Museu de Arqueologia aberto à pesquisa


1 de Setembro, 2015

Fotografia: Domingos Cadência

Trabalhos em cerâmica, ossos, macutas, entre outros, num total de nove mil artefactos expostos no Museu Nacional de Arqueologia de Benguela estão disponíveis para a pesquisa de estudantes e público interessado, de acordo com o director da instituição, Paulo Valongo.

O director referiu que se trata de um estabelecimento público, sem fins lucrativos, de carácter científico, que inventaria, preserva e divulga o património cultural e natural do país. O museu interage com o público através das exposições permanentes ou não, sendo os estudantes, visitantes e turistas os que mais se interessam em conhecer o acervo.
São realizadas também exposições itinerantes em escolas e outras instituições públicas, permitindo aos estudantes um conhecimento sólido sobre o acervo e todas as actividades do museu. Falando sobre o papel dos museus na preservação e divulgação da história, cultura e dos hábitos e costumes, Paulo Valongo realçou que o processo de preparação e conservação das peças é realizado em laboratórios.
O acervo do museu, disse, resulta da pesquisa realizada por geólogos e arqueólogos, antes e depois da proclamação da Independência Nacional. Após a obtenção das peças em campo, faz-se a identificação para o registo, depois passam pela lavagem e posteriormente são submetidas ao laboratório para inventariação e classificação. As peças submetidas ao depósito para armazenamento ­podem ser seleccionadas para fazerem parte de uma nova exposição. “Os objectos inventariados e classificados são encaminhados ao depósito, após terem a sua ficha de registo ou cadastramento completo”.
O museu possui uma biblioteca, componente das actividades da instituição, onde os técnicos enriquecem os seus conhecimentos aliando a teoria à prática, também utilizada pelo público interessado, em particular os estudantes. O director salientou que a comparticipação da população no enriquecimento do acervo é nula já que o Museu Nacional de Arqueologia é uma instituição específica para a pesquisa, o que obedece a requisitos peculiares.
“Não se pode olvidar os passos importantes da escavação, a prospecção, sondagem, inventariação, classificação, preservação e protecção, aspectos que passam por metodologias previamente preparadas”, salientou. O Museu Nacional de Arqueologia de Benguela funciona num antigo armazém de escravos, conhecido também como Alfândega de Benguela, e está directamente ligado à história e ao processo de desenvolvimento da cidade.
Erguido nos finais do século XVII, a sua construção terminou no início do século XVIII, servindo para concentrar escravos no período conhecido como a “Era do Tráfico de Escravos”, que eram levados para várias partes do mundo através do litoral benguelense, principalmente para os continentes americano e europeu.

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