Cultura

Museu de Antropologia cria “site” de pesquisas

Manuel Albano

O Museu Nacional de Antropologia vai contar, em Junho, com um novo website, para ser usado como instrumento de comunicação e marketing, no âmbito de um acordo de reestruturação e melhoria dos serviços prestados pela instituição museológica, assinado ontem, em Luanda.

Protocolo prevê a capacitação de quadros nos domínios da conservação de objectos
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

O memorando de cooperação, já existente desde 2018, foi formalizado, ontem, com a assinatura dos representantes do Museu Nacional de Antropologia, da Alliance Française e do Goethe-Institut Angola, num financiamento do Fundo Cultural Franco Alemão.
O acordo inclui a implementação das “fichas pedagógicas” para as visitas guiadas, que vai permitir oferecer serviços de melhor qualidade da diversidade cultural do acervo do Museu de Antropologia junto da comunidade científica nacional e internacional.
O protocolo prevê, ainda, a capacitação de quadros nos domínios da conservação de objectos, mediação cultural com o público, em temática sobre a História Universal, conferências sobre museologia e antropologia, assim como na abordagem a estudantes universitários e ao público.
No final do acordo, o director nacional dos Museus, Ziva Domingos, em representação do Ministério da Cultura, disse que o acordo vai permitir maior preservação e divulgação do património cultura nacional.
A implementação das “fichas pedagógicas” já era parte de uma iniciativa da instituição para a melhoria da gestão do acervo e incentivo à investigação. Esse tipo de programa, garantiu, vai permitir transmitir informações mais consolidadas sobre antropologia e museologia.
O director da Alliance Française de Luanda, Paul Barascut, disse acreditar que o projecto vai dar mais visibilidade e valorização às colecções do museu e permitir, através da interacção activa, um aumento no número de visitantes. “O projecto inclui ferramentas para guiar, de forma interactiva, educativa e lúdica o público, em especial os jovens e estudantes”, disse.
Para tal, continuou, várias acções formativas foram realizadas, com acompanhamento de técnicos franceses e alemães. “Desta forma, os técnicos angolanos vão poder estar melhor documentados e capacitados a dar respostas positivas aos desafios das novas tecnologias de informação, oferecendo serviços de qualidade ao público”, esclareceu, adiantando que, “assim, as pessoas podem visitar a diversidade cultural do acervo do museu à distância e ter acesso a todo o processo de pesquisa e de dinamização da agenda da instituição”.
Com este passo, o responsável prevê, também, um aumento do número de visitantes devido à melhoria dos serviços prestados, que vai permitir aproveitar melhor o potencial do acervo na promoção do turismo cultural. “O museu tem sido um dos pontos de visita da comunidade francófona, quase como obrigatória pelo facto de concentrar, num único espaço, a mostra muito representativa das culturas angolanas”, garantiu.
Em Junho do ano passado, 33 livros especializados foram entregues à biblioteca do Museu Nacional de Antropologia pelo Goethe-Institut, da Alemanha, acto testemunhado pelo presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, e pelo presidente do Conselho Federal do país europeu, Daniel Günther.
Os volumes incluem literatura básica, como “Cultura Tradicional Bantu”, de Raul Ruiz de Asúa Altuna. Alguns títulos foram seleccionados juntamente por todas as instituições envolvidas na cooperação. A edição de literatura especializada à biblioteca deve continuar nos próximos anos.
A cooperação do Goethe-Institut com o Museu Nacional de Antropologia de Luanda e o Museu Etnológico de Berlim (SMB) é um projecto de longo prazo, que foi acordado em Dezembro de 2018, pela Direcção dos Museus Nacionais de Angola e a Fundação do Património Cultural Prussiano, num Memorando de Entendimento.

O historial
O Museu de Antropologia, fundado em 13 de Novembro de 1976, foi a primeira instituição museológica criada após a Independência de Angola, ocorrida um ano antes. Esta instituição de carácter científico, cultural e educativo está vocacionada para a recolha, investigação, conservação, valorização e divulgação do Património Cultural Angolano.
O museu é composto por 14 salas distribuídas por dois andares, com peças tradicionais, designadamente utensílios agrícolas, de caça e pesca, fundição do ferro, instrumentos musicais, jóias, peças de pano feitas de casca de árvore e fotografias dos povos Khoisan.

Tempo

Multimédia