Cultura

Museu de Antropologia garante a preservação dos bens culturais

Manuel Albano |

Tornar o Museu Nacional de Antropologia numa das maiores referências institucionais no país na preservação, protecção e restauro do acervo museológico é o grande objectivo, disse, ontem, em Luanda, o seu director Álvaro Jorge.

Uma das grandes atracções do museu é a sala das máscaras que apresenta os símbolos dos rituais dos povos bantu
Fotografia: Nuno Flash | Edições Novembro

Em declarações, ao Jornal de Angola, alusivas às comemorações dos 41 anos de existência assinalados ontem, Álvaro Jorge disse que a instituição que dirige tem apostado cada vez mais na parceria institucional pública e privada e fundamentalmente na formação dos seus técnicos. 
O museu, realçou, tem uma função de investigação, que permite realizar pesquisas ligadas ao homem, ambiente, instrumentos, comportamentos dos visitantes, programação de campanhas de recolha de objectos em função das pesquisas e ainda em função das necessidades do museu.
Quanto a actividades científicas, Álvaro Jorge explicou que são caracterizadas e resumidas no estudo do acervo das suas comunidades, na elaboração de catálogos e desdobráveis para a exposição, textos para o projecto “Peças do Mês” e representação gráfica das estatísticas sobre os visitantes.
O resultado das investigações realizadas no museu, disse, é publicado e encaminhado ao serviço da biblioteca.  Explicou que o museu tem 3.800 acervos bibliográficos nos domínios de antropologia, história, sociologia e museologia.
Para o museu, disse, uma das suas funções consiste em animar e dar “vida aos objectos expostos recriando o ambiente natural e social, de maneira que o público recupere a sua memória por meio do conhecimento sobre a utilidade e funcionalidade das peças.”
Com os serviços educativos, destacou o director, o museu tem organizado visitas guiadas às exposições de longa e curta duração, itinerantes, privilegiando os estudantes onde o lema é: “aprender fazendo e aprender brincando”, bem como a orientação dos jovens na compreensão e exploração dos objectos expostos.
Álvaro Jorge recordou que, nos primeiros anos (1977-1985), o museu recebia anualmente uma média de 50.000 visitantes. De (1985 a 1998), registou-se uma média anual de 30.000 visitantes. Actualmente, o museu recebe aproximadamente 12.000 visitantes, dentre os quais nacionais e estrangeiros das mais diversas faixas etárias. Desde a sua inauguração, mais de 75 por cento dos visitantes são estudantes da faixa etária infanto-juvenil.
Disse ainda que, nos últimos anos, os turistas estrangeiros que mais procuram os serviços do museu são de nacionalidade brasileira, portuguesa, francesa e botswanasa. No ano passado, avançou, o Museu Nacional de Antropologia recebeu a visita de um total de 11.450 turistas entre nacionais e estrangeiros.
Entre os visitantes estrangeiros, destacam-se os portugueses com 49 visitantes, brasileiros e franceses com 32 cada. “As actividades museográficas realizadas no Museu Nacional de Antropologia estão ligadas à própria gestão do acervo e integram várias operações que vão desde a identificação do objecto no local da recolha e transportação ao depósito no museu.”

Cooperação e intercâmbio
De acordo com Álvaro Jorge, a cooperação e o intercâmbio constituem para o museu uma via de difusão do património cultural para a reafirmação da identidade e unidade nacional por via das suas colecções etnográficas e na  obtenção de apoios a nível nacional e internacional.
Disse que a implementação de programas, campanhas de sensibilização e acções de formação em vários domínios de actuação do museu são um dos objectivos do museu, bem como continuar a estabelecer alguma cooperação de âmbito nacional e internacional.
Álvaro Jorge salientou que, na década de 90 e no âmbito da divulgação do acervo, se destacaram actividades importantes com os museus etnográficos do país, que consistiram  no movimento de exposições conjuntas com os museus da Huíla, do Dundo, do Lobito e de Cabinda e com a Delegação Provincial da Cultura do Namibe.
O Museu Nacional de Antropologia possui desde Novembro do ano passado um depósito central, adjacente ao edifício principal, com o objectivo de conservar o acervo em melhores condições. Fundado em 13 de Novembro de 1976, o Museu Nacional de Antropologia foi a primeira instituição museológica criada após a independência de Angola ocorrida um ano antes.
Esta instituição de carácter científico, cultural e educativo está vocacionada para a recolha, investigação e conservação do seu acervo.

MUSEU

Fundado dia 13 de Novembro de 1976
41
Anos de existência

1977 a 1985
Cinquenta mil visitantes
14
Salas de exposição

3.800
Peças arqueológicas

75% (Visitas)
São estudantes
11.450
Turistas
49
Portugueses

32
Brasileiros e franceses

Tempo

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