Morreu o decano dos cineastas


3 de Abril, 2015

Fotografia: AFP

Manoel de Oliveira, o mais velho realizador do mundo, morreu ontem aos 106 anos vítima de paragem cardíaca. 

Aclamado pela crítica mundial, Manoel de Oliveira deixou mais de 40 filmes, entre curtas e longas-metragens. São da sua autoria filmes tão importantes como “Aniki-Bobó” (1948), “Benilde ou a Virgem Mãe” (1974), “Non, ou Vã Glória de Mandar” (1990), “Vale Abraão” (1993), “O Estranho Caso de Angélica” (2010) ou o “Gebo e a Sombra” (2012), entre muitos outros filmes de grande mestria.
Manoel de Oliveira nasceu na freguesia de Cedofeita na cidade do Porto, no seio de uma família da alta burguesia nortenha.
Ainda jovem foi para a Galiza, onde frequentou um colégio de jesuítas. Dedicou-se ao atletismo, tendo sido campeão nacional de salto à vara e atleta do Sport Club do Porto. Ainda antes dos filmes veio o automobilismo e a vida boémia. Eram habituais as tertúlias no Café Diana, na Póvoa de Varzim, com José Régio, Agustina Bessa Luís, Luís Amaro de Oliveira e outros. Quando Manoel de Oliveira se estreou no cinema, em “Douro - Fauna Fluvial”, em 1931, muito antes da II Guerra Mundial (1939-1945), os filmes eram mudos e a preto e branco.
Distinguido no ano passado com a Legião de Honra de França, em Serralves, o cineasta disse, na altura, que os seus discursos estão como os novos filmes: “Mais pequenos”. Porém, tinha vários projectos na manga, como um filme sobre as mulheres e as vindimas e a adaptação de “A Ronda da Noite”, de Agustina Bessa Luís.
Na altura falou ainda de outro projecto, “A Igreja do Diabo”, conto de Machado de Assis que pretendia rodar com os brasileiros Lima Duarte e Fernanda Montenegro.
A curta-metragem “O Velho do Restelo”, o seu filme mais recente, teve estreia mundial no Festival de Veneza.

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