Cultura

Mito Gaspar e Tchiema mostram diversidade no Live no Kubico

Analtino Santos

A última edição do show Live no Kubico, transmitido ao vivo no Domingo, na TPA 1 e Internacional e nas redes sociais, a partir do Resort Bantu, mexeu e prendeu não apenas telespectadores e internautas anónimos, mas também o Presidente da República, João Lourenço, que não se conteve com as propostas rítmicas de Gabriel Tchiema e Mito Gaspar.

Dupla apresentou-se na transmissão ao vivo sempre acompanhada dos seus violões
Fotografia: DR

Os dois artistas mostraram a diversidade cultural trazendo sonoridades do Império Lunda-Cokwe e dos Reinos do Ndongo e da Matamba. A viagem de puro hibridismo e eclectismo musical com dois artistas que muito bem combinam os ritmos tradicionais às sonoridades de outras paragens voltou a colocar a tarde do último Domingo como um dos momentos de pico da audiência televisiva.

Foi Gabriel Tchiema quem deu as boas-vindas com dose dupla em “Makume” e “Amor Divino”. De seguida Mito Gaspar entrou de rompante com o sucesso “Man Polé”. Com este arranque demonstraram que levavam a sério a mensagem do poema “Havemos de Voltar”, um dos mais emblemáticos de Agostinho Neto, transformado em “Hadia Tu Vutuka”, tema que não tinha como ficar de fora.

Mito Gaspar depois do desfilou sucessos como “Kassexi”, “Eme”,“Kikuka Kia Mona”, “Palanhe Ngo”,“Mana Minga” e fez o dueto com a filha Djanira Mercedes em “Mahezu”. Gabriel Tchiema para brindar os telespectadores dos álbuns “Nhena Nhi Nhami”, “Dona”, “Azulula” e “Mungole” fez passear sucessos como “Mulekeleke”, “Ndako Pi”, “Chique-Chique”, “Mbimba”, “Makoke”, “Itela” e “Azulula”, que mereceu bis a pedido dos telespectadores fechando a emissão. Com o reportório e a linha rítmica proposta pela dupla, longe dos mais mediáticos e defendidos como sendo de unidade nacional.

Teddy Nsingui, mestre na guitarra, deu um show à parte no suporte instrumental de Mito Gaspar onde encontramos alguns colegas da Banda Movimento como Mias Galheta (baixo), Chico Madne e Nini, ambos nos teclados, que foram reforçados por Roberto (tambores), Bevin (bateria) e a corista Sandra Samantha, integrantes da Banda de Gabriel Tchiema. Diego (baixo), Melo (guitarra eléctrica e solo) e Kevin (teclados) foram os músicos que completaram a Banda de Gabriel Tchiema, que à semelhança de Mito Gaspar também tocou violão.

Demonstrando cumplicidade em palco, os dois deixaram no ar que não só do semba vivem os angolanos, levando ritmos como madurme, diembe, dibuanga, chianda, makoto, makoke e outros do nordeste angolano, que também merecem um estudo e apreciação melhor. Depois do apelo para festejar em “Celebração” e a reflexão em “O que Será” coube a Gabriel Tchiema anunciar a próxima dupla da Live no Kubico que vem do centro-sul, Justino Handanga e Sabino Henda, artistas que transportam a linha proverbial Ovimbundu.

Mito Gaspar e Gabriel Tchiema sucederam ao trio de artistas “3 G do semba”: Bonga, Paulo Flores e Yuri da Cunha, que na semana anterior exibiram-se a partir de Lisboa. Patrícia Faria e Euclides da Lomba, Puto Português e Edmazia Mayembe, Walter Ananás e Heavy C, Calabeto e Filho do Zua, Dom Caetano e Telma Lee já passaram pelo Live no Kubiko. Num outro formado de lives solidários de Matias Damásio e Yola Semedo estiveram em destaque.

João Lourenço está atento

Importa salientar que esta iniciativa de lives solidárias iniciativa da parceria entre a TPA, TV Zimbo e o portal Platina Line, mentor do projecto, chamou a atenção do Presidente da República, João Lourenço, que depois de contribuir usou a sua conta no twitter para elogiar e felicitar os mentores do projecto.

João Lourenço escreveu que “estes programas fazem boa companhia às famílias angolanas, ajudam a manter as pessoas em casa e desta forma reduzir o risco de exposição à Covid-19 nas ruas e locais públicos”. Com este gesto, o Presidente da República mostra que não está indiferente a esta onda de solidariedade na recolha de apoios para os mais necessitados.

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