Cultura

Museus nacionais adaptados às novas tecnologias

Manuel Albano |

O processo de renovação, modernização e enriquecimento do acervo museológico em todo o país tem contribuído significativamente para o aumento dos visitantes nacionais e estrangeiros, disse, ontem em Luanda, o director nacional dos Museus.

Ziva Domingos afirma que as exposições permanentes e temporárias atraem muita pessoas às instituições de preservação da memória colectiva
Fotografia: Rafael Tati | Edições Novembro - Cabinda

Em declarações ao Jornal de Angola, Ziva Domingos explicou que, enquadrado nas comemorações do Dia Internacional dos Museus, que se assinala hoje em todo o mundo, o país, nos últimos dez anos, tem apostado na criação de condições para dar outra dinâmica à rede museológica nacional, com a melhoria da sua gestão.
Sobre o actual estado dos museus nacionais, o responsável destacou os avanços que se tem registado ao longos dos anos, numa aposta do Executivo, através do Plano Nacional de Desenvolvimento, que tem permitido mudar a imagem dos museus em todo o território nacional.
Nesta senda, realçou, tem sido feito um investimento através do Ministério da Cultura, na reabilitação, modernização, conservação e preservação, principalmente dos museus históricos e de referência nacional, no sentido de melhorar a sua gestão.
Optimista pelo aumento de visitantes, quer de nacionais, quer de estrangeiros aos museus existentes pelo país, Ziva Domingos realçou que esse factor tem contribuído para fomentar o turismo cultural e, consequentemente, permitir a arrecadação de mais receitas para os cofres do Estado.
No ano passado, disse, mais de 150 mil nacionais e 12 mil turistas estrangeiros visitaram os mais variados museus existentes no país, o que mostra a capacidade de atracção da rede museológica nacional, através da melhoria dos seus conteúdos, instalação de equipamento tecnológico moderno e aposta na formação de quadros.
As metas na criação de melhor condições, tanto de trabalho, como de exposições permanentes e temporárias, destacou, têm colaborado igualmente para atrair mais estudantes, historiadores e pesquisadores a essas importantes instituições de conhecimento e de preservação da memória colectiva dos angolanos.

Novas iniciativas

Incentivar a parceria público-privada, na construção de novos museus, tem sido um dos  aspectos fundamentais do Ministério da Cultura, cujo objectivo é continuar a promover a cooperação com instituições nacionais e internacionais, disse Ziva Domingos.
O país, recordou, tem assinado na última década vários protocolos de intercâmbio cultural, essencialmente no domínio da formação de técnicos nacionais com o apoio, fundamentalmente, do Brasil, Portugal e Espanha.
O surgimento no ano passado do Museu da Moeda, na Baixa da cidade de Luanda, inaugurado pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, numa iniciativa do Banco Nacional de Angola (BNA), referiu, é uma “mais-valia no que se refere à valorização do património cultural.”  O historiador acrescentou que o Museu da Moeda corresponde, em parte, à dinâmica actual do país, virada, especialmente, para a formação dos jovens. “A ideia que queremos dos museus é, exactamente, a de formar e informar às pessoas do que é feita a história do país ao longo destes anos”, disse.
Perto do lugar onde foi construído o Museu da Moeda, está em fase de conclusão o futuro Museu e Centro de Ciência e Tecnologia de Luanda, cujas obras foram visitadas em Setembro de 2015 pelo Presidente da República. A avenida 4 de Fevereiro vai passar a contar com dois museus temáticos, que vêm completar a beleza da Baía de Luanda, que tem sido o principal cartão postal da cidade capital.
O responsável relembrou que projectos semelhantes devem surgir nos próximos anos, principalmente nas províncias de Malanje, Moxico e Cuanza Sul, numa iniciativa dos  governos locais, o que vai permitir aumentar a rede museológica a nível nacional.
Outro ganho, disse, foi a reabilitação dos museus Nacionais de História Natural, da Escravatura, de História Militar de Angola e de Antropologia, todos em Luanda, e do Dundo, na Lunda   Norte. O aumento do número de turistas e investigadores interessados em conhecer a História de Angola, através dos museus, argumentou, não representa só uma forma de incentivar o crescimento da economia nacional, mas também de divulgar além-fronteiras a cultura angolana”, garantiu.

Actividades agendadas

O lema escolhido internacionalmente para este ano é: “Museus e histórias controversas: dizendo o indizível em museus”. No país, o acto central do Dia Internacional de Museus é marcado com a realização hoje, entre as 10h00 e as 12h30, de uma palestra em Cacuaco, no local da Batalha de Kifangondo, numa promoção do Ministério da Cultura, através da Direcção Nacional de Museus, para celebrar a efeméride.
O Museu Nacional de Antropologia de Angola, inaugura, igualmente hoje, às 15h00, na Galeria de Arte do Centro Cultural Brasil-Angola, uma exposição etnográfica denominada “A função dos instrumentos e da música tradicionais de Angola”. A exposição, em parceira com o Centro Cultural Brasil-Angola, fica patente até o dia 18 de Junho. Por todo o país, está agendado um rico programa de actividades com exposições documentais e fotográficas, feiras de livro e artesanato, exibição de peças de teatro, palestras e conferências.

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