Ana Bela Aya abre temporada do “Tambar Music”

Jomo Fortunato |
9 de Maio, 2016

Fotografia: Paulino Damião

A cantora e compositora Anabela Aya abriu, na última quinta-feira, a temporada de concertos do projecto “Tambar Music”, no palco do Restaurante Tambarino, um espaço que tem privilegiado as novas tendências da Música Popular Angolana, e que acolhe nas próximas semanas, à quinta-feira, os cantores Kizua Gourgel, Pirika Duia, e Gonçalo Clington.

O exercício musical continuado em espaços de exibição intimista, aproxima os cantores do público, e pode constituir uma antecâmara ao processo de solidificação de determinada carreira artística. Na ausência de contratações regulares para apresentação em espaços públicos, e de uma agenda abrangente de concertos em digressões, os espaços de restauração, clubes e contratações privadas, constituem uma alternativa à música com mais preocupação estética, que, normalmente, está fora do grande sucesso comercial.
Eugénio Cruz, director artístico do projecto “Tambar music”, espaço de entretenimento que privilegia propostas musicais alternativas, que vai desde o revivalismo da Música Popular Angolana às novas tendências de inspiração jazzística, esclareceu o seguinte: “Iniciamos em 1993, com música ao vivo no Restaurante e Pub, Tambarino, com a conhecida Banda Maravilha, depois surgiu um movimento musical orientado pelo falecido, Zé Machado. Por motivos de vária ordem, acabámos com a música ao vivo. Houve depois um interregno, porque surgiu a necessidade de efectuarmos algumas obras de beneficiação e melhoramentos, isto mais recentemente, ou seja, em 2014,  e, no ano seguinte, reactivámos a música ao vivo. Ainda em Setembro de 2014 apostámos no projecto “Okuanjulukaheat”, numa parceria com a cantora IrinaVasconcelos, projecto que durou até ao final do mês de Abril de 2016. Agora, tendo como objectivo modificar e melhorar a nossa prestação artística, foi preparado um novo projecto musical, denominado “Tambar Music” que teve o seu início no dia 05 de Maio de 2016, com a voz bonita e sensual da cantora e compositora, Anabela Aya. Informamos que para este mês já estão contratados os cantores: Kizua Gourgel,  Pirika Duia, e Gonçalo Clington. Aproveitamos esta simpática oportunidade do Jornal de Angola, para anunciar, para breve, o projecto “Tambar Dance”, com música dos anos sessenta e setenta”. 
 
Anabela

Filha de Marcos Manuel Pipa e de Maria João Dias, Anabela Virgínia Dias Pipa nasceu no dia 9 de Setembro de 1983, em Luanda. Oriunda de uma família religiosa, Anabela Aya iniciou o seu contacto com a música aos cinco anos de idade, ouvindo os cantares religiosos do coro da Igreja Metodista Independente, Caridade, onde a sua mãe  é professora. Teve formação vocal na igreja, criando as bases técnicas que depois permitiram a sua versatilidade, e propensão para interpretar os géneros: gospel, base da sua formação musical, bossa nova,  soul, rythm& blues, reggae, semba, incluindo o fado. Sempre disposta a cantar para vários espaços e eventos culturais, onde é convidada, Anabela Aya já dividiu o palco com Maya Cool, Tânia Tomé, de Moçambique, Tito Paris, de  Cabo Verde, Tricia Boutte e a Banda Gumbo da Noruega, Dodó Miranda, Mário Gama, e Nelo Carvalho.
Sobre o concerto no projecto “Tamar  Music”,  a  cantora fez a seguinte apreciação: “A resposta do público foi bastante positiva, e gostei muito de partilhar emoções, sobretudo porque interpretei canções com as quais tenho uma relação de muito amor. Canto aquilo que gosto, e o que toca no fundo da minha alma. Desconfio sempre dos rótulos, uns acham que é afro-jazz, tudo bem vamos nessa. Sabe-se que o contexto musical angolano dos últimos vinte anos, tem sido abalado, positivamente, pelo surgimento de novas vozes e propostas musicais que representam um importante segmento que aposta nos benefícios artísticos da qualidade, pela renovação estética de clássicos do cancioneiro tradicional, e de temas referenciais da história da Música Popular Angolana. Eu estou neste grupo, no entanto aviso que minha música é aberta ao mundo”. Anabela Aya apresentou-se no projecto “Tamar Music”, com Mayó Bass, viola baixo, Adilson Groove, bateria, e Nino Jazz,  no piano.

