Molotov "toma as rédeas" com novo CD


19 de Junho, 2014

Fotografia: DR

Após quase sete anos sem trabalhos novos, o grupo mexicano Molotov regressa com “Água maldita”, um disco “muitíssimo mais rock” e que marca um ponto de inflexão do grupo, que depois de um conflito com o anterior agente, optou por “tomar as rédeas” da sua carreira musical.

"Tira-se a pressão, alivia-se o núcleo da banda e, com isso, abre-se a criatividade, abre-se a boa onda, abre-se o diálogo. Estamos todos a apontar para o mesmo lado, que é algo que não se passava antes”, explica Randy Ebright, bateria e voz do grupo, sobre a decisão de dar um passo em frente.
Os últimos anos foram complexos para Molotov, com disputas com o seu agente, que tiveram de despedir, e que deixaram os seguidores do popular grupo mexicano sem canções novas desde “Eternamiente” (2007).
Agora, os Molotov recuperam com “Água maldita” a sua potente e estimulante mistura de rock e rap, de engenhosas letras sempre muito comprometidas, e fazem-no já libertos de problemas com a indústria.
“Isso é o mais belo de ser-se meio independente pode-se fazer o que dá na vinheta. Tomam-se decisões com base na criatividade, não nos números”, diz Ebright, ao garantir que os Molotov estão “melhores que nunca” e que também tem um projecto pessoal chamado Royal Bloodline, que prepara novo álbum.
A criatividade dos Molotov é exposta agora em dez canções (embora tenham chegado a ter mais de 40 compostas) e que foram produzidas por Jason Perry para um álbum que conta com Run DMC e Money Mark, como colaboradores. “‘Água maldita’ é muitíssimo mais rock. É muito mais cru, está gravado ao vivo. Não há maior produção quanto a edição e coisas rebuscadas”, diz Randy Ebright a­cerca do som do novo álbum.
Há temas com tom divertido e irónico, como “Lacunas metais”, no qual jogam com os nomes de grupos famosos com duplos sentidos, embora o que predomina no álbum sejam as canções com uma contundente carga política e crítica sempre com um pé na rua. “O que a mim me convence é falar do que me compete viver. Mas, se alguém vive num mero mundo cor-de-rosa e o quer relatar com música, perfeito”, argumenta Ebright sobre a mensagem das suas canções.
“Compreendo melhor alguém que assalta por fome do que um ‘cobratudo’ que assalta o contribuinte”, assegura.
A violência, a miséria, a desigualdade, a corrupção e a discriminação aparecem em temas como “A necessidade” ou “A raça pura é a pura raça”, que exemplificam o olhar dos Molotov após quase duas décadas de carreira. “Vemos o mesmo mundo com outros olhos, mas continuamos a ser nós mesmos. A perspectiva nunca abandona o que éramos”, afirma o cantor sobre a evolução da banda.
Com o novo disco debaixo do braço, os Molotov dão um concerto a 4 de Julho na cidade do México, o início de uma digressão que os vai levar à Europa e América durante os próximos meses.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA