Cultura

Morreu o músico angolano Waldemar Bastos

Mário Cohen |*

O músico Waldemar Bastos morreu na madrugada de hoje em Lisboa, vítima de cancro, aos 66 anos, confirmou uma fonte do gabinete de comunicação do Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente de Angola.

Em 2018, Waldemar Bastos foi distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes.
Fotografia: DR

Nascido na cidade de M’banza Kongo, província do Zaire, o cantor, galardoado com o prémio de New Artist of the Year nos World Music Awards em 1999, estava em tratamentos oncológicos há um ano, refere a tutela angolana.

Em 2018, o músico foi distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, a mais importante distinção do Estado angolano nesta área.

Apresentando-se com uma sonoridade que o próprio definia como “afro-luso-atlântica”, Waldemar Bastos foi também o único não fadista a cantar na cerimónia de transladação, no Panteão Nacional, em Lisboa, do corpo de Amália Rodrigues, de quem era amigo.

Diante deste triste acontecimento, que nos choca a todos como angolanos, o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, em nota de condolências, reconhece que a cultura angolana não só fica mais pobre, como perde uma das suas mais importantes vozes da word music.

“Igualmente, nesta hora de luto e de dor, o Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente curva-se perante a emblemática figura de Waldemar Bastos e apresenta à família enlutada as mais sentidas condolências”, lê-se na nota.

O Departamento ministerial refere, ainda, que foi com profunda dor e consternação que tomou conhecimento da morte do cantor e compositor Waldemar Bastos, numa das unidades de saúde em Lisboa (Portugal), vítima de cancro.

Waldemar dos Santos Alonso de Almeida Bastos, conhecido simplesmente como “Waldemar Bastos”, nasceu em M’banza Kongo, a 4 de Janeiro de 1954.
Com 28 anos, foi para Portugal, onde se instalou e deu sequência ao seu trabalho artístico. De lá conseguiu entrar em outros mercados europeus.

Waldemar Bastos considerava a sua música um reflexo da própria vida e das suas experiências, tendo manifestado várias vezes a sua preocupação com a temática da identidade nacional. A sua obra era universalmente conhecida por se traduzir num apelo genuíno à fraternidade universal.

Ao longo de 40 anos de carreira, Waldemar Bastos foi distinguido com vários prémios nacionais e internacionais. O disco “Preta Luz”, lançado em 1998, foi considerado pelo jornal norte-americano New York Times como um dos melhores da década de 1990 e foi referenciado por Tom Moon como um dos discos que temos de ouvir antes de morrer.

O malogrado tem no mercado discográfico, entre outros, os álbuns “Estamos Juntos” (EMI Records Ltd), “Angola Minha Namorada” (EMI Portugal), “Pitanga Madura” (EMI Portugal), “Pretaluz” [blacklight] (Luaka Bop), “Renascence” (World Connection), “Love Is Blindness” (2008), e “Classics of my soul” (2012).

Reacções

Na sua página do facebook, o músico Paulo flores escreveu o seguinte: “Gratidão pelo exemplo, pela musicalidade, pela espiritualidade e pelas palavras que fizeram a nossa vida. Os meus sentimentos mais profundos à família. Descansa em paz, obrigado para sempre”.

Em nota de condolência, a Comissão Organizadora dos Angola Music Awards (AMA) considera Waldemar Basto a Grande Voz Angolana que a Cultura acaba de perder. “Foi com profunda dor e consternação que a Comissão Organizadora dos Angola Music Awards (AMA) tomou conhecimento do passamento físico da Grande Voz Waldemar Bastos, ocorrido esta madrugada (ontem) em Lisboa, vítima de cancro, aos 66 anos. Em nome da Comissão Organizadora dos AMA, endereçamos os mais profundos sentimentos de pesar à família enlutada”.

O presidente de direcção da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC), Zeca Moreno, disse que a classe artística angolana fica mais pobre com a perda de um importante ícone da nossa cultura, acrescentando que a UNAC lamenta profundamente da morte de Waldemar Bastos. Diante desta triste ocorrência que abalou a classe artística, referiu, em nome dos artistas angolanos filiados na UNAC, de que Waldemar Bastos é um dos membros fundadores, endereça à família enlutada as mais profundas condolências.

Para Sabino Henda, a notícia da morte do autor de “Velha Chica” abalou a classe artística nacional e não só, por considerar uma perda irreparável, que deixa um grande vazio à cultura nacional, principalmente à música nacional e internacional.

“Waldemar Basto não foi só um músico de Angola, mas também foi um cantor do mundo”, disse Sabino Henda, acrescentando que o músico foi uma escola que não teve tempo para passar o seu testemunho à nova geração que muito poderia aprender com ele. “Nesta hora de dor, acredito que a classe artística está sem palavras para descrever a dimensão cultural de Waldemar Bastos, cantor de referência internacional”.

Para Sabino Henda, calou-se a voz de Waldemar Bastos, mas a sua obra ficará sempre presente. “Vamos continuar a ouvir as suas músicas que transmitem importantes mensagens para os amantes da música”.

Apesar de não ter convivido com o malogrado, o músico Jivago disse, ao Jornal de Angola, que Waldemar Bastos foi um baluarte da música nacional, com uma característica própria de cantar. “Com o seu estilo, ganhou muita simpatia pelo mundo, principalmente em países em que residiu e realizou vários concertos.

Em Portugal, onde vivia há já alguns anos, Waldemar Bastos distinguiu-se pela participação em diversos espectáculos e pela defesa intransigente da música de Angola, onde se revelou como um dos mais exímios representantes.

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