Cultura

Ministra elogia eleições na União dos Escritores

A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, considerou, sábado último, em Luanda, a tomada de posse da nova direcção da União dos Escritores Angolanos (UEA) um exemplo de democracia, que deve ser seguido pelo movimento associativista cultural emergente no país.

Carolina Cerqueira quer colaboração mais activa com as associações culturais nacionais
Fotografia: Kindala Manue l| Edições Novembro

Para Carolina Cerqueira, que discursou na cerimónia de tomada de posse da nova direcção da UEA, o facto de o processo de eleição ter sido exemplar, de grande urbanidade e maturidade cívica, deve servir de referência para as demais associações, por ser também uma forma de reforçar a identidade cultural.
A UEA, adiantou, continua a ter um papel importante na promoção das artes e da literatura, em particular, assim como na promoção da cultura como parte essencial dos pilares que sustentam a construção de um Estado democrático e de direito.
Em virtude de o país estar a viver uma fase crucial de transição política e social, continuou, o Executivo reafirma a importância da parceria, da colaboração e do apoio de todos os agentes e promotores das artes e da cultura.
“O Ministério da Cultura está disponível para prosseguir a auscultação e o diálogo inter-geracional com os seus parceiros, para, em conjunto com estes, colher contributos para uma melhor dinamização e diversificação das políticas e das actividades culturais, contribu-
indo também para o desenvolvimento das indústrias culturais e criativas e para o bem comum”, explicou.
A titular da pasta da Cultura desejou ainda que a UEA se torne, cada vez mais, num espaço de construção da diversidade cultural, coesão identitária, pluralismo e de identidade nacional. “Juntos devemos criar condições para que o apoio à criação literária e a difusão da cultura seja contínuo, transparente e objectivo, capaz de abrir horizontes e progresso na dinamização e diversificação das actividades culturais”, destacou.
A possibilidade de dar-se mais oportunidades de emprego aos criadores nacionais, assim como aos técnicos e outros profissionais especializados nas indústrias culturais e artísticas também está entre as prioridades do ministério.
Além destas metas, o ministério, informou Carolina Cerqueira, pretende incentivar mais o crescimento das indústrias criativas e culturais. Para o efeito, reforçou, conta com a UEA como parceiro privilegiado na discussão e aprovação das bases de uma política do livro e da leitura, cuja elaboração está em curso e cujos resultados vão permitir a disseminação do uso do livro, a promoção da produção literária, ampliação da rede de bibliotecas e de livrarias, assim como encontrar um preço acessível para o mercado, capaz de incentivar a valorização da leitura, sobretudo, nas zonas suburbanas e rurais.
“É uma forma do livro chegar ao contacto de todos e impulsionar o desenvolvimento humano, tendo em conta, principalmente, as comunidades mais desfavorecidas e vulneráveis, com destaque aos mais jovens”, disse.
No final, a ministra pediu aos escritores para impulsionarem e ajudarem a enriquecer o vasto movimento de moralização da sociedade, através do resgate dos princípios familiares e cívicos. Carolina Cerqueira incentivou ainda os escritores a continuarem a apostar mais na divulgação da literatura além-fronteiras.

Circulação

A nova direcção da UEA informou, no sábado, que pretende massificar a divulgação de livros nacionais em África, assim como criar políticas para facilitar a mobilidade dos escritores pelo continente.
A intenção foi expressa pelo presidente da mesa de assembleia-geral da UEA, Luís Kandjimbo, para quem ainda é importante edificar um sistema de protecção e gestão colectiva dos direitos de autor e conexos. “A UEA pretende tornar-se num parceiro válido na criação de políticas públicas voltadas à política da cultura, do livro e da leitura”, disse.
A União dos Escritores Angolanos foi proclamada em 10 de Dezembro de 1975 e tem como objectivos, entre outros, promover a defesa da cultura angolana como património da Nação, bem como fortalecer a literatura.

Fim do ciclo

A antiga direcção da UEA elogiou, através do anterior presidente da Mesa da Assembleia, Roderick Nehone, os novos dirigentes e desejou-lhes boa sorte, assim como pediu para não serem feitas críticas desnecessárias a estes.
“É tempo de respeitarmos as livres escolhas de cada um, sejam elas políticas, apolíticas, partidárias ou ocupacionais”, disse, no acto de empossamento do novo corpo directivo, Roderick Nehone, para quem é importante existir, doravante, e para a construção de um país melhor, uma maior união entre os membros da UEA e respeito pelos outros.
Para o escritor, o passado deve ser posto de lado, porque a construção do futuro é o mais importante no momento. “Dediquemos então o tempo que nos sobra, a forjarmos a coexistência dinâmica e sã, na diversidade que justifica a existência, desta União dos Escritores Angolanos”, rematou.

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