Morreu o escritor João Ubaldo Ribeiro


19 de Julho, 2014

O escritor João Ubaldo Ribeiro morreu aos 73 anos na madrugada de ontem, na sua casa do Rio de Janeiro, vítima de embolia pulmonar. Era membro da Academia Brasileira de Letras, onde o corpo é velado, na cidade do Rio de Janeiro.

João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro nasceu em Itaparica, na Baía, a 23 de Janeiro de 1941, e era casado com Berenice de Carvalho Batella Ribeiro, com quem tinha dois filhos. Do casamento anterior com Mónica Maria Roters teve duas filhas.
Formado em Direito pela Universidade Federal da Baía por influência da família, nunca exerceu advocacia. Também tinha uma pós-graduação em Administração Pública e um mestrado em Administração Pública e Ciência Política pela Universidade da Califórnia do Sul. Foi professor universitário, repórter, editor e colunista de vários jornais, entre outras actividades. Escrevia também uma coluna para o “Frankfurter Rundschau”, da Alemanha, e era colaborador de diversos jornais e revistas no Brasil e no estrangeiro.
Em Portugal trabalhou no jornal “Pasquim”, dirigido pelo jornalista angolano Luciano Rocha, hoje do Jornal de Angola.
João Ubaldo inspirou-se em Monteiro Lobato ainda criança e ao longo da vida escreveu vários livros, entre os quais os famosos “Sargento Getúlio”, “Viva o Povo Brasileiro”, “A Casa dos Budas Ditosos” e “O Sorriso do Lagarto”.
Na sua biografia, a ABL destaca que “Sargento Getúlio”, publicado em 1971, consagrou João Ubaldo e a sua obra como um marco do moderno romance brasileiro, reconhecido pela crítica como uma vertente literária que sintetiza o melhor de Graciliano Ramos e de Guimarães Rosa. Ubaldo escreveu romances, contos, ensaios, crónicas e literatura infantil. As suas obras foram traduzidas para 12 idiomas.
“Era um grande sucesso como pessoa, amigo e escritor. Ele, por si só, era um número, um espectáculo à parte e um grande contador de histórias. Estamos todos tristes”, declarou o escritor e jornalista Zuenir Ventura.
Entre os prémios e distinções recebidos pelo escritor destacam-se dois Jabutis, da Câmara Brasileira do Livro, em 1972 e 1984, para o Melhor Autor e Melhor Romance do Ano, pelo romances “Sargento Getúlio” e “Viva o Povo Brasileiro”. Foi ainda distinguido com o Prémio Anna Seghers, em 1996 (Mogúncia, Alemanha), Prémio Die Blaue Brillenschlange (Zurique, Suíça), Prémio Lifetime Achievement Award, em 2006, e Prémio Camões, em 2008.
O escritor foi responsável pela adaptação cinematográfica do romance de Jorge Amado “Tieta do Agreste”, com a actriz brasileira Sónia Braga no papel principal. Era um dos maiores repórteres da sua geração.

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