Mercenários destroem Património Mundial na Síria


24 de Dezembro, 2014

Fotografia: Divulgação

O ministro sírio do Turismo, Bisher Yazayi, denunciou ontem o saque sistemático de sítios arqueológicos por parte dos grupos armados apoiados pelos países ocidentais.

Durante uma visita ao santuário de Assayeda Zainab, o representante do governo considerou que um dos motivos da guerra imposta ao país é a destruição de sua cultura.
Centenas de mercenários que trabalham com redes de crime organizado roubam peças arqueológicas, disse o director-geral de Antiguidades e Museus da Síria, Mamoun Abdelkarim.
O especialista pediu à comunidade internacional que evitar o contrabando de antiguidades sírias e deixe de apoiar os mercenários disfarçados de rebeldes. Na Síria existem mais de 18 mil sítios arqueológicos, mas muitos estão em perigo de desaparecer devido à guerra, que em quase quatro anos causou  mais de 200 mil mortos.
A Cidade Velha de Damasco, Bosra, o centro antigo de Alepo, as ruínas de Palmira, o Crack dos Cavaleiros, a Cidadela de Saladino e os povos antigos do norte, estão na lista do Património Mundial da UNESCO.
Nos últimos anos, muitos sítios históricos foram saqueados ou danificados pelos extremistas armados para obter dinheiro, em combates ou simplesmente por considerá-los contrários às suas crenças. Estes grupos são apoiados em armas e dinheiro pelas potências ocidentais, nomeadamente EUA, França e Reino Unido.
A lista de prejuízos ao património sírio é interminável e inclui o mosteiro  de Saydnaya, fundado pelo imperador Justiniano em meados do século VI, as ruínas greco-romanas de Apamea e o Crack dos Cavaleiros, fortaleza construída pelos Cruzados.

Ameaça à História


A guerra imposta à Síria ameaça destruir o futuro do seu povo, mas também o seu passado como evidenciam os danos nas mesquitas, castelos medievais, igrejas e ruínas romanas, vestígios da História milenar do país.
Por estas terras passaram os antigos egípcios, fenícios, arameus, assírios, babilónios, persas, gregos, romanos e bizantinos até à conquista árabe no século VII, e todos deixaram a sua marca naquela nação.
Considerada desde tempos imemoriais como uma fonte da cultura e das artes, a Síria hoje vê ameaçado o seu património pela pilhagem dos mercenários e rebeldes apoiados pelas potências ocidentais. Peças históricas de elevado valor são roubadas e trocadas por armas e dinheiro. É a destruição de um povo e o saque sa sua cultura.
Ainda que o governo do Presidente Assad conseguir proteger a maioria das peças dos museus do país, os sítios históricos são alvo de saques sistemáticos por parte de grupos armados. Centenas de mercenários que trabalham para as potências ocidentais tentam roubar peças arqueológicas. As autoridades criaram uma página de Internet para documentar e criar um banco de dados do Património Imaterial do país, com o objectivo de preservar o seu legado histórico.
Para além da devastação produzida pela guerra, estes lugares são alvo de roubo, escavações clandestinas e saques de todo o tipo. Durante décadas os sítios históricos foram passagem obrigatória para turistas, historiadores ou cientistas. Eram uma das principais fontes de receitas do país. Mas, agora, com a guerra, tudo mudou.
Algumas fontes governamentais denunciaram que em Apamea, construída pelo rei Seleuco I no século III antes de Cristo, os mosaicos foram arrancados à martelada e muitas estátuas romanas foram roubadas para vender no exterior.

Catástrofe cultural

Mais de 75 pontos arqueológicos da região sofreram prospecção arbitrária, entre eles o museu de Qallat al-Madiq, um dos mais importantes do mundo em relação à qualidade e quantidade de mosaicos, afirmou o chefe do Departamento de Arqueologia da província de Hama, Abed al Kader Ferzat.
Também os restos da antiga cidade de Ebla ficaram danificados pelos combates e foram submetidos a uma pilhagem sistemática. Em pior estado está a cidade de Alepo, frente de batalha durante mais de dois anos. Muito locais históricos foram destruídos ou danificados como a Grande Mesquita, onde está sepultado o profeta Zacarias.

As cidades mortas

Os restos das antigas aldeias do norte de Síria correm grande perigo. Conhecidas como as cidades mortas, perderam muitos de seus monumentos históricos.
Habitados entre os séculos I e X, as aldeias muito bem conservadas, reflectem a vida rural na Antiguidade tardia e durante o período bizantino. Telanissos, Al Bara, Surkania, Dar Qita, Ruweiha e Surkania são testemunhas mudas de uma civilização agora desaparecida. Os especialistas dizem que as regiões mais expostas são as que escapam ao controlo do governo e estão ocupados por grupos da oposição armada.

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