Cultura

Morreu o kudurista Nacobeta

Roque Silva |

O cantor Nacobeta, um dos nomes mais sonantes da segunda geração de kuduristas, morreu ontem, em Luanda, vítima de doença, soube o Jornal de Angola de fontes próximas à família do malogrado.

Nacobeta ladeado do DJ Deff contribuiu para a expansão e evolução da dança e do género musical kuduro no país
Fotografia: Edições Novembro

Nacobeta perdeu a vida, ontem de manhã, no Hospital Josina Machel (Maria Pia), onde se havia deslocado para fazer revisão e exames de rotina após uma cirurgia nas cordas vocais, pois sentia inúmeras dificuldades para respirar.
Nacobeta, nome artístico de Edson Guedes Fernandes, segundo relatos, foi ao hospital Josina Machel acompanhado pelos familiares, mas acabou por falecer por motivos ainda desconhecidos pela comunicação social. 
As únicas informações que se podem avançar dão conta de que o cantor e dançarino teve alta na semana passada, depois de um internamento na sequência de três intervenções cirúrgicas, duas em 2016 e a terceira feita este ano.
O colega, Dj Mila Sopa, confirmou o infortúnio e afirmou que, embora estivesse sobre cuidados médicos, “estivemos juntos, no domingo, numa festa que decorreu na Vila Alice, em companhia do cantor Zoca Zoca.”
Dj Mila Sopa  é amigo de  longa data da família do malogrado e informou que Nacobeta havia recebido alta porque recuperava satisfatoriamente, segundo os médicos. “Custa-me acreditar como morreu de súbito”, disse o animador de festas, que várias vezes conviveu e trabalhou com Nacobeta.
Conhecido como “Rei do Ndomboló”, Nacobeta passou por um episódio, ocorrido em 2016, quando informações, que se propagaram pelas redes sociais diziam que havia falecido, que foram desmentidas mais tarde pelo irmão.
Naquela altura, a família já estava preocupada com o seu estado de saúde e os amigos fizeram um apelo de solidariedade para angariarem valores monetários para prosseguir o tratamento no exterior do país, mas o artista não chegou  a seguir viagem. O cantor começou a sua carreira em 2000, como animador de festas de quintais, com suporte de música electrónica.
Gravou algumas músicas com o cantor e compositor Puto Português e fizeram um duo, que os levou para a fama e o reconhecimento chegando a conquistar alguns prémios. Foram autores da famosa canção “Uakimono”, a primeira do estilo kuduro que concorreu no Top Rádio Luanda.
 
Condolências do ministério

Numa nota de condolências, o Ministério da Cultura lamentou, ontem, a morte do co-autor das músicas “Lava a mão”, “Chupa lá”, “Bababá” e “Mata cobra”, tendo considerado que o artista deixa uma marca no mercado musical, fruto de uma carreira de mais de 10 anos. Na mensagem, a titular da Cultura, Carolina Cerqueira, manifesta a sua dor pelo falecimento do kudurista Edson Guedes Fernandes ”Nacobeta”, vítima de doença. A nota de condolências realça, também, as qualidades de Nacobeta, considerando que o kudurista faz parte de uma lista de artistas da nova geração, principalmente da nova tendência: “kuduro, que contribuiu significativamente para o crescimento e expansão registada neste segmento musical angolano.” O Ministério da Cultura, refere o documento assinado por Carolina Cerqueira, endereça à família enlutada “os mais sentidos sentimentos de pesar do colectivo de trabalhadores do seu pelouro.”
Kuduro é um género musical e de dança criado no final do Século XX, em Angola. A dança tem influência de outros géneros, tais como sungura, rap e outras, algumas delas da República Democrática do Congo. Recentemente, tornou-se um fenómeno musical em todos os países de língua portuguesa, assim como em outras partes do mundo. O estilo expandiu-se fortemente em adolescentes e jovens, e, com o passar do tempo, começou a ter simpatia dos adultos e até de pessoas da terceira idade. A música evoluiu para um estilo “house africano”, em que se misturam elementos electrónicos com tradicionais, produzido nas grandes cidades, e no exterior.
A música é peculiar no uso de “breaks” e “funk” muito utilizados na década de 1980, para criar melodias,  utilizando "loops" e letras explícitas, que acabam por ser um reflexo de boa parte da população quer rural, quer urbana.
O nome da dança refere-se a um movimento peculiar em que os dançarinos parecem ter a “bunda dura”, simulando uma forma agressiva e agitada de dançar como os golpes de Van Damme, de acordo com o cantor e dançarino Tony Amado, o criador do kuduro,  conhecido como “Rei do Kuduro”.
 As letras caracterizam-se pela sua simplicidade e humor, escritas em português e com algum vocabulário de línguas nacionais, como as músicas “Ua kimono” e “Da Dombolo”, de Dj SL.

Tempo

Multimédia