Mulheres do cinema ampliam participação


12 de Julho, 2016

Fotografia: DR

A cidade do Recife, no Brasil, acolheu a primeira edição do Festival  Internacional de Cinema de Realizadoras (Fincar), que encerrou domingo, e serviu para discutir o papel e protagonismo das mulheres realizadoras, guionistas, produtoras e editoras, entre outras profissionais da sétima arte.

O festival, que durou três dias,  permitiu que as profissionais reflectissem sobre  os caminhos para ampliar a sua participação no audiovisual e permitiu mostrar o potencial artístico da mulher, tanto à frente das câmaras, como atrás.
Da lista dos filmes exibidos, destacam-se “The arcadian girl” (Canadá), de Gabrielle Provost, que retrata uma garota que vende algodão doce, “The internacional” (Argentina), de Tatiana Mazú, que mostra a irmã da cineasta na sua militância política e no relacionamento com a família, enquanto “Outside” (Brasil), de Letícia Bina, dá voz a uma ex-presidiária.
Ainda do Brasil, passou “Kbela”, de Yasmin Thayná, cuja narrativa repleta de simbolismos conta o processo de libertação do cabelo crespo. “Kbela”, lançado em Setembro de  2015, segundo a realizadora revela uma experiência sobre ser mulher e tornar-se negra.
“ O filme é uma sequência de metáforas presentes no quotidiano de boa parte das mulheres negras do mundo”, disse Yasmin Thayná.
  A única longa-metragem, “Retratos de identificação”, também brasileiro, de Anita Leandro, tem como protagonista Maria Auxiliadora Lara Barcelos, a Dora, que luta contra a ditadura,  torturada e exilada em vários países, até cometer suicídio na Alemanha. A história é mostrada com narrativas de sobreviventes, a partir dos arquivos do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), além de entrevistas históricas da própria militante.
Em declarações à imprensa, Maria Cardozo, directora artística e curadora do Fincar, referiu que o carácter foi de reflexão da representatividade, formação de público e estímulo ao surgimento de novas realizadoras.
“Acreditamos também que, exibindo os filmes, possamos trazer referências para estudantes de cinema que começam a lutar pelo seu protagonismo na realização cinematográfica”, disse Maria Cardozo.
De acordo com dados estatísticos da Agência Nacional de Cinema (Ancine), apresentados na abertura do festival, menos de 20 por cento dos filmes lançados nos últimos 20 anos foram feitos por mulheres.  Divulgados em Março, os dados referem que 41 por cento das obras brasileiras tiveram produção executiva exclusivamente feminina.
Nas funções de guionista e de realização a participação feminina, com base nos dados, é de 23 e 19 por cento respectivamente.
Segundo a directora do festival, é possível encontrar uma semelhança entre o papel reservado à mulher na sociedade e o reflexo disso no mercado audiovisual.
“No entendimento de uma sociedade machista, a mulher vem para organizar e cuidar do grupo. É como se a relação de produção, que é uma gestora de equipa, tivesse relação com uma gestora de família, como um papel que cabe à mulher, e não como autora e protagonista”.

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