Cultura

Ministério considera irreparável morte de Burity

O Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente (MCTA) considerou, nesta quarta-feira, a morte de Carlos Burity como uma perca irreparável para a cultura angolana.

Carlos Fernandes Burity Gaspar iniciou-se na música em 1968. Gravou, em 1974, sucessos como "Ixi Iami" e "Recado"
Fotografia: DR

O músico morreu esta manhã, em Luanda, aos 68 anos de idade, vítima de doença prolongada, deixando um vasto repertório que integra, entre outras canções, "Carolina", "Onjala Yeya" e "Monami". Em mensagem de condolências,o MCTA avança que diante deste triste acontecimento, a cultura angolana fica mais pobre, com a perda de mais um grande compositor e interprete. 

Por seu turno, o Gabinete Provincial da Cultura da Huíla, também em mensagem de condolências, avança que, com a morte de mais um ícone, a cultura angolana fica cada vez mais pobre. “Calou-se para sempre, mais não se calou a voz e o empolgante timbre do artista. Os seus trechos musicais já mais serão esquecidos”, escreve.

(Por dentro)

Carlos Fernandes Burity Gaspar iniciou-se na música em 1968. Gravou, em 1974, sucessos como "Ixi Iami" e "Recado". Natural de Luanda, onde nasceu em 1952, integrou, em 1968, a formação pop–rock Cinco mais um, com Catarino Bárber e José Agostinho, o último do Duo "Missosso", com Filipe Mukenga.

Em 1974, grava, com o Grupo Semba, uma selecção de músicos angolanos que ficou na história da Música Popular Angolana, o primeiro single, que inclui os temas "Ixi Iami" e "Recado". Neste mesmo ano, dividiu o palco com David Zé e Artur Nunes, num grande espectáculo realizado na Cidadela Desportiva de Luanda, promovido pelo empresário Palma Fernandes e Ambrósio de Lemos Pereira Gama (ALPEGA).

O single "Inveja" e "Memória de Nelito" surge no mercado em 1975, enquanto o disco "Especulador", um tema de pendor satírico que marca a entrada de Carlos Burity no universo da música de intervenção, e a canção "Desaparecimento de Moreno", gravada com o agrupamento os Kiezos, surgem em 1976.

Em 1983, junta-se ao Canto Livre de Angola, projecto do cantor brasileiro Martinho da Vila e do empresário Fernando Faro, que levou ao Brasil nomes como Filipe Mukenga, André Mingas, Dina Santos, Pedrito, Elias dia Kimuezo, Rebita do Mestre Geraldo, Mamukueno e Joy Artur, acompanhados pelos Semba Tropical.

No mesmo ano, participa, integrado no mesmo projecto, na gravação do LP "Semba Tropical in London", interpretando, com assinalável sucesso, os temas "Mon’ami" e "Tona kaxi". O álbum "Carolina" surge em 1991, com os temas "Uabite Boba", "Maria Alukaze" , "Narciso" (de Mamukueno), "Carolina", "Monami", "Adeus" (Filipe Zau) e Kilundo (Filipe Mukenga).

Em 1994 surge com Angolaritmo, que aparece sob a forma de CD em 1994, pela editora VIDISCO, com o título "Ilha de Luanda". Carlos Burity tem ainda publicados os álbuns "Wanga", "Ginginda", "Massemba", "Zuela o Kidi", "Paxi Iami" e “Malalanza”.

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