Museu Picasso de Paris reabre amanhã


24 de Outubro, 2014

Fotografia: AFP

As obras de Pablo Picasso voltam a brilhar em Paris a partir de amanhã, quando após cinco anos de reformas o museu que leva o seu nome reabre as portas e expõe 450 criações do mestre.

A data escolhida para esta ocasião especial coincide finalmente com o 133º aniversário do nascimento do pintor, a 25 de Outubro de 1881, embora as últimas previsões, rodeadas de polémica, a tinham fixado para Junho passado e depois para Setembro.
O histórico palácio do século XVII onde tem a sua sede, o Hotel Salguei, vai aparecer completamente renovado e oferecer ao público cerca de cinco mil metros quadrados, mais 2.700 que há cinco anos. A superfície de exposição também aumentou de maneira notável, ao passar de 1.600 metros quadrados para 3.600.
Os números foram fornecidos à Efe pela curadora da exposição inaugural, Anne Baldassari, que até Maio passado e desde 2010 presidia ao museu, onde começou a trabalhar em 1999 e que dirigia desde 2005.
Anos após a sua bem-sucedida abertura e depois de ter recebido milhões de visitantes, a reabilitação tornou-se indispensável, dado “o estado do museu”, explica a sua responsável máxima.
“Era indigno das colecções e tinha que se fazer com que este lugar fosse finalmente dado à obra de Picasso, para poder reflecti-la de uma maneira mais precisa”, acrescenta a curadora, que fez a sua selecção entre as cinco mil obras que possui o museu, das quais 500 são pinturas e esculturas e o resto artes gráficas, desenhos e gravuras.
No novo espaço, a cave e os três pisos do museu estão integralmente destinados a Picasso e ao público. “Vêem-se os sinais do cubismo aparecer, a linguagem cubista desenvolver-se, deformar-se depois no período surrealista, com uma passagem pela representação e tudo isso é perceptível”, diz a curadora. É sempre “a obra a suceder, fazendo-se, desfazendo-se, transformando-se”, para inventar e reinventar a pintura até ao último momento.
Baldassari propõe três tipos de percursos. Um acelerado, no subsolo, que permite em 20 minutos “atravessar todo o Picasso”, da oficina cubista e surrealista à guerra e às suas últimas obras, passando pela pintura e a escultura monumentais ou a fotografia.
“Muito mais construído, completo e complexo”, o percurso magistral desdobra-se em três andares, desde as primeiras criações até 1972, um ano antes da morte de Picasso, numa viagem “que pode ser extremamente elaborada, às vezes muito teórica, ou muito prática, às vezes com sombras em certos períodos”. O último andar, com tecto inclinado, oferece sob a sua armadura de madeira a ocasião para se ver a colecção pessoal de Picasso quase completa, os seus pintores e obras favoritas, frequentemente em pleno diálogo com ele. Um confronto que permite ver outro Picasso, pois revela “de maneira muito íntima” o seu processo mental criativo.
A façanha espacial realizada em pleno Bairro do Marais, que inclui entre as suas múltiplas novidades um auditório modulável e um terraço ajardinado, foi possível graças à mudança de actividades administrativas e de segurança para outros locais e edifícios vizinhos, construídos ou adquiridos para esse efeito.
O orçamento global do projecto foi de 66 milhões de dólares, dos quais 39 milhões foram auto-financiados pelo museu, graças a uma vintena de exposições internacionais. À adaptação museológica realizada por Roland Simounet, entre 1979 e 1985, acrescenta-se agora a visão da agência Bodin et Associés e a do arquitecto Stéphane Thouin para a escada de honra, as fachadas e outros elementos classificados como Monumento Histórico. Satisfeita com o seu trabalho e sem querer estender-se sobre a polémica que em Maio passado terminou com a sua demissão fulminante como presidente, Baldassari considera ter cumprido a sua missão “a favor do público e de Picasso” e assegura não ter nada de que se lamentar.
Deixou o cargo por decisão da então ministra de Cultura, Aurélie Filippetti, que a considerou responsável pelo deteriorado ambiente laboral denunciado por uma parte do pessoal. Tanto a ministra como Baldassari e o grande especialista francês que a substitui desde o passado 4 de Junho, Laurent Le Bon, ex-director do Centro Pompidou-Metz, declararam sempre que a exposição a estrear a pinacoteca devia ser obra da sua ex-presidente.

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