Museu do Dundo cria melhores condições

Armando Sapalo | Dundo
10 de Março, 2015

Fotografia: Benjamim Cândido

O património cultural e histórico vai ser mais valorizado, preservado e divulgado, principalmente do ponto de vista científico, com a conclusão das obras de requalificação do Museu do Dundo, informou, ontem, o chefe do Departamento de Museografia, José Agostinho Wazeia.

As obras, cuja segunda fase, tiveram início em Setembro do ano passado, estão na fase final e depois de concluídas dão maior projecção às actividades da instituição e à riqueza do seu acervo, disse, responsável da instituição.
As obras de ampliação do museu incluem a construção de um edifício moderno, anexo ao museu, com salas para depósitos do acervo, gabinetes para a direcção, um departamento de museografia e outro de animação cultural. O edifício tem uma traça arquitectónica moderna, de um piso, com seis salas para conservação do acervo museológico e vários compartimentos para as áreas de investigação científica.
O objectivo das melhorias, explicou José Agostinho Wazeia, é proporcionar melhores condições de trabalho, reforçar os níveis de organização e de estruturação, garantir mais eficiência nas actividades científicas.
As obras, destacou, ficam concluídas num prazo de oito meses, tendo em conta o trabalho feito pelas estruturas centrais do Ministério da Cultura e o interesse das autoridades locais em assegurar o pleno funcionamento do Museu Regional do Dundo.
José Agostinho Wazeia explicou ainda que se pretende com a segunda fase das obras recuperar o prestígio da instituição, para esta voltar a ser referência a nível do continente, “dada a sua importância no estudo de áreas como etnografia, história natural e arqueologia”.

Renovação do acervo

O chefe de departamento de museografia reconheceu que os investimentos do Ministério da Cultura vão permitir ao Museu do Dundo receber uma “nova e moderna imagem”, capaz de o colocar, novamente, entre os grandes museus de África.
A recuperação do Museu do Dundo, disse, reveste-se de grande importância, sobretudo para os jovens estudantes, agentes culturais e quadros ligados ao mundo da cultura, tendo em conta a sua dimensão social, no contexto da preservação e divulgação dos hábitos e costumes da região Leste de Angola.
José Agostinho Wazeia destacou ainda que o futuro Museu do Dundo inclui um projecto de grande impacto cultural e como tal é “importante continuar a apostar na sua renovação e na criação de condições que permitam melhorar o seu funcionamento”. Os investimentos feitos até ao momento, contou, permitiram a renovação da exposição permanente do museu, com dez mil peças, e a sua estruturação de acordo com parâmetros internacionais e adequadas ao ambiente museológico, destacando os aspectos técnicos de iluminação, que permitem uma melhor conservação do acervo.
O Museu do Dundo, recordou, continua a ser apetrechado com equipamentos de ponta, que garantem a preservação segura do equipamento museológico. “O número de pessoas que visitam, diariamente, o museu, mesmo com as obras de reabilitação, é um claro sinal da sua aceitação”, disse, acrescentando que em 2014 o museu recebeu a visita de 18.547 pessoas entre nacionais e estrangeiros, um crescimento em relação aos 65 mil de 2012 e 2013. Apesar das obras de reabilitação, garantiu, o museu continua a ser fiel à preservação das características do seu acervo, baseado nas tradições da região.

Investigação arqueológica


José Agostinho Wazeia informou que o projecto de recuperação das infra-estruturas integrantes do complexo do Museu do Dundo, reserva, para uma terceira fase, a requalificação das áreas de investigação arqueológica e a conservação e manutenção dos diversos costumes tradicionais da região Lunda.
O futuro Museu do Dundo, defendeu, inclui ainda a construção de novas e modernas infra-estruturas como um laboratório de investigação biológica, a Estação Arqueológica de Bala Bala e a Aldeia Museu.
O responsável ressaltou a importância do laboratório de biologia, enquanto dependência específica do Museu do Dundo, vocacionada no estudo das diferentes espécies animais da região leste do país e a Aldeia Museu, que no passado era habitada por artistas dos grupos culturais locais e artesãos.
Depois de concluir o projecto de renovação, a agenda científica do museu fica centrada no estabelecimento de ligações com instituições museológicas de outros países. A intenção, disse, é despertar e atrair o interesse de pesquisadores internacionais.
Outra aposta, acrescentou, é a formação contínua dos quadros da instituição, ministrada periodicamente por especialistas do Ministério da Cultura.

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