A vida de Santocas no Poeira do Quintal


21 de Novembro, 2015

Fotografia: Kindala Manuel

O programa Poeira no Quintal, da Rádio Nacional de Angola, transmite amanhã entre as 7h30 e as 9h00, as histórias, recordações e vivência artística de António Sebastião Vicente “Santocas”, durante um programa ao vivo a partir da sede dos Novatos da Ilha.

Denominado “Poeira no Quintal, Angola 40 anos - Visita ao Domicílio”, o programa tem sido produzido há algum tempo fora dos estúdios centrais da RNA com a participação de artistas, que pela música de certo modo contribuíram na luta pela Independência Nacional.
Uma das referências da música de intervenção em Angola, Santocas vai recordar músicas do seu reportório, com destaque para “Bairro Indígena”, “Massacre de Quifangondo”, “Valódia”, “Hoji Ya Henda” e “Etu Tuana Ngola”, acompanhado pela Banda Poeira no Quintal.
O coordenador do “Poeira no Quintal, Angola 40 anos - Visita ao Domicílio”, João Cunha, disse ao Jornal de Angola que o objectivo do projecto é dar relevância à produção de temas feitos no calor da Independência, de forma a transmitir o testemunho aos jovens e remeter escribas à feitura de livros de modo a contar a história real desta odisseia, 40 anos depois.
“No âmbito das comemorações - Angola 40 anos de Independência Nacional”, a Rádio Nacional de Angola está a promover encontros com vários músicos da velha geração, enquadrados no projecto ‘Poeira no Quintal, Angola 40 anos’”, disse João Cunha, que avançou que a próxima edição vão trazer depoimentos e testemunhos de figuras do emblemático conjunto Os Bongos do Lobito, com destaque para Boto Trindade e Zeca Moreno.
António Sebastião Vicente “Santocas” iniciou a sua carreira musical em 1961, com apenas seis anos de idade, nos espectáculos da associação recreativa “Botafogo”, na qualidade de cantor infantil. No ano seguinte pisou pela primeira vez o palco do “Maxinde” no bairro Marçal. Santocas atinge a época áurea da sua carreira em 1974/75, interpretando canções de sentido político, tornando-se um “ídolo da canção política” nacional. “Massacres de Quifangondo”, “O Imperialismo em Angola Fracassou” e “Os Heróis serão Vingados”, são alguns temas de autoria de Santocas que se destacaram na véspera da Independência Nacional, em Novembro de 1975. “Marçal”, “Angola Não é Herança de Familiares”, “Matrimónio” e “As Rainhas da Moda”, cuja mensagem tinha a ver com o surgimento da prostituição infanto-juvenil, que mais tarde chamar-se-ia de “catorzinhas” às meninas participantes, reflectem a temática considerada “picante”.
O artista estreou-se no mercado discográfico com “Minha História, Minha Vida”, um CD com dez temas, em semba, kilapanga e rumba,  e um DVD com documentário sobre a sua carreira artística.

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