Morreu a escritora Nadine Gordimer


16 de Julho, 2014

Fotografia: DR

A escritora sul-africana e Prémio Nobel de Literatura, Nadine Gordimer, grande lutadora contra o apartheid no seu país, morreu aos 90 anos, informou a família.

A sul-africana de origem judaica morreu enquanto dormia na sua casa em Joanesburgo domingo à noite, acompanhada pelos dois filhos, anunciou em comunicado a família.
Em 1991, então com 67 anos, Gordimer ganhou o Prémio Nobel de Literatura, a primeira mulher a vencê-lo em 25 anos.
Nascida em Springs, uma cidade de vocação mineira próxima de Joanesburgo, a escritora reflectiu nos seus livros os conflitos interétnicos e do apartheid, razão pela qual o governo racista sul-africano proibiu três das suas obras.
“Algumas pessoas dizem que me deram o prémio não pelo que escrevi, mas por minha política. Mas eu sou uma escritora. Essa é a minha razão para continuar a viver”, declarou a sul-africana depois de receber o Nobel. A sua defesa da maioria negra fez com que Gordimer fosse uma das primeiras pessoas com as quais Nelson Mandela quis encontrar-se depois de se tornar, em 1994, o primeiro presidente negro da história da África do Sul. Nos anos 80, publicou algumas das suas obras mais importantes: “A Soldier's Embrace” (1980), “O pessoal de July” (1981), “Something Out There” (1984), “A Sport of Nature” (1987), e “A história do meu filho” (1990).
Uma das principais vozes contra o regime do apartheid, Nadine publicou o primeiro livro em 1949, um ano depois do Partido Nacional chegar ao poder e oficializar a segregação racial na África do Sul. De forma quase inevitável, a sua escrita foi influenciada pelos acontecimentos do país e a injustiça e opressão do apartheid tornaram-se temas recorrentes na sua obra. Apesar de alguns dos seus livros terem sido censurados pelo governo racista, mesmo nos momentos mais sombrios do regime, que durou de 1948 a 1994, a escritora recusou-se a deixar a África do Sul.
O empenho político da escritora não deve, contudo, ofuscar a qualidade da sua prosa simples e subtil, despida de sentimentalismo. Ao receber o Nobel, em 1991, Nadine deixou claro que a literatura ainda era a sua principal vocação.

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