Anabela Aya ''aquece'' Palácio de Ferro

Francisco Pedro |
8 de Março, 2016

Fotografia: Jaimagens

Na sequência do sucesso do primeiro concerto, realizado no âmbito da programação cultural da III Trienal de Luanda, Anabela Aya foi convidada a realizar um segundo concerto, sábado último, sem repetir o alinhamento musical do seu espectáculo de estreia.

Para respeitar os fãs, disse   a cantora, ontem, ao Jornal de Angola, “não gosto de repetir, é cansativo ,  e podemos perder os fãs”.  Anabela Aya abriu o show com uma magistral interpretação de  “Redemption”, de Bob Marley.
A surpresa da noite  foi ter encerrado o concerto com uma versão “jazzificada” do tema, “Mabelé”, de Óscar Neves, interpretada em kimbundo e inglês, com a introdução de versos de “Makossa”, de Manu Dibango.
A estreia da canção “Teu Nome”, de Jomo Fortunato, marcou, de igual modo, um outro momento do show da cantora no Palácio de Ferro, acompanhada pelo desempenho competente dos instrumentistas Nino Jazz (teclado), Dilson Gruv (baterista), Inês Vieira (violino) e MayoBass (baixo), com entradas livres.
A versatilidade da cantora tem possibilitado a sua incursão em  múltiplos estilos e géneros musicais, com incidência para o  gospel e variantes do afro-jazz.  No concerto, Anabela Aya cantou, “Kuamueleli”, “Voz e vento” e “Oração”, canções de sua autoria,  a primeira dá título ao primeiro disco que pretende lançar ainda este ano, com o patrocínio da Fundação Sindika Dokolo. “Enquanto não tenho disco, os meus concertos são bastante diversificados, inovo sempre, assim as pessoas têm mais vontade de me ouvir. Por isso, fiz o segundo show de forma bem calculada, por que o público da Trienal é bem diversificado”.
Músicas de Ella Fitzgerald, Édith Piafe de outros compositores estrangeiros do género jazz também foram interpretadas no decorrer de duas horas.
Até Novembro, a cantora tem uma agenda mensal na programação da III Trienal de Luanda, quer no país, quer no exterior, Brasil e Portugal, onde vão ser organizadas outras actividades da Trienal. Anabela Aya enriquece a lista de vozes femininas angolanas que primam pelo afrojazz, como Afrikanita, Sandra Cordeiro e Irina Vasconcelos. A fama não faz parte dos seus propósitos enquanto artista. “Quero apenas cantar, porque já sou famosa em minha casa,  para mim não é importante ser famosa. Mesmo sem patrocínios não deixarei de cantar”.
Embora esteja a seguir uma carreira a solo fora do ambiente religioso, continua a interpretar músicas sacras que nem sempre o público se apercebe, porque  canta em inglês ou em línguas nacionais.
A primeira actuação foi no dia da inauguração do Palácio de Ferro, a 16 de Janeiro, em que dividiu o palco com o Duo Canhoto, dias depois deu o primeiro concerto a solo, e voltou a repartir o palco recentemente com Wiza.

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