Ministra enaltece feitos de Moisés Kafala

Manuel Albano e Pedro Bica | Caxito
3 de Setembro, 2016

Fotografia: Eduardo Eucílio | Caxito

A ministra Carolina Cerqueira destacou, ontem em Luanda, numa mensagem fúnebre, o contributo do músico Moisés Kafala na valorização, divulgação e afirmação da cultura angolana, em particular na música.

Para Carolina Cerqueira, o músico que até à data da sua morte, ocorrida quinta-feira na Namíbia, vítima de doença, exercia a função de director provincial da Cultura no Bengo, foi um destacado homem de cultura que pautou a sua vida artística a defender e a valorizar a identidade cultural angolana, com a criação de canções que marcaram o quotidiano dos angolanos.
“Com um rico repertório musical, Moisés Kafala deixa um legado para as novas gerações, sendo um exemplo a seguir para a juventude que vê no mundo das artes o caminho para dar o seu contributo para o desenvolvimento e afirmação do país no contexto das Nações”, lê-se na nota.
Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, a adida de imprensa da Embaixada de Angola na Namíbia, Chana de Aragão, informou que estão a ser envidados todos os esforços no sentido de a transladação do corpo ser feita amanhã à tarde. “A Embaixada de Angola na Namíbia e membros da família do músico estão a trabalhar nos aspectos burocráticos no sentido de o corpo de Moisés Kafala ser transladado para o país no domingo à tarde.”
Zé Kafala, irmão do malogrado, disse, ontem, que estão a ser criadas as condições para que o funeral seja realizado na terra natal de Moisés Kafala, província do Bengo, onde nasceu no dia 7 de Setembro de 1950, no município de Bula Atumba.
Recorda-se que o infausto acontecimento ocorreu numa unidade hospitalar de Windhoek, capital da Namíbia, onde se encontrava em tratamento médico por causa de problemas ligados às cordas vocais.

Bengo lamenta


Em declarações ontem, ao Jornal de Angola, em Caxito, os músicos da província do Bengo lamentaram a morte de Moisés Kafala, considerando uma perda irreparável, por ter sido um conselheiro, amigo e dirigente exemplar, que sempre pautou por uma conduta correcta durante o exercício das suas funções.
Para o músico Tuizana Andrade Paulo, a morte de Moisés Kafala “deixa todos órfãos, pois sempre foi um guia por estar sempre a par das inquietações da classe artística local.”
Explica que o país perdeu um dos seus melhores compositores e promotores da cultura angolana: “Ele nos juntava à mesma mesa para debatermos assuntos da classe. Apelava sempre à união dos músicos no sentido de uma maior afirmação da música e intérpretes locais.”
O músico Escórcio Bombo considerou Moisés Kafala um artista inteligente e preocupado em ajudar o próximo. “Ele foi um pai que deu um grande contributo na divulgação da música popular angolana.”
Para Dom Manix, o malogrado foi alguém de trato fácil e com capacidade de interagir com músicos de várias gerações, por essa razão, conseguia cantar e encantar todas as gerações.
O Governo Provincial do Bengo, numa nota de condolências dirigida à família, refere  que a música angolana e a província “ficam mas pobres, pois além de ocupar cargo de direcção e chefia sempre apoiou acções e actividades culturais, de que a província do Bengo se orgulha.”
O Departamento de Informação e Propaganda (DIP) do Comité Central do MPLA informa numa mensagem de condolências, que, com o desaparecimento físico do camarada Moisés Kafala, o MPLA “perde um militante exemplar, bastante culto e a cultura, um fiel e exímio intérprete da trova nacional.”
A produtora  Nova Energia, detentora do projecto cultural “Show do Mês”, na sua mensagem, refere que: “Moisés Kafala vai ficar vivamente marcado na história da cultura angolana, por tudo o que ofereceu no capítulo musical, particularmente.”
Josué de Campos, conhecido nas lides artísticas como Moisés Kafala, começa a escrever o seu nome na música angolana com a participação, em 1969, num concurso musical realizado na Escola Primária nº 147.

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