Cultura

Ministra pede rigor aos quadros

A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, exortou ontem, em Luanda, os quadros do sector a agirem com rigor, disciplina e sentido de responsabilidade na execução das tarefas do programa de governação para o período 2017/2022.

Ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, ladeada pelos dois secretários de Estado, pediu disciplina e responsabilidade
Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

A orientação foi deixada na cerimónia de tomada de posse dos novos directores-gerais do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos, Josina de Carvalho, e do Instituto Nacional do Património Cultural, Cecília Gourgel, e do Instituto Nacional para Formação Artística, Paulo Kussy.
Os novos responsáveis são antigos quadros do Ministério da Cultura e substituem Ruth Mixinge, que é agora a secretária de Estado para Acção Social, Maria da Piedade de Jesus, que ocupa o cargo de secretária de Estado da Cultura, e António Feliciano “Kidá”, que pediu reforma. Juelson Rangel tomou posse como consultor da ministra da Cultura.
Carolina Cerqueira pediu aos recém-empossados uma postura mais inteligente e activa no que toca à gestão das áreas ligadas à formação artística, conservação e preservação do património nacional, bem como para a sua internacionalização.
Ao dirigir-se  aos directores, a ministra da Cultura defendeu a necessidade de haver um diálogo permanente com as igrejas reconhecidas pelo Estado angolano, de forma a estabelecer parceiras para reduzir os problemas sociais das comunidades.
A titular da pasta da Cultura recordou que os desafios da actual conjuntura nacional requerem muita criatividade e espírito de missão e unidade de acção, dos promotores da cultura e dos funcionários do sector. “A valorização da cultura nacional e fortalecimento dos alicerces do Estado democrático e de direito requerem espírito de sacrifício”, disse a ministra.

Importância da Cultura

O sector da Cultura tem grande importância para o Executivo. Recentemente, o Presidente da República afirmou que a área exige “atenção cuidada, pois, no âmbito da desejada diversificação económica, nem só os campos se cultivam, mas também as mentes” No seu discurso sobre o Estado da Nação, o Chefe de Estado afirmou que a grande diversidade do mosaico cultural angolano implica a sua valorização permanente, pelo que ela representa para o reforço do sentimento patriótico, da coesão social e da consciência de uma identidade nacional.
“A internacionalização da nossa cultura, decorrente da globalização, é um desafio que temos para os próximos anos, sobretudo em domínios como a música, a dança, o livro, o teatro, o cinema, a moda e a culinária, que poderão agregar valor à difusão no mundo da cultura nacional”, disse o Presidente da República, sublinhando que a “municipalização dos serviços culturais continuará a ocupar um lugar de destaque, para assim alargarmos a formação artística e o conhecimento das raízes culturais angolanas. É preciso apostar na construção de centros culturais em todos os municípios, utilizando também recursos locais”.
João Lourenço disse, igualmente, que os sectores da cultura e da educação devem andar de mãos dadas no quadro do reforço do sentimento nacional desde tenra idade. Neste quadro, uma das tarefas a não esquecer tem a ver com o reforço do papel das línguas nacionais no sistema de ensino. O Executivo promete também continuar a promover o Prémio Nacional de Cultura e Artes, como a maior exaltação do génio criador dos angolanos.
O Presidente da República lembrou ainda a classificação do Centro Histórico de Mbanza Kongo como Património da Humanidade e afirmou que se trata de um feito que orgulha a todos os angolanos e que encoraja o Executivo a apresentar junto da UNESCO o Cuíto Cuanavale, o Corredor do Kwanza e as pinturas rupestres de Tchitundo Hulo como candidatos a património mundial também.
“Esta será mais uma forma de honrar a história do povo angolano e os seus heróis, pelo seu simbolismo e pela exaltação das belezas naturais do nosso país e do seu vasto património cultural e imaterial”, disse o Chefe de Estado.
João Lourenço falou também do papel das igrejas como parceiras do Estado, sobretudo quando cumprem o seu papel espiritual e social. “Devemos estudar as medidas necessárias para impedir que certas denominações e seitas religiosas confundam fé com negócio e actividade espiritual e social com actividade empresarial”, disse.
Já no seu discurso de investidura, o Presidente da República prometeu, durante o seu mandato, realizar uma ampla divulgação dos museus, monumentos e sítios que integram o património histórico, cultural, arquitectónico e natural de Angola, para seu usufruto por parte da população e para o fomento do turismo. “O Reino do Congo foi dos mais importantes reinos de África, de onde, embora forçados, saíram africanos para todo o mundo, levando consigo a sua cultura, traduzida em religiões, música, dança e rituais de origem bantu, deste modo espalhando pelo mundo a nossa identidade”, disse o Presidente da República.

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