Cultura

Miragens exibe peça no Brasil

O grupo Miragens Teatro exibe hoje e amanhã, em representação de Angola, o espectáculo “Rostos de Loanda a Luanda”, na cidade do São Paulo (Brasil), no Festival “Yesu Luso - Teatro em Língua Portuguesa”, que junta até domingo cinco países lusófonos, incluindo Moçambique, Cabo Verde, Portugal e o próprio anfitrião.

Actores nacionais do colectivo de artes Miragens voltam a subir aos palcos brasileiros no Festival “Yesu Luso - Teatro em Língua Portuguesa
Fotografia: DR

Neste festival em que participa pela primeira vez, o representante angolano apresenta um espectáculo, distinguida com o Prémio de Teatro Cidade de Luanda, edição 2003, segundo o actor do grupo, Wime Bráulio, em declarações à Angop, na segunda-feira à noite momentos antes do embarque.
Wime Bráulio disse que o Miragens Teatro vai aproveitar a ocasião para trocar experiências com as congéneres participantes no festival e inteirar-se  sobre as técnicas utilizadas pelos grupos dos demais países. “Decidimos apresentar a peça ‘Rostos de Loanda a Luanda’ por reflectir o percurso histórico e evolutivo da cidade de Luanda, parte do quotidiano angolano e o comportamento de determinados citadinos”, disse o actor, agradecendo a “Didascalhas Entreteiniments”.
“Rostos de Loanda a Luanda” retrata a vida de João Muleta, um deficiente que quando embriagado vê figuras importantes que marcaram a história de Loanda (antiga denominação da capital de Angola).
Nas suas “visões” aparecem pessoas memoráveis como Agostinho Neto, Salvador Correia de Sá e Benevides, Dom Miguel de Melo e o fundador da Cidade Paulo Dias de Novais, o grupo Ngola Ritmos, os músicos Urbano de Castro, Minguito, Luís Visconde, entre outros.
A peça é uma homenagem a figuras e factos que marcaram diferentes momentos da história da capital do país, e permitiu ao Miragens vencer, o Prémio de Teatro Cidade de Luanda, nas categorias de “Melhor Texto”, “Melhor Encenação” e “Melhor Actor” (Kim Fasano).
Criado a 7 de Junho de 1995, o Colectivo Miragens Teatro dedica-se ao teatro de intervenção social, com algum valor técnico, estético e crítico, pressupostos que lhe permitiram conquistar igualmente uma das edições do Festival Nacional de Teatro (Festeatro).
A plateia brasileira vai ter acesso a figuras que norteiam a cultura e o imaginário angolano em “Rostos de Loanda, Luanda”, do colectivo Miragens de Teatro. Também vai acompanhar as questões do feminismo na realidade moçambicana em “Qual é a Sentença? A Mulher que Matou a Diferença”, com interpretação forte de Assucena Daniel e Castigo dos Santos. Temas densos, como o abuso sexual de menores, são apresentados pelos cabo-verdianos do grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo em “Teorema do Silêncio”, com texto de Caplan Neves e direcção de João Branco. O cansaço generalizado e o extermínio da intimidade no mundo de hoje são os debates de um actor de teatro e de uma actriz porno em “I Can´t Breathe”, em que Elmano Sancho surge como autor, director e ainda interpreta, ao lado de Cheila Lima.
O Festival de Teatro Yesu Luso, que tem seu nome derivado de um dialeto moçambicano (em que o termo “yesu” significa nosso), surgiu de um projecto-piloto chamado Festival de Teatro Lusófono, que foi apresentado por Arieta Corrêa e Pedro Santos no Sesc Bom Retiro, em 2015. Essa “primeira edição” tinha um formato parecido, com peças e seminários de artistas dos mesmos cinco países da mostra repaginada.
Segundo o site da organização, o festival tem como curadora a actriz Arieta Corrêa e o produtor Pedro Santos, e prevê seis peças de teatro, uma oficina e três debates com artistas e pensadores dos cinco países, que procurarão também reforçar os laços culturais.

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