Cultura

“Meu Chão” coloca à prova todo talento de Ivan Alekxei

Domingos dos Santos

Um álbum totalmente acústico, “Meu Chão”, de Ivan Alekxei, coloca à prova todo o talento do músico, num regresso às suas raízes da kizomba e semba, sem descurar outros ritmos como a rumba e baladas.

Autor de “Meu Kota” promove hoje e amanhã, em Luanda, sessões de venda e autógrafos
Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

O disco, produzido pela Som D’Ouro, é lançado e comercializado hoje, ao preço de 1.500 kwanzas.
Estarão disponíveis seis mil cópias para serem comercializadas hoje, na Praça da Independência, e amanhã, no Belas Shopping, também, em Luanda. Seguir-se-ão as sessões de venda e assinatura de autógrafos, no dia 16, no Lubango, e 17, no Namibe, onde o disco será vendido a mil kwanzas.
“Meu Chão”, que levou dois anos e meio para ser gravado, é um disco totalmente acústico. As bases foram feitas em Angola, por Chico Viegas. Depois passou por Portugal, Brasil, Alemanha e França, onde foi feita a masterização. “É um disco que viajou um bocadinho pelo mundo, porque Chico Viegas procura muito outras sonoridades, principalmente, nesta altura, em que é difícil fazer um disco totalmente acústico”, salientou.
O CD é composto por 13 faixas musicais, incluindo o seu maior sucesso “Meu Kota”, como bónus track. Antes desta sua obra discográfica, o músico gravou em Portugal, onde esteve a viver durante seis meses, um EP, comercializado somente nas plataformas digitais. “O ‘Meu Kota’ é uma música que não está registada em nenhum disco, por isso decidi colocar no meu primeiro álbum”, justificou.
Temas inéditos como “Semba de Casal” e “Nosso Passeio”, uma música que já possui o vídeo clip promocional, prometem aquecer as pistas de danças. O CD traz também duas novas versões das músicas “Reunir”, original de Teta Lando, e “Alucinações”, de Luandino de Carvalho e Ruca Van-Dúnem.
“São músicas que fazem parte do meu currículo em termos de música de bar”, afirma, sublinhando que as duas versões foram legalmente autorizadas pelos autores ou seus representantes.
Neste CD, Ivan Alekxei contou apenas com a participação de Kyaku Kiadaff. O músico, que tem um show de apresentação do disco marcado para dia 9 de Março, onde será acompanhado pela Banda Maravilha, justifica essa opção com a ideia de pretender dar mais de si neste que é o seu primeiro álbum. “Não concordo muito com a questão de ter nomes só para dar peso ao disco. O que dá valor ao disco é a sua qualidade e a mensagem. Neste álbum, coloco-me à prova”, frisou, acrescentando que os dois fazem dueto no tema “Lembranças”, em que cada um recorda os seus tempos de infância.

Os receios do Ivan
À reportagem do Jornal de Angola, Ivan Alekxei conta que o título do seu álbum revela um pouco o seu receio de um dia perder a humildade e o foco na carreira, pois percebe que o sucesso, muitas vezes, atrapalha e mexe com o artista. “Temos que ter noção de onde viemos”, alerta.
A música é um mundo cercado de fama e de glamour. Além disso, segundo Ivan Alekxei, é um mundo onde os egos falam mais alto, porque as pessoas precisam muito da fama para viver. “É normal que isso aconteça, mas para mim não é o caminho ideal”, sublinha Ivan Alekxei, para quem é mais gratificante as pessoas admirarem o seu trabalho, do que propriamente conhecerem o seu rosto.
Ivan Alekxei, músico, compositor, intérprete e produtor de música popular e romântica. Combina vários estilos musicais abrindo fronteiras e mostrando ao mundo a forma singular de cantar. Possuidor de um talento inato, abraça em si o poder das palavras pronunciadas e acalenta o coração.

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