Mulheres lembradas em Milão


2 de Agosto, 2015

Fotografia: Paulino Damião

A Mulher, uma referência da museografia do pavilhão de Angola na EXPO Milão 2015, a decorrer sob o lema “Alimentar o Planeta, energia para a vida”, foi alvo de diversos actos de exaltação, com destaque para conferências e espectáculos musicais e de moda, entre outras manifestações culturais.

De realçar as três conferências realizadas, nomeadamente “A mulher no mundo rural”, proferida por Ditutala Simão Lucas, comissário-geral-adjunto e director do Pavilhão de Angola na EXPO Milão. “A mulher e o desporto”, proferida por Águeda Gomes, presidente da Federação Internacional da Actividade Física Adaptada”, “A responsabilidade da mulher Africana para assegurar a auto-sustentabilidade de África”, pela jurista Lurdes Caposso, membro do Fórum da Mulher Africana para a Auto-sustentabilidade de África.
O elemento comum dos três painéis foi a capacitação da mulher no quadro do desenvolvimento social e económico em geral, visto ser o género mais numeroso da população mundial, para além dela constituir o cerne da família, da alimentação e nutrição das crianças e gerações vindouras”. De resto, é uma questão de justiça social e para agenda dos governos a favor da igualdade dos géneros na sociedade, educação, trabalho e economia, em todo o planeta.
Em relação à condição da mulher rural em Angola, o médico veterinário e produtor agrícola, Ditutala Simão Lucas, destacou que dos 51 por cento de mulheres angolanas vive no meio rural. “As mulheres rurais representam a maior força de trabalho na actividade agrícola porque participam em maioria na cadeia produtiva alimentar, isto é no processo da produção, colheita, conservação, transformação e comercialização dos alimentos”, sublinhou. “E a isto deve ser acrescido o papel fulcral da mulher na gestão dos lares”, realçou.
Por seu turno, a jurista Lurdes Caposso defendeu que, a nível nacional e global, “o planeamento familiar é dos investimentos mais rentáveis que se pode fazer numa sociedade”. Como disse, “disponibilizar o uso de contraceptivos no mundo em desenvolvimento pode reduzir a despesa dos governos com saúde em mais de 15 mil milhões de dólares anualmente”.
Ou seja, disse, cada dólar gasto em planeamento familiar poderá trazer a cada governo uma poupança até 6 dólares em saúde, habitação, água e outros serviços públicos. Aquela representante do Fórum africano das Mulheres para o Desenvolvimento Auto-sustentável de África também disse ser “preciso fazer mais e falar menos”, exemplificando que “a redução da mortalidade materna e a conquista do acesso à saúde reprodutiva são capitais para a auto-sustentabilidade”.
A investigação em torno da auto-sustentabilidade afere que 200 milhões de mulheres nos países em desenvolvimento precisam de contraceptivos. Uma pesquisa atribuída à ONU atesta que se formos ao encontro das necessidades de planeamento familiar, o crescimento da população mundial diminuirá, presentemente com mais de sete mil milhões de habitantes, e a emissão global de carbono na atmosfera reduzir-se-á entre oito a 15 por cento, o que equivale a acabar com toda a desflorestação que se verifica actualmente.
As celebrações do dia da Mulher Africana, no pavilhão de Angola na EXPO Milão, não perderam o relevo quando inovadoramente desfilaram 14 vestidos de noiva tradicionais da cultura etnográfica Angolana, criados pela estilista Mia Mendes.
Nadir Tati, outra estilista convidada,vestiu uma dezena de modelos das suas diversas colecções. Os modelos foram escolhidos para assinalar os 40 anos da Independência Nacional, um mote associado à sua própria criatividade revolucionária no contexto da moda.
Por seu lado, consagração e futuro poderá ser o epíteto para juntar ao elenco de manifestações alusivas ao Dia da Mulher Africana, as actuações musicais de Tasha Rodrigues e de KiakyKiadaff, cantores angolanos que se estão a notabilizar e que subiram ao “Palco Angola”, área artística do pavilhão.
O espaço de Angola atrai diariamente milhares de visitantes, porém, os restaurantes da gastronomia nacional tradicional e gourmet, assim como a galeria de arte contemporânea e o Palco Angola atraem sempre um público quase extasiado com a descoberta de sabores, tons e cores da cultura Angola em toda a transversalidade. É frequente a fusão com o público, de comensais a espectadores, rendidos à qualidade da culinária, pintura, música e danças de Angola.

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