Cultura

Museu Regional reabre as portas com foco na prevenção da pandemia

Estanislau Costa | Lubango

O Museu Regional da Huíla, que atende também as províncias do Namibe, Cunene e Cuando Cubango, tem a partir de hoje as portas abertas ao público com um formato diferente dos anteriores, consubstanciado no número reduzido de visitantes face à prevenção da Covid-19.

Fotografia: DR

A directora da instituição, Angelina Sacalumbo, informou que as oito salas de exposição, com capacidade para 20 pessoas, “vão passar a receber metade, com propósito de observar com rigor as medidas preventivas, com realce ao distanciamento de pessoas, uso de máscaras, entre outros”.
Garantiu que, neste momento, já estão disponíveis máscaras, álcool em gel, sabão, luvas, assim como já foram definidas as posições em que devem permanecer todos os visitantes.

Angelina Sacalumbo explicou que o Museu, que funciona em infra-estruturas adaptadas, tem como foco principal os hábitos, usos e costumes dos povos do Sul de Angola, sendo que o acervo, composto por mais de 1.500 peças, ilustra o modo de vida dos antepassados dessa região.

“Propomos, para o reinício da actividade, temas específicos, como a pastorícia e a caça, instrumentos musicais, poder, crença e espiritualidade, vestuário e adornos, agricultura e pesca, Ehumbo - Aldeia Tradicional, Olaria e cabaças e cestaria”, disse.

Segundo a directora, quem se dirigir ao recinto histórico vai, igualmente, deleitar-se da rica colecção de moedas utilizadas em várias épocas, selos e postais que representam uma verdadeira relíquia.

História do museu

Machado da Cruz, professor do Liceu Diogo Cão, comovido com a riqueza sociocultural dos povos Nhyaneka-humbi, fundou, em 1956-1957, o Museu da Huíla, tendo para o efeito reunido boa parte da colecção etnográfica local e colonial portuguesa.

A designação inicial era Museu de Sá da Bandeira, tendo mais tarde transformado em regional e etnográfico por também albergar vestígios históricos das províncias do Namibe, Cunene e Cuando Cubango.

Entre os vários objectos culturais, estão expostos no museu a maqueta do Eumbo, que desperta a atenção de qualquer visitante, por mostrar a estrutura das aldeias e a área onde ficam as casas das dez ou 12 esposas do soba. Cada mulher tem a missão de cuidar dos filhos e respectiva riqueza, com realce para as cabeças de gado bovino.

O soba e a esposa principal, escolhida entre as várias, vivem na conhecida “casa grande”, com condições diferentes das restantes. Quando há problemas, todas se juntam no “Tchoto”, com a configuração da letra U, para se encontrar uma solução. Quem dita sempre a decisão é o homem.

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