Museu defende pintura no tempo da Internet


12 de Janeiro, 2015

Fotografia: Divulgação

O Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA) está a organizar, pela primeira vez, uma exposição colectiva sobre pintura dos últimos 30 anos com o objectivo de definir uma tendência actual.

“The Forever Now: Contemporary painting in an atemporal World” junta trabalhos de 17 artistas, a maioria mulheres, a maioria norte-americanos, partindo da premissa de que mais do que continuar à procura da obra perfeita inventando novos caminhos, a pintura na era digital, tal como a literatura ou qualquer outra forma de arte contemporânea, não se define por esse perseguir do novo que motivou gerações de artistas e foi definindo correntes, sobretudo a partir dos modernistas.
Os especialistas em artes do MoMA destacaram que a mostra trabalha sobre o que já foi feito, em termos de conceitos, materiais, formas, desde as mais primitivas até às escolas pós-modernistas. “Tudo já foi feito e disseminado. Hoje o papel do artista é limitado ao trabalho sobre essa espécie de arquivo ou herança, uma eterna reanimação do histórico.”
Os mais críticos afirmam mesmo que esta exposição não veio ajudar sequer a acrescentar tópicos para ajudar a pensar sobre o tema da criação em arte no momento actual. “Nem mesmo quando o texto do catálogo diz que as obras reunidas, ou, numa perspectiva mais ambiciosas, as obras da pintura contemporânea só podem ser lidas à luz deste tempo enquanto ele é a junção de todos os tempos, por serem atemporais”, defendem os especialistas.
O facto é que, desde que foi inaugurada no passado dia 14 – e mesmo desde que a imprensa a pôde visitar, uma semana antes – “The Forever Now” tem motivado discussão. Não pelo pressuposto, mas pelo modo como ele é ali formalizado. Segundo a perspectiva dos organizadores, estamos, no campo da arte, num momento ‘atemporal’ ou intemporal, e essa é a grande novidade, ou, segundo uma visão menos optimista, num tempo em que a noção de progresso, de se fazer melhor e melhor, desde sempre perseguida, não parece possível.
Organizada por Laura Hoptman (ex-curadora do New Museum, em Nova Iorque, onde foi responsável, entre outras, pela então muito bem recebida exposição do pintor, performer e poeta Brion Gysin, “Dream Machine”), desde 2010 curadora no Departamento de Pintura e Escultura do MoMA, esta é uma exposição tão ambiciosa quanto arriscada.

Críticas à exposição

O crítico de arte Jason Farago classificou-a mesmo de “missão suicida” num texto que assinou para o jornal “The Guardian” e acusou-a de se ficar por uma abordagem cómoda, incapaz de lançar um debate sobre a arte e o seu papel, incluindo o do mercado, no actual momento.
Um dos exemplos apontados pelo crítico Jason Farago é o facto de muitos dos artistas mais representativos do que se faz actualmente na pintura não estarem nas colecções de museus, quase todos sem capacidade monetária para pagar os milhões que a especulação dita, mas sim em galerias ou nas mãos de particulares. “Isso faz com que alguns dos que podiam estar aqui não estão, por isso mesmo, ou por não pertencerem à mais estimada das correntes actuais do MoMA: o abstraccionismo”, lamentou.
O coro dos que apontam falhas à selecção é vasto e estende-se aos principais meios de comunicação onde esta exposição tem sido debatida. No fundo, esse coro que elogia a qualidade de muitas das obras presentes e questiona outras, não vê na selecção um conjunto capaz de elucidar acerca da pintura que se está a fazer, nem de ser capaz de sustentar o tal argumento que fundamenta a exposição: a de uma suposta intemporalidade do que se faz actualmente na pintura.

Várias gerações

“The Forever Now” não é uma exposição para retratar uma geração. Apesar de grande parte dos artistas representados terem começado a trabalhar na década de 90 do século XX, há diferenças de idade consideráveis entre eles.
Amy Sillman, a artista mais velha dos 17 eleitos, conhecida pela riqueza de cores e texturas dos seus trabalhos, tem 59 anos. Oscar Murillo, a nova super-estrela das artes plásticas, com peças cotadas no mercado em centenas de milhares de euros, tem 28 anos. A exposição também não tem a preocupação de apresentar uma geografia repartida e o atlas é muito limitado. Entre os 17 artistas, 13 são norte-americanos (uma delas, Julie Mehretu, 44 anos, tem origem etíope), três são da Alemanha e há um colombiano.

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