Cultura

Museu Regional do Dundo reforça aposta na renovação

Armando Sapalo| Dundo

A criação de um acervo museológico interactivo, capaz de apresentar propostas inovadoras, em especial aos jovens estudantes, mas sem descurar o papel original da criação do espaço, tem sido das principais metas da direcção do Museu do Dundo.

Direcção da instituição pretende prestar maior atenção ao acervo museológico local em especial ao que está em risco
Fotografia: Benjamin Cândido | Edições Novembro | Dundo

O responsável do espaço, Ilunga André, disse, ontem, ao Jornal de Angola, que têm trabalhado muito para apresentar, regularmente, propostas de renovação aos visitantes, particularmente os estudantes, agentes culturais, investigadores e historiadores, de forma a reverter a imagem de os museus serem locais sem interesse.
“É uma meta para este ano e os vindouros, tendo em conta a dimensão social do Museu do Dundo, na preservação e divulgação dos costumes dos povos da região Leste do país”, disse, acrescentando que o futuro da instituição passa por uma grande mudança, para breve, a qual vai requerer a contratação e capacitação de quadros.
O Museu do Dundo, adiantou, deve continuar a ser apetrechado com equipamentos de ponta, para assegurar a conservação segura das peças museológicas. Os investimentos feitos até ao momento, explicou, permitiram a estruturação do museu, de acordo com os parâmetros internacionais, e adequá-lo ao actual cenário museológico, em especial nos aspectos técnicos.
O património cultural e histórico dos Lunda, garantiu, vai ser melhor valorizado, preservado e divulgado, com estas inovações, sobretudo do ponto de vista científico, com a conclusão das obras da segunda fase do projecto de renovação do Museu Regional do Dundo.
O director do museu explicou que as obras, da segunda fase de restauro do museu, iniciadas em 2014, ficaram interrompidas devido à crise financeira que o país enfrenta, mas tudo aponta para o reinício este ano.
O Ministério da Cultura, esclareceu, está a envidar esforços para que as obras possam ser concluídas este ano, tendo em conta que só assim o museu vai poder dar maior projecção às actividades, fundamentalmente as ligadas à promoção e divulgação do acervo Lunda.
Os trabalhos da segunda fase, contou, incluem a construção de um edifício moderno, que vai albergar as salas de depósito geral definitivo, para exposição permanente do acervo, gabinetes para o director, departamentos de museografia, animação cultural e investigação científica.
O projecto arquitectónico do novo edifício, ressaltou, é moderno, inclui um piso e vai contribuir significativamente na melhoria das condições de trabalho, reforçar os níveis de organização e estruturação dos quadros do museu.
No momento, confirmou, a instituição debate-se com o problema da falta de espaço e de aquisição de produtos químicos para a conservação das peças, sobretudo as colecções de história natural, que inspiram muitos cuidados.
“Temos dificuldades do ponto de vista de espaço e de aquisição de alguns produtos químicos para melhor conservação de certas peças. Há colecções de história natural que requerem um cuidado especial”, contou, além de tranquilizar que não obstante as insuficiências apontadas, o estado de conservação das peças é bom e os técnicos do museu têm sabido salvaguardar o património histórico dos Lundas.
O Museu do Dundo, acrescentou, é vocacionado à recolha, investigação, conservação e divulgação das colecções etnográficas, arqueológicas e de história natural da região Lunda, no entanto a falta de espaço tem dificultado os trabalhos de inventariação das peças. “Um dos maiores obstáculos é a inventariação das colecções de história natural, na qual estão catalogadas mais de 14 mil peças”, declarou.
Em parceria com o Museu Nacional de História Natural, disse, foi dado o início à inventariação das respectivas colecções com vista a actualização dos ficheiros e a criação de um banco de dados consolidado.
Em relação as colecções etnográficas, o Museu do Dundo tem nove mil peças, mas prevê, para breve, a recolha de novos artefactos, porque existem muitas pessoas ligadas à arte detentoras de várias colecções.
Ilunga André informou que nesse momento estão por inventariar as peças arqueológicas. “Há um grande interesse do Ministério da Cultura e das autoridades da Lunda-Norte em assegurar o pleno funcionamento do museu, para que volte a ser uma referência internacional”, disse.
As colecções etnográficas do Museu do Dundo constituem a principal componente do objecto social da instituição e são resultado da primeira campanha de recolha de peças, designada por expedição de Camaxilo, feita no longínquo ano de 1937, e de outra em 1939, no Alto Zambeze.

Direcção anuncia principais prioridades para este ano
A construção do depósito geral definitivo, no qual vão ser alocados todo o acervo do Museu do Dundo, é uma das prioridades deste órgão para este ano. Com outros projectos em carteira, a direcção do espaço tem também preparado campanhas de sensibilização para atrair os visitantes. Entre os principais planos para este ano constam, também, a montagem de uma sala de exposição temporária, designada por “sala de curta duração”.
Ilunga André adiantou que o projecto de recuperação das infra-estruturas integrantes ao complexo do Museu do Dundo reserva, para outras fases, de acordo com a disponibilidade financeira, a requalificação da Estação Arqueológica do Bala-bala, Laboratório de Investigação Biológica e a revitalização da Aldeia Museu.
O Laboratório de Biologia, enquanto área específica do Museu do Dundo, vocacionada ao estudo das diferentes espécies animais da região Leste, e a Aldeia Museu, habitada por artistas dos grupos culturais locais e artesãos e transformado em espaço promotor do turismo cultural, são essenciais neste processo, para Ilunga André.
O objectivo, conta, é dar, com a recuperação das infra-estruturas, uma nova dinâmica às actividades de conservação e manutenção dos diversos costumes tradicionais dos Lunda.

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