Cultura

Multidão interpretou sucessos de Nacobeta

Roque Silva

O kudurista Nacobeta, falecido segunda-feira por doença, numa unidade hospitalar em Luanda, foi ontem a enterrar no cemitério de Santa Ana, num de clima de tristeza, emoção e consternação.

Multidão de admiradores e familiares do músico estiveram presentes no último adeus
Fotografia: José Soares | Edições Novembro

Familiares, amigos, colegas e fãs mostraram-se desolados enquanto eram interpretadas os temas que tornaram o cantor e bailarino numa referência no estilo musical kuduro.
O corpo do cantor e bailarino desceu à sepultura diante de uma multidão, proveniente de varias partes de Luanda, que se dignou a cantar em uníssono músicas como “Uakimono”, “Mamã Kudy”, “Chupa lá” e “Desculpa mamã”, seguidas de aplausos.
Este tipo de reconhecimento pela contribuição do artista na música angolana, que é já uma manifestação cultural cada vez mais tradicional se juntou ao som da Fanfarra do Grupo Kabuscorp do Palanca.
Figuras como Puto Português, Cristo e Noite de Dia mostraram-se inconsoláveis. Além destes um número insignificante de artistas e agentes culturais, sobretudo do estilo kuduro, acompanharam Nacobeta até a última morada. Da lista de presentes importa realçar os nomes de Dom Caetano, Maya Cool, Zoca Zoca, Puto Lilas, Príncipe Ouro Negro, Piploy Pipas (O Trio) e Papá Swegue.
O artista foi recordado como um dos símbolos de referência do estilo musical kuduro pelos Ministérios da Cultura, representado pelo secretário de Estado Cornélio Caley, da Juventude e Desportos, pelo titular da pasta Albino da Conceição, do Governo Provincial de Luanda, da Administração do Distrito Urbano do Rangel e artistas.
Os elogios fúnebres consideram o cantor que em vida foi registado com o nome Edson Guedes Fernandes como jovem exemplar.
Kanguimbo Ananás lembrou a figura de Nacobeta como uma figura que transcende o simples kudurista, porquanto os seus feitos vão além da música.
A escritora, que falou em representação dos artistas nacionais, referiu o cantor como incentivador, descoberta, promoção e difusão de novos talentos e da música angolana, através dos vários projectos que integrou com antigos colegas de dança. São os casos de “Terça Festa”, que descobria novos cantores, e “Quintas da Banda”, que reconhecia feitos de artistas através de homenagens, disse a declamadora que foi aplaudida efusivamente. “Ele é sim uma figura emblemática, pois a sua música fica gravada para a eternidade e representa uma geração de cantores. O “rei do Ndomboló” foi um artista de gema que manifestava os seus sentimentos através da música e dança”.
Segundo o administrador distrital do Rangel, Nacobeta continua a ser recordado, pois deu muitas alegrias pelos apreciadores da música angolana.
Para Francisco Manuel Domingos, o “rei do Ndomboló” foi um jovem muito prestativo e enérgico e lembrou que 23 de Agosto foi o último dia que com ele privou, isso “horas antes de terminar o pleito eleitoral quando levou consigo dois amigos para cumprir com o seu dever de cidadania”. 
Os amigos e familiares consideram Nacobeta um exemplo de bondade e humildade, um símbolo de vivacidade, com vontade de vencer, de boas relações humanas, trato fácil e defensor das suas convicções, sensível, apreciador de música romântica e de telenovelas. 
O enterro, muito concorrido por jovens, foi antecedido de uma missa de corpo presente celebrada pelo Frei Juliano Kapitango, no Velório Público, adjacente ao cemitério de Santa Ana.
Filho de Carlos Alberto Fernandes e de Belita António, Nacobeta nasceu no dia 2 de Janeiro de 1984, em Luanda, no Rangel. Conhecido como o “rei do Ndomboló”, pela forma estonteante como se movimentava ao praticar este estilo de dança oriundo da República Democrática do Congo, começou e desenvolveu as suas capacidades nos ambientes festivos em discotecas improvisadas pelo irmão, Bula Manuel.

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