Ministra preocupada com a situação dos artistas

Venâncio Víctor | Malanje
3 de Junho, 2016

Fotografia: Domingos Cadência

O Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, está consciente das dificuldades que afligem a classe artística nacional, disse, ontem, em Malanje, a ministra da Cultura.

Carolina Cerqueira falava durante um encontro de auscultação à classe artística e responsáveis de igrejas reconhecidas e adiantou que o Governo vai continuar a trabalhar para a valorização da actividade artística nacional. Malanje, acrescentou, é um dos maiores centros culturais do país, pela riqueza cultural e etnolinguística.
A província, continuou, é uma referência histórica dos angolanos, que precisa de uma maior valorização da sua cultura, assim como uma aposta forte no talento dos seus criadores. Este género de encontros, disse, vai ser realizado em todas províncias, de forma a conhecer as principais dificuldades dos seus artistas. “É uma orientação do Chefe do Executivo, que está preocupado com os problemas da classe”, disse.
A ministra destacou que, apesar da crise financeira, está em carteira a construção   de uma nova escola de artes. O programa pedagógico da instituição  está a ser preparado. A escola ajuda a suprir as dificuldades, no domínio da formação, dos artistas locais. As aulas são ministradas por professores angolanos, cubanos e espanhóis. A construção, em breve, de centros culturais nacionais também constam do programa de actividades do Executivo. “A ideia é dar aos artistas mais espaços para mostrarem o seu potencial nas artes”, disse.

A população

A ministra da Cultura apelou ainda a todas as instituições religiosas para continuarem a desenvolver, em colaboração, com o Governo local, o trabalho de educação da população. Carolina Cerqueira chamou a atenção para a importância da tradição, da preservação dos traços culturais, da história e do colectivismo, e acrescentou que  a sociedade está a ser afectada por uma aculturação que  nada tem a ver com a realidade histórica nacional.
Aos fazedores de cultura, Carolina Cerqueira pediu para serem também educadores de uma cultura de paz. “A paz significa a existência de uma cultura de diálogo e tolerância. São princípios que a igreja deve ajudar a desenvolver e preservar”, justificou a ministra da Cultura. O Governo Provincial de Malanje, explicou, não vai trabalhar com  as igrejas não reconhecidas porque estão fora da lei.“Queremos que as  igrejas, enquanto parceiras do Governo, trabalhem mais no resgate dos princípios morais, na  preservação da solidariedade e do espírito de inter-ajuda.”

Línguas maternas

A ministra Carolina Cerqueira pediu também uma maior valorização das línguas, quer a portuguesa quer as  nacionais.
A língua portuguesa além de ser um veiculo de comunicação que nos caracteriza vem reforçar igualmente a unidade nacional, ao mesmo tempo que constitui um factor de desenvolvimento e intercâmbio, disse Carolina Cerqueira, que acrescentou que as línguas africanas de Angola estão em expansão e desenvolvimento.
Actualmente, disse, estão a ser feitos estudos sobre a matéria, que inclui a recolha de fontes orais, assim como as normas de emprego e o seu uso correcto.
“Um dos passos dados neste sentido foi dado pelo arcebispo de Malanje, Dom Benedito Roberto, que recolheu alguns elementos e os publicou em livro”, disse a ministra.
Carolina Cerqueira destacou  a importância do sector da Educação na preservação da paz e na valorização da dimensão humana. O Ministério da Cultura, anunciou, está a preparar  a realização do seu Conselho Consultivo Alargado para o próximo mês de Julho, em Malanje.

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