultrapassam a contemporânea.
Neste território de forte competição, os dois principais pólos geradores de receita são a China e os Estados Unidos.
No ano passado, os dois países estavam empatados, mas agora a vitória é completamente asiática. Com 601 milhões de euros, a China detém hoje 40 por cento do mercado de arte contemporânea, deixando os norte-americanos com 38 por cento (552 milhões de euros) e a Europa na cauda: o Reino Unido com 15 por cento (231 milhões de euros) e a França com menos de dois por cento (26,3 milhões de euros).

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