Cultura

"Moda Angola" enceta debate sobre indústria têxtil

Matadi Makola

Os grandes empecilhos da evolução da indústria têxtil em Angola são o principal foco de debate da 7ª edição do Moda Angola, cuja gala de eleição do vencedor acontece no dia 10 de Novembro, em Luanda.

Iniciativa procura dar mais espaço aos jovens talentos
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

A primeira edição do debate está prevista para a última semana do próximo mês. “Queremos mostrar as marcas nacionais dentro da indústria têxtil, que pode muito bem ser debatido dentro de uma plataforma maior que é a diversificação da economia”, disse Daniel Pires, um membro da organização. 

Este ano, disse, o tema central do Moda Angola é a importância da indústria têxtil para a revitalização da economia, um assunto a ser debatido de forma moderada e aberta, com intuito de recolher subsídios capazes de influenciar o Governo e especialmente os empresários nacionais.
A juventude, continuou, está ávida por empregos e a revitalização da indústria têxtil seria uma boa forma segura de gerar mais postos de trabalho. “Não temos um mercado para indústria têxtil, por isso não conseguimos falar de moda. Angola já produzia algodão. Hoje este vem do Japão. Até os panos africanos, originais, são feitos no estrangeiro. É altura de inverter a situação.”
Apesar de almejarem pelo sucesso, a organização do Moda Angola também vive dificuldades, a maioria devido a actual crise económica, razão pela qual muitos empresários se negam a apoiar iniciativas do género. “Realizar um projecto dessa dimensão, onde participam 15 agências de moda, sem apoios é algo quase impossível. Apenas contamos com os parceiros, mas precisamos de mais. Por isso, esperamos ajuda das instituições públicas”, pediu.

Castings
Os modelos candidatos a participar na 7ª edição do Moda Angola já estão a ser seleccionados, a nível da capital. O último apuramento aconteceu no passado dia 17, no Benfica, e contou com 200 concorrentes.
Daniel Pires, membro da organização, ligado a agência Tussole Models, informou que o casting é voltado, especialmente, para os modelos emergentes dispostos a mostrar talento e nunca tiveram uma oportunidade. O mesmo, destacou, se aplica aos estilistas talentosos, em particular os jovens, que têm despontados nos bairros onde vivem, a fazer pequenos serviços, mas de qualidade e sem grande atenção mediática ou apoio institucional.
“O Moda Angola não é um mercado para famosos. Avaliamos o interesse do mercado, mas dando oportunidades a todos, em especial os iniciantes. O casting serve também para os orientar sobre como devem estar em palco”, aclarou.

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