Kizua

Filho de Roberto do Amaral Gourgel, Beto Gourgel, conhecido cantor, compositor, humorista e guitarrista, e de Eila Hellevi Lehtinen, Kizua Lehtinem Nazareth Gourgel, Kizua Gourgel, nasceu no dia 9 de Março de 1979, e começou a sua vida artística com os seus pais,  aos 4 anos de idade. Integrou os “Patinhos”, em 1984, grupo infantil da professora  Rosa Roque, e  obteve a sua primeira guitarra, aos 13 anos de idade, em Portugal,  e com ela  compôs a sua primeira canção.
Em 1994 voltou para Angola e ingressou nas “Gingas do Maculusso”,  onde permaneceu  durante oito anos, tendo enveredado depois para uma carreira a solo. Participou nos concursos: “Trovante 95” da RNA, Rádio Nacional de Angola,   em 1999, em duas edições do Festival da Canção da LAC, Luanda Antena Comercial, sagrando-se vencedor do festival, em  2002.  Kizua Gourgel foi um dos fundadores da Banda “Wannagroove”, com Pedro Nzagi, teclas e voz, Nino Jazz, teclas, Wando Moreira, baixo, e Hélio Cruz, bateria. Em 2007 lançou o seu primeiro single, “Tetembwa”, com participação da cantora Yola Semedo no tema, “ Depois do Fim”, do qual transcrevemos alguns versos: Oi vim buscar as minhas coisas/Está tudo arrumado é só levar/Olha eu sei que terminamos o nosso romance mas sei lá podemos ser bons amigos/ como sempre fomos afinal tivemos uma relação tão forte/ Para quê?/ Pensa/ Eu ainda te amo e sei que vou sofrer sempre que te vir e sem te puder tocar. Vai deixa-me em paz, só quero te esquecer/ Escuta/ Eu nem posso crer que chegou ao fim/ O que será de mim em relação a ti/ Será que vamos cumprir com as promessas que fizemos de ser amigos/ eternos/Eu não sei não/ Será que não dá para parar e pensar que assim não vai dar/ Baby é preciso mudar/ Porque amizade o nosso amor vai homenagear… “Depois do fim” arrebatou o Prémio de “Melhor Balada” do Top Rádio Luanda. Em 2011, foi figura de cartaz do Festival Internacional de Jazz  de Luanda. Enquanto compositor e guitarrista, Kizua Gourgel tem participações em vários projectos discográficos, acusa de pop rock, e afro-Jazz. Kizua Gourgel coordena, com Luaty Boavida, o projecto “Jazzmente”, e apresenta o programa “Filhos da pauta”, da Rádio Mais. Kizua  pisa o palco do Projecto “Tamar Music”  no dia 12 de Maio de 2016.

Pirika

Filho de Eduardo Garcia Adolfo, Duia, e de Maria João Bernardo Adolfo, António Idalino Garcia Adolfo, Pirika Duia, nasceu em Luanda no dia 30 de Agosto de 1976.
 Herdeiro da tradição musical dos Gingas, formação musical do seu pai Duia, Pirika  tem participado em vários projectos musicais, enquanto produtor, cantor e guitarrista. Pertenceu as Bandas Maravilha e Vozes Negras. Pirika Duia apresenta-se no Projecto “Tamar music”, com Bebé (bateria), Mara Adolfo (cavaquinho), Teresa Adolfo Jandaia (guitarra baixo), tem revisitado as Duia, “Lamento”, canções e temas instrumentais de “Sobe sobe”, “Ngana”, “Rapsódia”, “Mariana”, “Carolina”, “Monami”, e “Ngazuze”. Prika Duia tem concerto previsto para dia 19 de Maio de 2016.

Gonçalo Clington

Filho de Carlos Costa e de Ruth Clington, Gonçalo Clington G. da Costa, Gonçalo Clington, nasceu em Luanda no dia 12 de Março de 1980. Ainda pequeno teve contacto com a música dos Dire Straits, Michael Jackson, e Bob Marley.
No início dos anos noventa, à semelhança dos jovens da sua idade, ouvia os Nirvana, Oásis, Rage Against The Machine, Metallica, bandas com as quais diz ter influências, tendo despoletado o interesse pelo canto e pela execução de instrumentos musicais. Ao longo da sua carreira participou em vários projectos, dos quais destacamos a participação nos “The Waves”, Banda da Universidade da Namíbia, G8, Grupo de Hip-Hop, “Aconteceu”, projecto de uma banda de rock angolano, e na “Banda Reticências”.
A musicalidade de Gonçalo Clington acusa influências de rock, soul music, jazz e sonoridades de base africana.
Sobre a génese da sua música Gonçalo Clington, disse o seguinte: “Enquanto compositor, o meu repertório possui, maioritariamente, temas originais, entre outras recriações e fusões. A minha tendência é fundir harmonias que acho agradáveis ao meu ouvido. Neste sentido, prefiro acomodar a minha música no interior do conceito da “World Music”, evitando o carácter vago das definições, e das categorizações erradas”. Gonçalo Clington encerra o cartaz do projecto da “Tamar Music”, no dia 26 de Maio de 2016.

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