Museus respondem aos problemas actuais

Mário Cohen |
18 de Maio, 2016

Fotografia: Santos Pedro

O papel dos museus na actual sociedade moderna tem sido um tema de debate de muitos especialistas, a nível mundial, por estes ainda serem limitados ao espaço.

Para falar do assunto, mas a partir da realidade do país, o Jornal de Angola ouviu o director nacional dos Museus, para quem ainda existe muito trabalho a ser feito.

Jornal de Angola - Qual é a importância do museu no quotidiano nesta fase de globalização?

Ziva Domingos -
O museu é uma instituição cultural que tem por missões realizar pesquisas, conservar, promover e divulgar a memória colectiva de uma determinada sociedade usando o seu acervo e desenvolver outras actividades de educação e mediação cultural. Como um meio de socialização, desempenha um papel determinante na construção/reconstrução da identidade cultural de um povo que o diferencie dos outros. É esta diferença que faz a riqueza e a diversidade cultural a nível do mundo. As correntes da globalização não abalam os povos que se identificam verdadeiramente com a sua cultura.

Jornal de Angola - Como deve ser um museu no mundo de hoje?

Ziva Domingos -
Nos tempos actuais o ideal é ter museus capazes de prestar serviços de qualidade ao público através da melhor conservação e divulgação do seu acervo e com a capacidade de tratar das problemáticas actuais da sociedade, ou com a ­capacidade de atrair mais o público turístico e por, conseguinte, contribuir à diversificação da economia reduzindo assim a pobreza e elevando a qualidade de vida das populações.

Jornal de Angola - O que está a ser feito para adaptar os museus aos novos tempos?

Ziva Domingos -
O que está a ser feito é a renovação dos principais museus de Angola, nomeadamente do Museu de História Natural, de Antropologia e o do Dundo para imprimir uma nova imagem a essas instituições e permitir-lhe de continuar a melhor atender as necessidades dos seus usuários. Além da renovação das exposições permanentes, este processo é acompanhado ainda da construção dos depósitos para a melhor conservação do acervo. No momento, O Museu do Dundo e de Antropologia estão a beneficiar das obras de construção desses espaços para melhor gerir e divulgar o seu acervo. Cremos que até ao final deste ano, as obras são concluídas e os depósitos apetrechados. É preciso realçar que são projectos financiados pelo Executivo Angolano através do seu Programa de Investimento Público (PIP).

Jornal de Angola - Qual deve ser o papel dos museus temáticos? Há uma aposta neste sentido?

Ziva Domingos -
Os museus temáticos são especiais ou de especialidade. Já começamos a ter na Rede Museológica Angolana alguns que respondem a esta necessidade. O caso mais recente é o Museu da Moeda que vai divulgar a história de Angola na sua componente económica e financeira e ao mesmo tempo diversificar e enriquecer a oferta cultural para o público angolano e estrangeiro. Outras iniciativas estão em curso como por exemplo a futura criação do Museu de Ciência e Tecnologia.

Jornal de Angola - Actualmente existe uma politica de conservação e manutenção dos museus?

Ziva Domingos -
Qualquer museu que pretende continuar a existir deve primar por uma política de gestão do seu acervo. Os Museus de Angola em geral têm trabalhado neste sentido também. Apesar da falta de recursos humanos especializados no domínio da conservação e restauro e de alguns recursos materiais apropriados, as equipas técnicas dessas instituições têm dado o seu melhor para manter o acervo em bom estado de conservação. Porém há maior desafios com a conservação do acervo do Museu Nacional de História Natural tendo em conta a sua fragilidade e sensibilidade aos factores ambientais.

Jornal de Angola - Que políticas têm para criar maior aproximação entre os museus e o público?

Ziva Domingos -
A estratégia da Direcção Nacional de Museus do Ministério da Cultura é a de consolidar a parceria com o Ministério da Educação e o da Juventude e Desportos para continuar a incutir a cultura de visita aos museus aos alunos e jovens que são o futuro  da Nação. Nesta perspectiva, os museus devem desenvolver programas de mediação cultural dirigidos para  as escolas e comunidades locais para poder estar mais próximo dos seus usuários.

Jornal de Angola - Qual o estado actual dos museus?

Ziva Domingos -
O estado actual não é alarmante. Mas o ideal seria renovar todos para dar uma nova imagem e acautelar os aspectos ligados à gestão do acervo, ao bom estado das instalações, à capacidade técnica do pessoal e a do Museu de atrair o público. Contudo, por causa da situação económica que o país atravessa, não é possível atingir a meta. Portanto, temos de resolver os problemas gradualmente. Enquanto avançam as obras de renovação de alguns, temos de aproveitar o momento para capacitar os técnicos e melhorar a gestão institucional dos museus.

Jornal de Angola - Actualmente os museus regionais têm cumprido o seu papel?

Ziva Domingos -
O museu regional que está em melhores condições para cumprir com as suas missões é o Museu Regional do Dundo. A sua recente renovação permitiu oferecer serviços de qualidade ao seu público. Com a divulgação do seu rico acervo, o museu atinge hoje uma media mensal de cerca de 3.500 visitantes. Quanto aos Museus Regionais de Cabinda e Huíla os desafios actuais são os de dar corpo à sua gestão que passa pela capacitação do pessoal e também pelo enriquecimento do seu acervo, com capacidade de representar a riqueza das regiões culturais Congo e Nyaneka-Humbi.

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