Cultura

Ministério da Cultura prioriza resgate dos museus

Adriano de Melo

A transformação dos museus em plataformas do futuro da tradição é a meta preconizada pelo Ministério da Cultura para os próximos anos, disse, ontem, em Luanda, o director do Instituto Nacional dos Museus, para quem ainda existe muito a ser feito, de forma a tornar estes espaços em locais mais atractivos.

Acto central da efeméride no país realiza-se amanhã no Museu Nacional de História Natural
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

Para Ziva Domingos, é preciso que os museus comecem a cumprir, de forma mais activa, o seu papel de repositório da cultura nacional e sirvam de base para as próximas gerações terem um conhecimento mais amplo da sua tradição e dos princípios das suas comunidades, principalmente nesta época de constante aculturação. 

Um dos aspectos essenciais a ter em conta em datas como a de amanhã, em que se celebra o Dia Mundial dos Museus, é, explicou, aproximar mais a população dos museus e tentar entender as mudanças, do ponto de vista antropológico, que o modernismo tem causado na actual sociedade. “Os museus devem ser as pontes entre o passado e a população, por isso as mudanças de hoje são um legado às próximas gerações”, defendeu.
O modernismo, criticou, tende a abafar, cada vez mais, os princípios que regem as sociedades africanas, mais assentes nas tradições. “É papel dos museus servirem de guardiões da cultura, capazes de evitar a aculturação das comunidades”, explicou, acrescentando que para isso deve-se apostar mais na inovação, do ponto de vista material e tecnológico, para os seus acervos serem atractivos.
O Dia Internacional dos Museus este ano vai incidir sobre os novos papéis dos museus como actores activos em suas comunidades. Porém, antes é preciso ter em conta que o papel dos museus na sociedade está a mudar e enquanto no passado eram consideradas instituições estáticas, hoje estão se reinventando para serem mais interactivos, flexíveis, adaptáveis e móveis, concentrando-se no público e orientando suas comunidades.
Os museus de hoje devem ser vistos como centros culturais que funcionam como plataformas onde a criatividade é combinada com o conhecimento e onde os visitantes podem co-criar, compartilhar e interagir.
O objectivo da data é aumentar o conhecimento do público sobre o facto de que os museus são um importante meio para o intercâmbio cultural, o enriquecimento de culturas, bem como para o desenvolvimento da compreensão mútua, cooperação e paz entre os povos.

Celebração

Actualmente relegados ao esquecimento, os museus passaram de lugares de memória para espaços esquecidos. Em parte devido à falta de políticas mais atraentes, capazes de levar o público a visitar com frequência estas instituições. Com o seu dia a celebrar-se amanhã, o Ministério da Cultura criou um programa de actividades, com vista à sua maior valorização.
O programa de actividades abre hoje, às 10h00, no Museu de Antropologia, em Luanda, com uma sessão de contos educativos, contados aos estudantes, a partir do ponto de vista antropológico. Uma hora depois, no mesmo local, é feita a abertura oficial da galeria dos conservadores, com uma exposição.
Ainda hoje, pelas 10h00, no Museu Regional de Cabinda vai haver uma visita guiada à mostra “Mintadi e Floresta do Maiombe”. No mesmo dia é realizada uma palestra, na Lunda Norte, sobre “A trajectória do Museu Regional do Dundo", a ter lugar na escola do I e II Ciclo “Delegado Eusébio Nelson”.
Para amanhã, estão marcadas várias actividades, com realce para um debate na Rádio Nacional de Angola (RNA) sobre “Museus plataformas culturais: o futuro da tradição”, mostra fotográfica no Museu do Dundo, debate sobre o sector no Museu da Escravatura (às 9h00) e um concerto, às 18h30, no Museu Regional da Huíla, com o intuito de tornar estes espaços em centros vivos de cultura.
O acto central da data acontece às 9h00, no Museu Nacional de História Natural, em Luanda, onde é realizada uma palestra e uma feira de artesanato.

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