Mercado de arte moderna tem novo recorde


9 de Fevereiro, 2015

Fotografia: Divulgação

“Nafea Faa Ipoipo”, de 1892, do artista pós-impressionista francês Paul Gauguin é agora a mais cara de sempre, ao ser vendida, no Qatar, por 300 milhões de dólares, noticiou o “The New York Times”.

 
O diário salienta que a venda não teve os habituais intermediários, leilões ou galerias.
O jornal acrescenta ainda que a obra de Paul Gauguin superou em mais de 50 milhões de dólares “Os Jogadores de Cartas”, de Paul Cézanne, comprada em 2011 pela família real do Qatar a um magnata grego.
A nova pintura mais cara do mundo, que mostra duas jovens ao ar livre, foi feita um ano depois de o pintor ter chegado ao Taiti na primeira de duas estadas na Polinésia francesa que marcaram em definitivo a sua obra.
À combinação das duas mulheres atribuem alguns historiadores uma ligação aos dilemas pessoais e artísticos do pintor entre dois mundos.
O jornal norte-americano refere que o quadro foi transaccionado entre Rudolf (Ruedi) Staechelin, um antigo executivo que trabalhou para a leiloeira Sotheby’s, e que por intermédio de um fundo familiar gere uma colecção de 20 obras de arte impressionistas e pós-impressionistas, e um comprador do Qatar.
Sobre a possibilidade de o novo dono de “Nafea Faa Ipoipo” ser deste emirado do Golfo Pérsico, que vive essencialmente do petróleo e do gás, Rucei Staechelin, que também não falou do preço, disse apenas: “não confirmo, nem desminto.”
No mercado de arte e tendo em conta os últimos quatro a cinco anos, especula-se sobre o possível comprador e são muitos os que apostam na família real do Qatar, que em 2011 adquiriu “Os Jogadores de Cartas”, considerada, no mesmo ano, pela publicação especializada “The Art Newspaper”, o maior investidor mundial em arte contemporânea, mas também há quem opte pelo organismo que gere os museus do emirado.
O “The New York Times”, com base no testemunho de dois negociantes de arte com informação privilegiada sobre o negócio, sugere que foi comprada por aquela organização. A organização que gere os museus do emirado não fez comentários, apesar das tentativas do jornal norte-americano.

A colecção e o conflito

O acervo que Staechelin gere e ao que pertence esta pintura de Gauguin, é suíço e estava emprestado ao Kunstmuseum de Basileia, cidade onde vive o antigo gtrabalhador da Sotheby’s. Por serem demasiado valiosas, as 20 obras que incluem Van Goghs, Picassos e Pissarros, nunca foram expostos na casa de Staechelin nem de nenhum outro familiar desde a morte do avô, o coleccionador original, em 1946.
O avô de Staechelin, um negociante de arte suíço a quem o neto deve o nome, tinha muitos artistas no seu círculo de amigos e fez a maioria das compras durante e depois da I Guerra Mundial. Foi já na condição de consultor do museu de arte de Basileia que se decidiu pelo empréstimo das obras, apenas concretizado pelo seu filho Peter, no final dos anos 1940 início da década seguinte, revelou a agência de notícias Bloomberg.
O empréstimo terminou agora depois de um contencioso com as autoridades regionais. O presidente da Câmara de Basileia, Guy Morin, lamentou a perda e disse à imprensa suíça que tentou persuadir Staechelin a manter o empréstimo ao museu, fechado há dias para obras e que reabre em Abril do próximo ano.
Na base do conflito está o contrato de concessão, que o coleccionador queria alterar, apesar de se desconhecerem os termos em que museu queria manter o quadro. Staechelin, aproveitando o facto do contrato vigente exigir a exposição permanente das obras sob empréstimo, denunciou-o e vendeu o quadro aproveitando o mercado estar em alta para obras deste género.
A família, que frequentemente é contactada por compradores interessados em várias obras do seu acervo, teve agora, admitiu, “uma boa oferta”. “Estas obras são história de arte e da minha família, mas também uma garantia de segurança e investimentos”, disse Rudolf Staechelin ao jornal norte-americano “The New York Times”.
“Fomos dolorosamente recordados de que os empréstimos permanentes são empréstimos na mesma”, afirmaram em comunicado os responsáveis do Kunstmuseum. Porém, Rudolf Staechelin referiu tratar-se de encarar o acervo como um organismo vivo: “as colecções privadas são como as pessoas, não vivem para sempre.”

“Super troféus”

James Roundell, director de uma revendedora de arte em Londres, a Simon Dickinson, declarou ao mesmo jornal norte-americano que obras como este Gauguin, que pertencem a privados, embora tenham estado décadas pendurados nas paredes de um museu, começaram a ser vendidas a particulares, “o que está a criar uma nova categoria de bens a disputar, a dos ‘super troféus’”.
Ainda não está definido quando é que o Kunstmuseum tem de entregar a pintura de Gauguin ao novo dono, seja ele quem for, escreve o diário económico “The Wall Street Journal”, embora o jornal “The New York Times” garanta, com base em informações do próprio Rudolf Staechelin, que”deve mudar de mãos em Janeiro de 2016”.
O tempo de espera, salienta o “The New York Times”, deve-se a compromissos do museu com exposições em Washington, no Phillips Collection, Madrid, no Centro de Arte Reina Sofia, e em Basileia, na Fundação Beyeler, onde a obra tem de ser exibida.
Staechelin disse que procura um grande museu que aceite a colecção do avô, que não pediu dinheiro pelo empréstimo e a única condição imposta foi a de as obras fazerem parte de uma exposição permanente.

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