Morreu o escritor Eduardo Galeano


17 de Abril, 2015

Fotografia: Reuteres |

O escritor uruguaio Eduardo Galeano morreu, aos 74 anos, em Montevideu, informou a editora do autor de “Vagamundo”.
Eduardo Galeano estava internado num hospital da capital uruguaia, por causa de um cancro nos pulmões.

“Las venas abiertas de América Latina” (“As veias abertas da América Latina”), que publicou em 1971, e “Memoria del fuego”, de 1986, trilogia da História das diferentes Américas, destacam-se da sua obra, que se estende por mais de quatro décadas e que se encontra traduzida em mais de 20 idiomas.
Galeano nasceu a 3 de Setembro de 1940, numa família católica de classe média, na capital uruguaia. Na infância quis ser jogador de futebol, facto que expõe em alguns dos seus textos, como “O futebol de sol à sombra”, mas antes de se transformar num intelectual da esquerda latino-americana, foi operário, desenhador, mensageiro e empregado bancário. Iniciou a carreira jornalística na década de 1960, como editor do semanário “Marcha”, onde também trabalharam os escritores Mário Vargas Llosa e Mário Benedetti. Também foi jornalista no diário “Época”.
Em 1973, o golpe militar do Uruguai levou Galeano à prisão e ao exílio na Argentina, onde fundou a revista “Crisis”, que dirigiu até à instituição, no país, da ditadura do general Jorge Videla, em 1976. Galeano era um dos resistentes mais procurados pelos esquadrões da morte. Exilou-se em Espanha, onde iniciou a trilogia “Memória do Fogo”. Regressou ao Uruguai, após a queda da ditadura, na década de 1980.
Escreveu “As veias abertas da América Latina” quando tinha 31 anos. A obra, proibida pelas ditaduras da Argentina, Chile e Uruguai, depressa se transformou numa das mais citadas sobre a evolução política do continente.
Mais tarde, o autor reconheceu que, naquela época, ainda não tinha maturidade suficiente para completar a tarefa: “Tentei fazer uma obra de economia política, mas não tinha a formação necessária. Não me arrependo de ter escrito o livro, mas é uma etapa que, para mim, está superada”.
Em 2009, durante a Cimeira das Américas, o antigo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, deu um exemplar desta obra ao presidente norte-americano, Ba­rack Obama. Nessa ocasião, “As veias abertas da América Latina” passaram da posição 60.­280 da lista dos livros mais vendidos na Amazon, para a décima, num só dia.
O escritor, interrogado sobre este episódio, respondeu: “Nem Obama nem Chávez vão poder entender o texto. Chávez pode ter dado a obra com a melhor das intenções, mas ofereceu-a num idioma que Obama não conhece. Pode ter sido um gesto generoso, mas foi um pouco cruel”.
Em 2011, Galeano esteve presente nas “acampadas” da Praça do Sol, em Madrid, e de Barcelona, que se opunham às políticas de austeridade. Na altura, destacou a “energia de dignidade” e “o entusiasmo” das manifestações.

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