Museu apoia o crescimento económico


14 de Setembro, 2013

Fotografia: AFP

O Governo da Holanda disse, num comunicado, que o novo Rijksmuseum, aberto em Abril depois de renovado, já tem um peso maior no PIB e atrai cada vez mais turistas a Amesterdão.

Num relatório divulgado ontem, a firma de consultoria Booz & Company salienta num relatório divulgado ontem que o Rijksmuseum deve ter até ao final do ano um impacto económico de 235 milhões de euros, 80 dos quais devido ao aumento significativo do número de visitantes.
O museu, que foi a casa de pintores como Rembrandt, Vermeer e Mondrian, recebia até ao encerramento para obras em média 923 mil visitantes por ano, 70 por cento deles estrangeiros, mas está previsto que este ano tenha 1,5 milhões e no próximo, 1,7 milhões.
A direcção do museu disse, em comunicado, acreditar que este valor deve estabilizar nos 1,5 milhões por ano no triénio 2015-2017, o que permite um orçamento equilibrado.
“Quando um país investe 375 milhões de euros na renovação do museu nacional, um dos mais importantes do mundo, não tenciona tirar apenas dividendos meramente culturais. O impacto que uma instituição como o Rijksmuseum tem na economia é um assunto sério que merece ser analisado ao pormenor”, sublinha o documento.
Os responsáveis do museu manifestam confiança no aumento do número de visitantes, pois entre a data da reabertura, 13 de Abril, até 23 de Agosto, um milhão de pessoas percorreram as magníficas galerias de exposição.
Uma tão grande afluência de público em pouco mais de cinco meses pode ser explicada pelo factor novidade, mas é também um reflexo do interesse que a instituição desperta.
O director do museu declarou não ter dúvidas: “É evidente que o investimento no novo Rijksmuseum teve consequências que ultrapassam as paredes do próprio edifício e demonstram que as belas-artes são o mais belo investimento”.
Wim Pijbes disse que fazer o balanço do impacto económico e social do Rijksmuseum implica mexer em múltiplas variantes, pois os visitantes do museu são também os da cidade e isso deixa os hoteleiros, donos de restaurantes, lojas e até a companhia aérea KLM muito satisfeitos.

Emprego e prestígio

Os museus levam à reflexão, estimulam a criatividade e o sentimento de pertença, mas devem ser vistos também, e cada vez mais, como importantes agentes de desenvolvimento, realça o comunicado da Booz & Company.
“Como empregadores e através de despesas, os museus têm um papel importante e quantificável na economia”, refere. Os consultores calculam que o total combinado das despesas do Rijksmuseum, quer nas actividades, quer na renovação, e a percentagem de gastos dos turistas relacionada com o museu, devem ascender a 5,7 mil milhões de euros entre 2003 e 2017, o que representa uma contribuição de três mil milhões de euros para o PIB no mesmo período, uma média anual de 200 milhões de euros.
O impacto económico mede-se também pelas possibilidades de trabalho geradas no museu e no turismo com que lhe está relacionado. Em média, durante os dez anos de renovação o Rijksmuseum criou o equivalente a 2.600 oportunidades de emprego a tempo inteiro, número que após a reabertura deve situar-se em 3.700.
“Mais difícil de avaliar, mas igualmente importante, é o seu impacto social”, disseram analistas.  “Além de ter elevado os padrões de qualidade das instituições culturais de Amesterdão, principalmente quanto à investigação científica, o museu aumentou a capacidade da cidade de atrair visitantes holandeses e estrangeiros por estar na rota dos que é obrigatório ver”,  aclararam.
“Uma pesquisa internacional sugere que os grandes museus como o Rijksmuseum são elementos cruciais no bem-estar económico e social de uma cidade, mas fazem muito mais do que isso”, afirmou Tony Travers, director de um centro de investigação ligado à London School of Economics, que referiu as cidades como Londres, Paris e Nova Iorque.
“Amesterdão, tal como outras grandes cidades europeias, precisa de ser flexível e de se reinventar se quer continuar a atrair negócios, turismo e talento criativo. O Rijksmuseum contribui de muitas maneiras para o futuro económico e cultural da cidade e do país”, defendeu Tony Travers.

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